A parceria entre Magic: The Gathering e Marvel Comics já rendeu frutos, e para quem é fã de quadrinhos, o grande atrativo do conjunto Marvel Super Heroes são as cartas conhecidas como source material cards — reimpressões de cards populares de Magic com artes sem bordas inspiradas diretamente nas HQs. A ideia de colecionar momentos icônicos das histórias que marcaram gerações é suficiente para fazer qualquer fã de quadrinhos relevar — ao menos em parte — as controvérsias em torno da linha Universes Beyond. O novo set promete ser bem superior ao anterior, Marvel’s Spider-Man, e traz uma leva inédita de cartas baseadas em um vasto leque de personagens e publicações, desde os clássicos dos anos 1960, criados por Stan Lee e Jack Kirby, até obras modernas. Para os novos fãs, essas cartas são uma porta de entrada para descobrir as narrativas que transformaram a Marvel em um ícone cultural muito antes dos filmes. A seguir, as dez cartas favoritas do set e os quadrinhos que as inspiraram.

Na décima posição está Anthem of Champions, baseada em Contest of Champions. Publicada entre junho e agosto de 1982, essa foi a primeira minissérie da Marvel, escrita por Mark Gruenwald e desenhada por John Romita Jr. Ela introduziu o conceito de crossovers — eventos que reúnem personagens de diferentes títulos para enfrentar uma crise que impacta toda a continuidade. Gruenwald foi um visionário: sua fase em Squadron Supreme é uma das primeiras grandes HQs de super-heróis com teor político, antes de isso se tornar moda. Contest of Champions plantou a semente do que se tornaria prática padrão na Casa das Ideias, e, embora menos ambiciosa que Crisis on Infinite Earths, da DC, a série a antecedeu em três anos.

O nono lugar fica com Beast Within (Grimm Fate), inspirada em This Man…This Monster! (1966), de Stan Lee e Jack Kirby. Ben Grimm, o Coisa, é um dos personagens mais queridos da Marvel, símbolo do sucesso inicial da editora: super-heróis com superproblemas. Ele pagou o preço mais alto por seus poderes, transformando-se em uma monstruosidade de pele rochosa. A história mostra um cientista invejoso de Reed Richards que sequestra o Coisa e rouba seus poderes, fazendo Ben voltar à forma humana. O cientista se infiltra no Edifício Baxter para assassinar Reed, mas muda de ideia e se sacrifica para salvá-lo. Enquanto isso, Ben corre para contar a boa nova à namorada Alicia, mas, no momento em que ela abre a porta, ele recupera os poderes e volta à aparência monstruosa. A cena responde com um sonoro sim à pergunta se é possível partir um coração de pedra. E ainda levanta uma pulga atrás da orelha: um cientista anônimo conseguiu curar Ben há 60 anos, mas o homem mais inteligente do mundo, Reed Richards, nunca conseguiu.

Na oitava colocação, Counterspell remete a Iron Man: Extremis, arco de seis edições publicado entre 2005 e 2006, escrito por Warren Ellis e desenhado por Adi Granov. A trama introduz o vírus Extremis (que apareceu no filme Homem de Ferro 3), dando a Tony Stark superpoderes de verdade e a capacidade de se conectar à armadura e a outras máquinas por interface neural. Extremis é considerada uma das últimas histórias interessantes do Homem de Ferro — com exceção da magnífica minissérie Infamous Iron Man, em que o Doutor Destino assume o manto. O arco transformou Tony de ex-alcoólatra rico de terno na imagem moderna de futurista, antes de o termo ser estragado por tecnocratas assustadores.

Em sétimo, Extinction Event é baseada em Infinity Gauntlet, de Jim Starlin. 27 anos antes de Josh Brolin eliminar metade do universo nos cinemas, Starlin escreveu uma das sagas mais importantes da Marvel, trazendo de volta Thanos, personagem que criara duas décadas antes. A minissérie de seis edições mostra o resultado da busca do Titã Louco pelas Joias do Infinito. Com poder absoluto sobre a criação, Thanos tenta conquistar o amor da Morte. Antes de Hollywood estragar sua caracterização, Thanos era um vilão fascinante, movido por reflexões filosóficas e amor não correspondido, mais do que por sede de poder. A arte de George Pérez e Ron Lim dá vida a uma história apocalíptica.

A sexta posição é de Final Act, baseada em The Galactus Trilogy, de Stan Lee e Jack Kirby. Quem não reconhece a arte dessa história precisa correr para comprar qualquer edição da trilogia — é história pura.

Em quinto lugar, Final Showdown se inspira em Avengers: Under Siege (1986), de Roger Stern e John Buscema. Antes de os eventos da Marvel ficarem inchados, séries regulares entregavam tramas épicas sem exigir dezenas de edições paralelas. Helmut Zemo, filho do clássico vilão do Capitão América, reúne os Mestres do Mal e invade a Mansão dos Vingadores, espancando Hércules até deixá-lo em coma e ferindo Jarvis. Na época, o time tinha pesos pesados como Thor, Hércules e Capitã Marvel (Monica Rambeau), então foi chocante vê-los não apenas derrotados, mas humilhados. A história mostrou que vilões podiam ser aterrorizantes se resolvessem cruzar a linha, e marcou a adoção do tom maduro dos anos 1980 nos quadrinhos mainstream.

Na quarta colocação, Heroic Intervention remete a Marvel Super Heroes Secret Wars (1984-1985), concebida como uma grande jogada de marketing ligada a uma linha de brinquedos da Mattel e um RPG da TSR. Escrita por Jim Shooter, com arte de Mike Zeck, Bob Layton e John Beatty, a série de 12 edições leva heróis e vilões a um planeta misterioso chamado Battleworld, onde são forçados a lutar pela sobrevivência. Um dos momentos mais icônicos mostra o Homem-Molecular deixando cair uma montanha sobre os heróis. Eles sobrevivem graças a uma cunha cavada pelo Homem de Ferro e pelo Hulk, que sustenta todo o peso. Para ganhar tempo, Reed Richards insulta o Hulk, pois deixá-lo com raiva o torna mais forte. Quem mais teria essa ideia senão o maior idiota da Marvel? É um dos maiores feitos de força do Hulk.

O terceiro lugar é de Horn of Greed, baseada no meme Doctor Doom Toots as He Pleases, do quadrinho Spidey Super Stories #53 (1981). A história em si não é relevante, mas a viralização do painel — que mostra Namor e Doutor Destino em trapalhadas com trompas — mereceu uma carta. Como fã de Victor Von Doom, não poderia concordar mais.

Em segundo, Show and Tell homenageia a capa de Avengers #57, de John Buscema, que apresenta o Visão, criado por Roy Thomas como o trágico filho da IA Ultron. O sintozoide emerge da névoa, imponente sobre os Vingadores assustados. Antes de campanhas de marketing e internet, as capas vendiam as HQs, e Buscema entendeu perfeitamente a missão, deixando um legado de arte inesquecível.

Finalmente, o primeiro lugar é de Sundering Growth, inspirada na fase de John Byrne em Sensational She-Hulk (final dos anos 1980 e início dos 1990). Byrne pegou uma personagem secundária e a transformou em uma sensação de quebra da quarta parede. Jen Walters ameaçava leitores, rasgava coleções de X-Men e zombava dos tropos narrativos. Não dá para negar o viés sexista da representação, voltada para adolescentes hormonais, mas Byrne conseguiu tornar a Mulher-Hulk uma das poucas mulheres culturalmente relevantes da Marvel na época.

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Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-10 17:30:00








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