Do caos ao game: guia reúne jogos que traduzem cada andar de Dungeon Crawler Carl

A série literária Dungeon Crawler Carl, de Matt Dinniman, conquistou leitores ao redor do mundo com uma premissa tão absurda quanto viciante: Carl, um veterano da Guarda Costeira, é pego de surpresa no auge do inverno, vestindo apenas roupas íntimas, quando todas as estruturas feitas pelo homem na Terra desabam. Ao lado da única sobrevivente por perto, uma gata falante chamada Princesa Donut, ele é forçado a descer para dentro do planeta reconstruído, que agora funciona como uma masmorra de 18 níveis para um reality show de uma raça alienígena corporativa: o Dungeon Crawler World. A cada andar, novos pesadelos e desafios surgem, e a dificuldade de não querer jogar cada um daqueles cenários é quase tão grande quanto a de sobreviver a eles. Pensando nisso, o site Polygon preparou um guia que associa cada livro publicado da série a um jogo que captura a essência de seus respectivos andares.

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Fonte da imagem: Polygon

O primeiro livro, Dungeon Crawler Carl, corresponde aos andares 1 e 2, as fases de tutorial da masmorra. A recomendação é Lethal Company, um survival horror cooperativo para PC. No game, você e sua equipe descartável vasculham luas abandonadas em busca de sucata para aumentar os lucros de uma corporação que não se importa nem um pouco com a sua morte. Nem nome você tem: é apenas “Empregado”. Tanto em Lethal Company quanto no livro, pequenos erros podem levar a sofrimentos grotescos, os ambientes não seguem lógica alguma e a única saída é fazer piadas para mascarar o pânico absoluto. A mensagem é clara: a integração e o abate são a mesma coisa. Você pode até sobreviver, mas a empresa não vai piscar os olhos.

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Image: ZeekerssFonte da imagem: Polygon

Já o segundo volume, Carl’s Doomsday Scenario, é associado ao terceiro andar, a Over City, uma metrópole em ruínas que mistura uma Las Vegas de fantasia com um circo de mortos-vivos. O caos visual e a quantidade de atividades são tão grandes que a comparação com o Ato 3 de Baldur’s Gate 3 é inevitável. Ao chegar na cidade de Baldur’s Gate, o jogador se depara com uma infinidade de missões secundárias, NPCs reclamões e tavernas e lojas para gastar dinheiro. A sensação de estar sobrecarregado é parte do charme, e a dica é aproveitar que Carl e Donut passam por uma mudança de classe e raça nesse andar para explorar um jogo com um sistema de criação de personagem tão robusto quanto o da Larian Studios.

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Image: Larian StudiosFonte da imagem: Polygon

O terceiro livro, The Dungeon Anarchist’s Cookbook, mergulha no quarto andar, conhecido como Iron Tangle, um sistema de metrô labiríntico que desafia qualquer noção de direção. O próprio livro avisa que o leitor não precisa se preocupar em entender a malha ferroviária, mas é impossível não tentar. Antichamber, um jogo de exploração e quebra-cabeça para PC, é a escolha perfeita para traduzir essa experiência. Com corredores que se dobram sobre si mesmos, espaços que se reconfiguram a cada visita e uma arma capaz de manipular, criar ou destruir matéria, o jogo parece um desenho de M.C. Escher em forma de game.

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Fonte da imagem: Polygon

O quarto andar, apresentado no livro The Gate of the Feral Gods, é o Hump Town, um pequeno assentamento no deserto cercado por bolhas que contêm biomas de terra, mar, ar e subterrâneo. Para avançar, os crawlers precisam conquistar cada quadrante em um desafio de dominar o castelo. A comparação com The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom é direta: Link precisa superar quebra-cabeças em ambientes aquáticos, vulcânicos, tumulares e de vórtices de inverno antes de seguir para o castelo de Hyrule. A ressalva fica por conta de um detalhe: apenas uma dessas experiências tem um ganso selvagem com dentes de serra chamado Denise.

