No novo épico de Christopher Nolan, “Odisseia”, as ameaças são muitas — do ciclope gigante ao deus irado Poseidon. Mas talvez a mais sinistra seja a dos “Povos do Mar” ou “Povo do Mar”, uma força mencionada ao longo do filme como um perigo para Ítaca e seus vizinhos no Mediterrâneo.

Atenção: spoilers importantes de “Odisseia” a seguir.
No filme, os Povos do Mar são descritos como uma lendária força invasora que ataca várias terras. Em Ítaca, enquanto a rainha Penélope (Anne Hathaway) aguarda o retorno de seu marido, o rei Odisseu (Matt Damon), ela não só precisa lidar com dezenas de pretendentes que a pressionam a se casar novamente, mas também sente que Ítaca está ameaçada por esses misteriosos Povos do Mar. Para se proteger, Ítaca precisa de um rei capaz de levantar um exército para defendê-la.
Os Povos do Mar são mencionados várias outras vezes no filme como uma ameaça misteriosa e saqueadora a diversas terras. Os detalhes sobre eles não são explicitamente revelados, e sua identidade pode ficar a cargo da interpretação. Perto do fim, Odisseu sugere que ele e seu exército podem ter contribuído para as histórias sobre os Povos do Mar. Seu exército veio do mar, usou o cavalo de madeira para enganar os troianos e depois invadiu e arrasou Troia. Com isso, deram origem — ou ao menos contribuíram — à ideia de que Povos do Mar são uma ameaça. Também inauguraram uma era de ilegalidade que deu espaço a pessoas que agora se aproveitam do declínio social.

Embora o texto original de “Odisseia” não afirme explicitamente que as forças de Odisseu são os Povos do Mar, essa é uma teoria popular entre estudiosos e historiadores. Isso se baseia principalmente em um episódio chamado “Mentira Cretense”, quando Odisseu retorna a Ítaca disfarçado de mendigo e conta a seu fiel porqueiro Eumeu (John Leguizamo) uma história inventada sobre um ataque ao Egito. Embora a história seja falsa, ela serve de base contextual para a ideia de que Odisseu e seus homens são os Povos do Mar. E isso, como muito em “Odisseia”, mistura lendas e fantasia com história real.
No mundo real, os Povos do Mar — como são comumente chamados — referem-se a uma confederação frouxa de diferentes tipos de povos (daí “povos”) que atacaram o Egito e outras regiões do Mediterrâneo Oriental por volta de 1200 a.C., no final da Idade do Bronze (época em que se passa “Odisseia”). A evidência mais explícita de sua existência vem de inscrições traduzidas de um templo egípcio conhecido como Medinet Habu, embora também sejam mencionados em outras inscrições egípcias. Em cada caso, vários povos são citados como parte das forças invasoras, como os Peleset, os Shekelesh e outros.

Na maior parte, os historiadores não conseguiram identificar exatamente a quais povos os egípcios se referiam, embora “Peleset” seja confirmado como os filisteus de Canaã, e os historiadores especulem que os Shekelesh vieram da Sicília. Em outras palavras, os historiadores não têm certeza de quem eram os Povos do Mar, então alguns deles poderiam muito bem ter sido gregos. Outro mistério é se os Povos do Mar causaram o fim da Idade do Bronze com seus ataques ou se foram apenas um sintoma de uma sociedade já em declínio — a segunda opção parece mais provável.
O entendimento atual é que os Povos do Mar não eram exércitos treinados, mas sim uma confederação mais solta, algo entre um exército invasor e um bando de piratas, que incluía famílias inteiras e sociedades, não apenas soldados. Portanto, embora a implicação de que os soldados de Odisseu sejam os Povos do Mar seja uma interpretação legítima de “Odisseia”, ela não se alinha exatamente com os registros históricos reais do Egito antigo. Dito isso, se você tiver Povos do Mar à sua porta, ainda assim não aceitaria cavalos de madeira deles. “Odisseia” está em exibição nos cinemas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/who-are-the-sea-people-in-christopher-nolans-the-odyssey/.
Fonte: Polygon.
2026-07-18 00:00:00








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