Morte de Criston Cole em House of the Dragon decepciona fãs dos livros ao omitir momento-chave de Alysanne Blackwood

A morte de Ser Criston Cole, um dos personagens mais odiados de House of the Dragon, era um dos momentos mais aguardados pelos leitores de Fogo & Sangue, livro que serve de base para a série. No entanto, o episódio 6 da terceira temporada entregou uma versão que, para muitos, trai o material original de George R.R. Martin. A cena, que deveria ser um clímax de vingança e justiça poética, acabou sendo alvo de críticas por escolhas narrativas consideradas incoerentes — e que poderiam ter sido facilmente evitadas.

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Na trama da série, Cole (interpretado por Fabien Frankel) é o responsável por grande parte dos eventos trágicos que assolam a casa Targaryen. Ao longo das três temporadas, os roteiristas construíram bem as motivações do personagem: desprezado, usado e abandonado pelos nobres, ele se volta contra os senhores que o tratam como uma espada descartável. No livro, sua morte ocorre durante a Batalha do Açougueiro, e os elementos principais são mantidos: Cole e seu grupo chegam a um local repleto de corpos, sem entender o que aconteceu. Enquanto inspecionam os cadáveres, são emboscados. Na série, eles rapidamente derrotam os atacantes, apenas para descobrir que estão cercados — uma armadilha dentro de outra.

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Photo: Theo Whiteman/HBOFonte da imagem: Polygon

Vendo-se em desvantagem numérica, Cole propõe um combate individual contra Roddy, o Arruinador (Tommy Flanagan) e Oscar Tully (Archie Barnes). A atitude não surpreende: em episódio anterior, ele havia dito ao colega Gwayne Hightower (Freddie Fox) que se considera o melhor lutador do reino e que, se morresse, seria em um lampejo de glória. “Eles cantarão canções sobre isso”, gabou-se. Porém, antes que os comandantes inimigos aceitem o desafio, Cole é atingido por várias flechas e cai sem cerimônia. A câmera revela que a atiradora é uma mulher sorridente com maquiagem carregada — uma figura que, para quem não leu os livros, pode parecer uma vingança poética contra anos de comportamento misógino do personagem.

Para os leitores, no entanto, a cena soa como uma omissão gritante. No livro, Cole faz a mesma proposta, mas é morto imediatamente por um personagem diferente, que diz: “Não quero canções sobre como você morreu bravamente, Criador de Reis. Há dezenas de milhares de mortos por sua causa.” A série não inclui essa fala nem o personagem que a profere. O mais frustrante é que os roteiristas já haviam preparado o terreno: a cena anterior mostrava Cole desejando uma morte lendária, como uma luta de três contra um. Bastaria ter copiado e colado as falas do livro para fechar o arco com perfeição.

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A arqueira que aparece na série é, supostamente, Alysanne Blackwood, uma habilidosa atiradora que, nos livros, vinga a morte de seu irmão. Apesar do figurino marcante, a produção nunca a identifica. Faltam dois episódios para o fim da temporada, e é possível que a história de Blackwood seja desenvolvida, mas transformá-la em uma personagem de verdade depois de assassinar uma das figuras mais importantes da série seria ainda pior. Mesmo que ela ganhe mais destaque, a morte de Cole continuará decepcionante — e, neste ponto da temporada, há tramas mais relevantes para concluir do que a de uma personagem terciária.

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A reação dos fãs a adaptações é sempre imprevisível. Alguns tratam qualquer mudança como sacrilégio. A decisão de House of the Dragon de focar na relação da rainha Rhaenyra com a amiga de infância Alicent, por exemplo, gerou controvérsia. Após a temporada final de Game of Thrones, em que Daenerys Targaryen é morta por Jon Snow, os fãs estão especialmente sensíveis à caracterização de Rhaenyra. Enquanto a versão televisiva de Daenerys foi criticada por sua guinada repentina, alguns veem o foco contínuo de House of the Dragon nos conflitos internos de Rhaenyra como uma correção exagerada.

Há algo de real nessas queixas. O ritmo da série pode ser arrastado, o que é surpreendente para uma adaptação dramática de uma dinastia de dragões em ruínas. A forma como Rhaenyra e Alicent foram reimaginadas é elogiável, mas a série parece encontrar qualquer desculpa para prender o espectador em uma sala com esses personagens. Essas críticas legítimas, no entanto, são frequentemente confundidas com acusações genéricas de que House of the Dragon é ruim por ser “lacradora”. A morte de Criston Cole não é ruim por causa de um suposto “momento girl boss” forçado. Existe um mundo em que Blackwood é devidamente apresentada e preparada para dizer as falas icônicas. Em vez disso, tudo o que tivemos foi Cole caído no chão, segurando o lenço de Alicent — um momento de libertação trazido por uma completa desconhecida.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/house-of-the-dragon-who-killed-criston-cole-alysanne-blackwood/.

Fonte: Polygon.

2026-07-27 19:47:00

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