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Image: Nintendo via Nintendo TodayFonte da imagem: Polygon

O quinto livro, The Butcher’s Masquerade, leva Carl e Donut ao sexto andar, um vasto mundo de selva onde alienígenas ricos pagam pelo privilégio de caçar e matar os participantes por esporte. A premissa de Jurassic Park encontra um battle royale, e o jogo Predator: Hunting Grounds é o par ideal. No game, uma equipe de soldados de elite tenta completar missões militares de rotina em uma selva perigosa, enquanto um Predador alienígena, armado com um canhão de plasma, caça os jogadores. A pergunta que fica é: o Predador vai conseguir seu troféu ou o esquadrão vai escapar? No livro, sabemos o destino de Carl e Donut, mas a resposta para a outra questão continua em aberto.

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Image: Illfonic/Sony Interactive EntertainmentFonte da imagem: Polygon

O sexto andar, que aparece no livro The Eye of the Bedlam Bride, é uma recriação de Havana, Cuba, onde os fantasmas das pessoas que viveram lá vagam pelas ruas. Os crawlers caçam monstros para transformá-los em cartas de batalha, em uma dinâmica que lembra Pokémon, mas com um tom de terror psicológico e mecânicas de baralho que remetem a Inscryption. O roguelike de construção de deck, disponível para diversas plataformas, tem estilos de arte mutáveis, NPCs sinistros e elementos de escape room. Sacrificar criaturas fracas, como esquilos, para invocar cartas mais poderosas ecoa a brutalidade e a frieza do mundo de DCC, onde cada um cuida de si — e de seu gato. Para quem busca a sensação de conto de fadas sombrio do sétimo andar, que foi pulado no livro, a sugestão é Slay the Princess, uma experiência trágica e visualmente deslumbrante.

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Allow your cage wolf to get defeatedImage: Daniel Mullins Games/Devolver Digital via PolygonFonte da imagem: Polygon

O sétimo livro, This Inevitable Ruin, apresenta o nono andar, um campo de batalha galáctico em forma de funil ao redor da capital Larracos. Carl e Donut lideram seu próprio grupo, a Princess Posse, ao lado de um exército de NPCs. A gestão de recursos, aliados e patrocinadores é crucial, e Mount & Blade 2: Bannerlord é o jogo que melhor captura essa dinâmica. No game de sandbox medieval, você começa como um ninguém e, por meio de comércio, recrutamento de camponeses e batalhas em tempo real, pode comandar centenas de soldados. A logística da guerra, com orçamentos e gerenciamento de recursos, é o coração da experiência, assim como na série.

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Image: TaleworldsFonte da imagem: Polygon

Por fim, o oitavo livro, A Parade of Horribles, leva os personagens ao décimo andar, uma corrida mortal de veículos. A premissa é simples: chegar do ponto A ao ponto B sem morrer no caminho, com carros turbinados, táticas de direção defensiva e a ameaça constante de ser o último colocado. Distance, um jogo de corrida de terror sci-fi lançado em 2012, é a recomendação. Com pistas inspiradas em Escher, carros que podem voar, lâminas de serra e lasers no caminho, e uma trilha sonora techno opressiva, o jogo ainda esconde uma história de terror que se revela aos poucos, aumentando a sensação de pavor enquanto você dirige por sua vida. Para quem prefere algo mais casual, a dica é usar as regras de morte permanente e uma trilha sonora própria em Mario Kart.

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Image: Refract StudiosFonte da imagem: Polygon

Além das comparações andar a andar, o guia também lista menções honrosas para jogos que capturam a essência da série como um todo: Borderlands, The Outer Worlds e Enter the Gungeon. Todos eles compartilham o tema de corporações sorridentes enquanto você se mata para atingir metas, além de ambientes absurdos, hilários e mortais ao mesmo tempo. Se você quer sentir a emoção de um crawler sem ter seu planeta invadido, essas são as melhores opções para começar — e, quem sabe, até receber uma conquista sarcástica ou uma recompensa ousada do próprio IA da masmorra.

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Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/games-like-dungeon-crawler-carl/.

Fonte: Polygon.

2026-08-09 22:00:00

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