EA Sports College Football 27: O equilíbrio entre o campo e a planilha

EA Sports College Football 27 chega ao seu terceiro ano com uma proposta ambiciosa: refinar a jogabilidade em campo e expandir a gestão fora dele. O resultado é um jogo que acerta em cheio na apresentação e nas mecânicas de jogo, mas que pode sobrecarregar quem prefere menos burocracia e mais ação. A nova edição traz ajustes ofensivos e defensivos que dão mais liberdade ao jogador para montar estratégias, mas grande parte das novidades está concentrada em menus, números e gráficos – o que o revisor chama de “Deus do Mal dos Números”.

O Skills Trainer, antes escondido no Ultimate Team, agora está disponível na tela inicial, facilitando o aprendizado de novas mecânicas. Entre as adições estão o salto sobre a linha de scrimmage (jump the snap), o contato entre recebedores (wide receiver jostle) e o medidor de quarterback sneak. As mudanças nos ajustes pré-jogada, especialmente na defesa, exigem que os veteranos reaprendam comandos – os ajustes da linha defensiva, por exemplo, foram movidos do direcional esquerdo para o analógico direito. O sistema é mais intuitivo e rápido, mas quebrar a memória muscular de anos é um desafio.

O novo sistema de recepção baseado em tempo divide opiniões. Ao segurar o botão para o tipo de recepção (posse, corrida após recepção ou agressiva), um medidor com zonas amarela, verde e vermelha aparece. A zona verde teoricamente garante a recepção, mas na prática o resultado pode ser frustrante: a bola pode ser desviada, o jogador pode sofrer um impacto forte e largar a bola, ou o passe pode ser interceptado mesmo com o medidor no verde. O revisor questiona por que não é possível desativar o recurso e por que um defensive back que sabe que não tem chance de interceptar ainda recebe o medidor.

A apresentação, já considerada a melhor da categoria, ficou ainda melhor. Novas tradições, troféus e estádios foram adicionados, e o clima dinâmico agora pode mudar a cada jogada, influenciando diretamente a partida. A equipe da EA Orlando conseguiu aprimorar o que já funcionava, mantendo a qualidade ano após ano.

No modo Road to Glory, as novidades são três novas posições: tight end, edge rusher e free safety. O revisor criou John Block, um tight end com foco em bloqueio e recepção, e achou a experiência divertida – especialmente o bloqueio e as recepções decisivas. No entanto, após o ensino médio, o modo se resume a gerenciar planilhas: felicidade do técnico, confiança, posição no depth chart e métricas de legado. Falta personalidade ao personagem, que não tem amigos, vida social ou um mundo além do futebol. O modo é descrito como “campanha básica” que o revisor joga apenas para a análise.

Dynasty continua sendo o coração do jogo, mas agora com mais camadas de gerenciamento. As novidades incluem Expectativas do Diretor Atlético (AD Expectations), Pontos de Dynasty e acordos de NIL (nome, imagem e semelhança). Cada escola tem objetivos diferentes – algumas querem títulos nacionais, outras apenas vencer o rival. Os Pontos de Dynasty são ganhos com base em prestígio da conferência, atmosfera do estádio etc., e devem ser gastos para contratar equipe técnica, melhorar instalações, oferecer acordos NIL a recrutas e manter os jogadores atuais satisfeitos. O sistema é complexo e, às vezes, o próprio jogo alerta sobre gastos excessivos. O revisor admite que não sabia se estava usando os pontos corretamente, mas como estava vencendo com LSU, pôde errar sem consequências. A oferta de bolsas agora também consome Pontos de Dynasty, e prometer mais NIL do que o esperado pode atrair recrutas, mas quebrar a promessa gera insatisfação. Apesar das melhorias, o modo ainda exige muitas horas em menus e planilhas, o que pode afastar quem prefere a ação em campo.

Ultimate Team segue o mesmo formato de sempre: desafios, pacotes de cartas e construção de equipe. Há novidades em upgrades de jogadores, e um sistema chamado EVOs está previsto para o futuro, mas ainda não disponível. O revisor mantém a crítica de que o modo é predatório e estimula mecanismos de recompensa semelhantes ao jogo de azar.

Em suma, College Football 27 acerta em campo, mas tropeça fora dele. A sensação é de que o jogador passa mais tempo gerenciando números do que vivendo a experiência de ser um atleta universitário. Para quem ama a parte tática e de planejamento, as novidades são bem-vindas; para quem só quer jogar, o excesso de burocracia pode ser um empecilho.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/college-football-27-review.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-07-08 23:40:00

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