Forza Horizon 6 é, de longe, o jogo mais bem avaliado de 2026 até agora. Com nota acima de 90 tanto no Metacritic quanto no OpenCritic, o game da Playground Games se tornou o primeiro lançamento do ano a atingir esse patamar nas duas plataformas de agregação de críticas. O título é um AAA ultra polido e extremamente popular — ingredientes que, em tese, o colocariam como forte candidato ao prêmio de Jogo do Ano no The Game Awards. Mas a história recente mostra que, para jogos de corrida, as coisas não são tão simples.
Em 2021, Forza Horizon 5 viveu situação parecida. Em um ano relativamente tranquilo, foi o grande lançamento mais bem avaliado, expandiu a audiência da série e conquistou elogios quase unânimes. Mesmo assim, o júri do The Game Awards — formado majoritariamente por críticos — não o indicou na categoria principal. Naquele ano, It Takes Two levou o prêmio, concorrendo com Metroid Dread, Psychonauts 2 e Ratchet & Clank: Rift Apart. O episódio revelou um padrão: na visão do júri, certos gêneros são automaticamente excluídos da disputa pelo GOTY, e jogos de corrida estão entre eles.

Essa exclusão pode ter relação com a existência de uma categoria específica para o gênero (Melhor Jogo de Esporte/Corrida), mas o mesmo vale para RPGs e action-adventures, que sempre aparecem entre os indicados a Jogo do Ano. Outra hipótese é que o júri considere jogos de corrida nicho e pouco jogados, o que parece improvável no caso de franquias como Forza Horizon e Mario Kart. A aposta do colunista Oli Welsh, da Polygon, é que existe um viés cultural: a percepção de que jogos de corrida carecem de substância narrativa e dimensão humana para serem considerados o ápice da arte.
Apesar do histórico, Welsh acredita que Forza Horizon 6 tem mais chances de conseguir uma indicação do que qualquer outro jogo de corrida antes dele. Não que possa vencer — mesmo que Grand Theft Auto 6 não fosse lançado este ano —, mas uma nomeação não está descartada. Três fatores principais sustentam essa visão.
O primeiro é o cenário favorável. Até agora, quase todos os potenciais concorrentes ao GOTY em 2026 carregam algum asterisco: Pokémon Pokopia é limitado pelo gênero e pela marca, Crimson Desert não agradou a crítica, Saros é considerado hardcore demais para uns e pouco para outros, Mixtape foi contaminado por debates tóxicos. Apenas Resident Evil Requiem tem um histórico limpo, mas com nota abaixo de 90 no Metacritic. Isso não significa que o ano será fraco — GTA 6, The Blood of Dawnwalker e Control Resonant ainda estão por vir. Mas, diferentemente de Forza Horizon 5, que lançou em novembro, perto do prazo de elegibilidade, o novo título tem meses de vantagem para consolidar a narrativa de que é o jogo do início do ano.

O segundo fator é a popularidade avassaladora. Mesmo que a base de jogadores no Xbox não tenha crescido, Forza Horizon 6 já tem uma audiência no Steam uma ordem de magnitude maior que a do antecessor. Esse abraço do público mantém o jogo na conversa — e o lançamento no PS5, previsto para o segundo semestre, servirá como um lembrete oportuno para o júri.
O terceiro e mais importante diferencial é o cenário japonês. A Playground Games investiu pesado em referências culturais profundas, como Initial D e Gundam, além de elementos da vida e da cultura pop do Japão. Isso dá ao jogo uma ressonância emocional e uma superfície cultural que seus antecessores não tinham. Não que Forza Horizon 6 tenha uma história envolvente — e, segundo Welsh, seria um jogo pior se tivesse. Mas o tratamento dado ao Japão o eleva, fazendo com que pareça mais do que um simples jogo de carro em um local bonito.
Ainda há obstáculos, como a concorrência interna com Fable, também da Playground Games. Mas Welsh torce por uma indicação, não apenas por amar jogos de corrida, mas porque, quanto mais ampla for a rede do The Game Awards, melhor será a representação da diversidade dos videogames como forma de arte.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/forza-horizon-6-goty-chances/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-24 13:00:00








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