Óculos Viture Beast XR: tela de 174 polegadas para jogar deitado no sofá ou no avião

Os óculos de realidade estendida (XR) Viture Beast prometem transformar qualquer console portátil, celular ou notebook em uma tela gigante de até 174 polegadas, projetada diretamente na frente dos olhos do usuário. A jornalista Jackie Thomas, editora de hardware e guias de compra do IGN, testou o dispositivo e afirma que, apesar de ainda imperfeitos, os Beast são o melhor par de óculos XR que ela já usou — e, mais importante, são confortáveis por mais de dez minutos, algo raro na categoria.

Diferentemente de um headset de realidade virtual, os Viture Beast não rodam aplicativos próprios. Eles funcionam como um monitor externo que se conecta via USB-C a qualquer dispositivo compatível com saída de vídeo pela porta. Na prática, isso inclui smartphones, tablets, notebooks e, principalmente, consoles portáteis como o ASUS ROG Ally X e o Lenovo Legion Go. A ideia é simples: em vez de ficar segurando um aparelho de 7 polegadas na frente do rosto durante horas, o jogador pode deitar a cabeça no encosto do avião ou do sofá e enxergar uma tela imensa no teto, enquanto segura o console no colo.

O design dos Beast é o primeiro ponto que chama atenção. Eles lembram óculos escuros grossos, com hastes largas que abrigam alto-falantes direcionais co-desenvolvidos com a Harman Kardon e botões de controle. Na parte frontal, entre as lentes, há uma câmera que, por enquanto, serve apenas para rastrear o movimento da cabeça e manter a imagem estável — a Viture promete usá-la no futuro para funcionalidades de computação espacial. Para quem se incomoda com a câmera, a caixa inclui adesivos para cobri-la.

O sistema de projeção usa dois displays de 1200p posicionados em saliências na parte superior das lentes. Espelhos internos refletem a imagem para os olhos, criando a ilusão de uma tela única e enorme. A Viture afirma que o brilho percebido chega a 1.250 nits e que a cobertura de cores atinge 108% do espaço Adobe RGB. A jornalista do IGN considera a imagem nítida e colorida o suficiente para jogar e assistir filmes, mas alerta que textos nas bordas podem ficar borrados — problema que ela atribui à resolução de 1200p esticada em uma tela virtual grande ou à sua própria distância interpupilar (IPD) estreita.

Os controles são abundantes, mas exigem memorização. Na haste direita, um botão longo ajusta a transparência (de ambiente visível a fundo totalmente preto) e um botão curto alterna entre três modos de ancoragem: sem profundidade de campo, ancorado (imagem fixa no espaço) e “Smooth Follow” (imagem centralizada no campo de visão). Na haste esquerda, o botão longo controla o brilho. Para ajustar o volume, é necessário um pressionamento curto no botão da frente, que abre um medidor na tela. A boa notícia é que, ao conectar os óculos pela primeira vez, um tutorial interativo explica todas as funções.

O áudio surpreendeu positivamente. Os alto-falantes direcionais, apesar do espaço reduzido, entregam som de qualidade — a jornalista relata que conseguiu ouvir todos os detalhes sonoros de Diablo 4 durante horas de jogo, sem precisar colocar fones por cima dos óculos. O cabo USB-C incluso tem um conector angulado que passa por cima da orelha, mas é curto demais para usar com um notebook no criado-mudo enquanto se está deitado na cama — problema resolvido com um cabo mais longo comprado à parte.

O aquecimento é outro ponto de atenção. As saliências que abrigam os displays esquentam bastante durante o uso, embora o calor não seja sentido enquanto os óculos estão na face. A jornalista prevê que o uso em dias quentes de verão pode ser desconfortável, mas ressalta que em aviões, onde a temperatura é baixa, o calor acaba sendo bem-vindo. As almofadas nasais são intercambiáveis (três tamanhos inclusos) para garantir que as lentes fiquem o mais próximo possível dos olhos — se os óculos escorregam, a imagem perde o foco e pode causar dor de cabeça.

No balanço geral, Jackie Thomas considera os Viture Beast uma evolução significativa em relação aos primeiros óculos XR que testou, como o Legion Glasses da Lenovo, que a deixaram com dor de cabeça. Ela afirma que os Beast são confortáveis por períodos mais longos e que a imersão proporcionada por uma tela gigante no teto supera qualquer display integrado de console portátil, incluindo os do Legion Go 2 e do Switch 2. Ainda assim, ela pondera que a categoria está em estágio inicial e que os óculos ainda não são tão confortáveis quanto um headset de áudio para maratonas de várias horas.

Para quem viaja muito ou tem espaço limitado em casa, os Viture Beast aparecem como uma alternativa prática para jogar e assistir conteúdo sem depender de uma TV grande. A jornalista recomenda o produto especialmente para usuários de handhelds como o ROG Ally X, mas alerta que o borrão nas bordas e o aquecimento são limitações reais. No fim, ela conclui que os Beast são “uma ótima maneira de relaxar em um voo e jogar sem precisar segurar um aparelho pesado o tempo todo”.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/viture-beast-xr-glasses.

Fonte: IGN.

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