Edgerunners 2 chega à Netflix em outubro com foco em múltiplas histórias e conexões com Cyberpunk 2077

A segunda temporada de Cyberpunk: Edgerunners tem data marcada: 20 de outubro, na Netflix. A nova leva de episódios funciona como uma sequência independente dentro do universo de Cyberpunk, mas amarra pontos importantes com a história de David Martinez, protagonista da primeira temporada de 10 episódios, e também com a trama principal de Cyberpunk 2077. Não é obrigatório ter visto a série anterior nem jogado o RPG para acompanhar, embora conhecer Night City ajude a aproveitar melhor as referências.

A estrutura muda em relação à primeira temporada. Em vez de acompanhar um único personagem enfrentando os horrores da cidade, a nova série distribui o foco entre vários núcleos. Dois deles se destacam. O primeiro é Weak Kingsley, um edgerunner que sobrevive a um surto de cyberpsychose logo no início e tem seu chrome rebaixado. Sem rumo e tentando se ajustar à nova realidade, ele entra na história quando uma antiga paixão pede ajuda para resgatar uma garota chamada Talia das mãos do Maelstrom, culto obcecado por modificações corporais e por abandonar a humanidade.

O outro é Roman Carax, um garoto de 12 anos cineasta amador que despreza a crueza dos braindances e é fissurado em cinema clássico e produção analógica. Ele se envolve ao aceitar um trabalho para filmar o Maelstrom em troca de uma câmera 35mm. Roman registrando a ação com sua câmera ao longo da temporada dá a Edgerunners 2 um clima de anime dos anos 90, com tom sombrio e sujo que combina com a violência da trama.

A direção é de Kai Ikarashi, que mantém a estética expressionista, as cores fortes e os ângulos acentuados da primeira série, mas adiciona identidade própria. Um dos pontos mais chamativos é a troca constante de estilo de arte, usada para refletir a psique de certos personagens ou mostrar como a tecnologia afeta a forma como eles enxergam o mundo. Há uma preferência por visuais minimalistas, com sombras e silhuetas em destaque, que diferencia esta sequência da primeira temporada.

A temática também muda. Edgerunners 2 troca o conflito de classes e a crítica ao hipercapitalismo de Night City por uma história sobre corporações que mexem na vida das pessoas em benefício próprio e chegam a trabalhar com gangues para destruir comunidades. A abordagem prioriza trama e construção de mundo em vez do lado emocional e íntimo da primeira série. A consequência é que o quadro geral demora a ficar claro e os vários fios narrativos podem parecer confusos e dispersos no começo. Os personagens soam menos próximos e menos desenvolvidos, já que boa parte de suas trajetórias é tratada como mistério a ser revelado aos poucos.

Ainda assim, o grupo de azarados tentando sobreviver ao inferno de Night City continua memorável, e a violência segue como destaque: o Studio Trigger encontra novas formas de explodir corpos na tela sem soar repetitivo. Quando os arcos finalmente se cruzam, a ação cresce e ganha inspiração em Akira, com body horror explícito. A temporada também trabalha o Relic e o Soulkiller de Cyberpunk 2077, ampliando o mundo de Edgerunners e deixando claro que a história dos episódios é apenas um capítulo pequeno de uma saga maior da cidade.

Visão Gamer: Para quem acompanha o universo de Cyberpunk, a nova temporada funciona como ponte entre a série animada e elementos centrais de Cyberpunk 2077, como o Relic e o Soulkiller. A troca de foco para múltiplos personagens e a trama corporativa indicam uma experiência diferente da primeira temporada, mais voltada à construção de mundo do que ao drama pessoal de um protagonista.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/cyberpunk-edgerunners-2-review.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-10-19 07:01:00

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