Para muitos, um jogo aconchegante envolve cuidar de uma fazenda em Stardew Valley, decorar uma ilha em Animal Crossing: New Horizons ou vender livros em Tiny Bookshop. Mas para o jornalista Paulo Kawanishi, do site Polygon, o refúgio relaxante está em um lugar inesperado: Path of Exile 2, o intenso action RPG isométrico da Grinding Gear Games. Lançado em early access em 2024, o título é conhecido por sua dificuldade elevada e uma árvore de habilidades passivas gigantesca, capaz de causar ansiedade em novatos. No entanto, Kawanishi encontrou no jogo uma experiência estranhamente aconchegante, graças a combinações de habilidades específicas.

Path of Exile 2 não se parece em nada com um jogo aconchegante típico. É um RPG de ação isométrico onde o jogador escolhe uma classe, percorre uma campanha (atualmente com quatro atos e três interlúdios) e chega ao endgame, que oferece histórias extras e mapas infinitos. A jogabilidade envolve subir de nível eliminando hordas de criaturas, encontrando equipamentos melhores e derrotando chefes. A progressão do personagem depende de uma árvore de habilidades passivas enorme, que pode ser intimidante para quem não está acostumado. Enquanto jogadores experientes avançam com facilidade, os novatos descobrem rapidamente que os inimigos podem matá-los com poucos golpes. Em outras palavras, PoE 2 pode ser brutal e exige dedicação para ser aprendido.

O que transforma PoE 2 de um ARPG agressivo e intrincado em um jogo aconchegante são as chamadas builds. Graças à árvore de passivas robusta e à progressão inteligente de classes, as possibilidades são incontáveis. A comunidade estuda e testa constantemente interações entre mecânicas, habilidades e armas para criar ideias absurdas. Algumas builds são extremamente fortes, mas com alto nível de dificuldade; outras são incrivelmente fáceis de jogar — e é por isso que Kawanishi as ama.
Na liga 0.5 Return of the Ancients — conteúdo sazonal onde o jogador começa um novo personagem em um servidor fresco e explora novas mecânicas —, Kawanishi subiu de nível com a classe Oracle seguindo a build Plant Daddy do YouTuber Raxxanterax. A premissa é simples: o jogador anda pelos mapas jogando videiras no chão, que causam dano aos inimigos, fazem plantas crescerem e explodirem. Essas videiras são potencializadas pela habilidade Thunderstorm, que invoca uma tempestade em uma área, eletrocutando inimigos e regando as plantas. A build aproveita uma gema de espírito avançada chamada Cast on Crit para automatizar Thunderstorm. Como é uma build de Oracle, o jogador tem acesso a uma passiva que garante acertos críticos.

A sinergia entre habilidades e gemas nessa build é bela. Ela não transforma o personagem em uma besta imortal desde o nível 1, mas permite passar por toda a campanha e pelos primeiros mapas do endgame sem preocupações. Kawanishi descreve que simplesmente jogava as videiras e esperava os inimigos morrerem enquanto tomava chá e escolhia a próxima música para ouvir. Raramente morria com essa build, e as lutas contra chefes se tornavam equivalentes a receber um novo NPC na ilha: encontros fortuitos que tornavam as coisas um pouco mais emocionantes, mas nunca o suficiente para quebrar a sensação de calma.

Livre de preocupações graças à poderosa matemática por trás da build, Kawanishi encontrou seu refúgio aconchegante — um lugar onde se diverte enquanto se sente engajado de forma significativa, sem nunca ficar entediado. No entanto, ele ressalta que experimentar o lado aconchegante de PoE 2 exige concessões. Builds corpo a corpo, por exemplo, podem não funcionar, já que o jogador fica sempre perto do perigo. E nem toda build de dois botões é forte o suficiente para farmar mapas T15 com modificadores difíceis. Mas, para quem aceita essas limitações, a recomendação é escolher uma build, preparar a melhor playlist e aproveitar a jornada.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/path-of-exile-2-recommendation-cozy-game/.
Fonte: Polygon.
2026-07-26 16:30:00








Deixe um comentário