O novo chefe da divisão de games da Logitech, Robin Piispanen, afirmou que a empresa não está trabalhando em um sucessor para o G Cloud, seu handheld de streaming lançado em 2022. Em entrevista ao The Verge, Piispanen disse que, embora ache a proposta de consoles portáteis “encantadora”, a companhia tem prioridades maiores no momento. “Agora, neste momento, há coisas mais importantes para focarmos do que fazer um segundo G Cloud”, declarou.
O G Cloud chegou ao mercado por US$ 350, mas foi rapidamente ofuscado pelo Steam Deck, que custava US$ 400 na época e oferecia a possibilidade de rodar jogos localmente, sem depender de conexão com a internet. Hoje, o Steam Deck subiu para US$ 789, e Piispanen reconhece que a “era de ouro” dos portáteis acabou, dando lugar a um “novo normal” com preços proibitivos.
Apesar do cenário atual, o executivo acredita que o G Cloud teria mais chances se fosse lançado hoje. Ele cita a recente declaração de um alto executivo da PlayStation, que sugeriu que handhelds de nuvem como o PlayStation Portal podem ser uma alternativa diante do aumento dos preços de memória. “O streaming em nuvem também exige memória mínima, tornando-se um dispositivo thin client de baixo custo cada vez mais atraente”, disse o executivo da Sony.

No entanto, a Logitech parece ter se queimado com a experiência anterior. Piispanen revela que, embora houvesse um grupo de jogadores “super dedicados” que amavam o G Cloud, a maioria dos compradores — cerca de 80% — “comprou, experimentou e depois guardou na gaveta”. “Tentamos algo em que realmente acreditávamos, mas não se materializou no caso de uso que as pessoas queriam”, lamentou.
Outro problema apontado foi a lentidão na expansão da infraestrutura de nuvem pelas grandes provedoras. “O cloud gaming em geral estagnou”, disse Piispanen, lembrando que a própria Microsoft já afirmou que a nuvem é cara de operar. A Logitech, porém, continua investindo no futuro da tecnologia e mantém conversas com Microsoft, Tencent e outras empresas para entender como o cenário pode evoluir.
Quando questionado sobre a possibilidade de criar um handheld standalone, sem depender de nuvem, Piispanen mostrou ceticismo. Ele diz que é teoricamente possível, mas que a Logitech provavelmente precisaria de uma parceira para o hardware, já que suas competências principais são design e controles. Além disso, ele avalia que o mercado de portáteis não é um bom negócio para quem não possui conteúdo próprio. “O handheld só funciona quando se atinge uma escala muito grande, e a maioria das empresas de handheld também é dona do conteúdo. Olhe para a Nintendo, eles têm o conteúdo. Olhe para a Steam”, comparou.

Piispanen também descartou uma competição direta com a Asus e seu ROG Ally X, afirmando que essas empresas operam com margens apertadas e não possuem ecossistema próprio. “Não é um negócio fácil.”
Apesar das dificuldades, o executivo não descarta totalmente um retorno da Logitech aos portáteis, mas acredita que o caminho ainda é o cloud gaming — só não agora. “A nuvem resolve peso, bateria, gráficos. Resolve muitas coisas… quando você joga localmente, não tem essas barreiras.” Ele diz que a empresa está “investindo no futuro da nuvem” e aguarda um ponto de inflexão em que os custos de infraestrutura caiam drasticamente. “Se você descobrir quando, me avise”, brincou.
Piispanen assumiu o cargo de head global da Logitech G após a aposentadoria do antigo líder Ujesh Desai. Ele está na empresa desde 2008.
Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/games/971651/logitech-handheld-business-g-cloud-robin-piispanen-interview.
Fonte: The Verge.
Gaming | The Verge.
2026-07-28 12:31:00








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