Seis anos após a Disney apostar em uma versão reduzida de Star Wars para a TV, as aventuras de Din Djarin e seu pupilo Grogu finalmente chegaram aos cinemas com ‘The Mandalorian and Grogu’. A transição da televisão para o cinema veio acompanhada de desafios, como críticas mornas, mas uma questão se destaca: para onde foram todas as mulheres que faziam parte da série original?
A crítica, feita por uma jornalista que se identifica como uma mulher queer e vocal sobre suas opiniões, ressalta que não se trata de uma contagem mecânica de minorias na mídia. A ausência de mulheres com falas no filme é tão gritante que contrasta com a série de TV, que contava com uma vasta gama de personagens secundárias femininas em diversos planetas. Uma aventura isolada claramente não teve espaço para elas.
A inclusão de mulheres em Star Wars sempre foi um tema debatido. A era Disney, embora imperfeita, trouxe avanços em vários projetos. Houve personagens femininas com relacionamentos significativos entre si, como Ahsoka Tano e Sabine Wren em ‘Ahsoka’, as mães Aniseya e Koril com Mae e Osha em ‘The Acolyte’, e Vel e Cinta em ‘Andor’.
No entanto, em ‘The Mandalorian and Grogu’, fora Sigourney Weaver como a Coronel Ward e a metade feminina dos Gêmeos Hutt, há uma falta chocante de mulheres com algo a dizer ou fazer. Weaver se dedica em cena, mas sua função no universo é menos compreensível do que a de qualquer personagem episódica da série. A participação parece mais uma conexão entre os legados de Star Wars, Alien e Avatar do que a introdução de uma nova figura feminina marcante. Emilia Clarke como Qi’ra em ‘Solo’ não era muito mais desenvolvida, mas ao menos Qi’ra tinha outras mulheres com quem conversar.
A outra personagem feminina no filme é uma lesma maligna sem nome — ao menos até que um Dicionário Visual de Star Wars preencha as lacunas. A crítica ironiza que, apesar de apoiar os direitos das mulheres, a situação é decepcionante.
Na série, Dave Filoni e Jon Favreau preencheram o vazio histórico de personagens femininas em Star Wars com muitos rostos novos ao longo das três temporadas. Havia Cara Dune, com sua história intrigante como parte da Rebelião e sobrevivente de Alderaan — apesar da controvérsia envolvendo a atriz, sua história era tão parte da trama quanto a de Din e Grogu. A Armorer, guerreira mandaloriana que lidera o setor de Nevarro, teve papel importante ao apresentar o Credo de Mandalore, sendo um contraponto perfeito para a cínica Bo-Katan Kryze, personagem introduzida em 2008 na série animada ‘The Clone Wars’ e que retornou em live-action.

As mulheres de ‘The Mandalorian’ não eram todas do mesmo molde. Havia guerreiras como Cara, Bo-Katan e a Armorer, mas também oficiais de inteligência imperial como Elia Kane, mecânicas como Peli Motto e líderes como a Duquesa. Até a Frog Lady, apesar de não ter nome, é memorável por seu design excêntrico e pela injustiça que Grogu comete ao comer seus filhotes.
Essa diversidade fazia com que cada personagem feminina se destacasse por si só, mesmo algumas sendo coadjuvantes de fundo. Nenhuma carregava o peso de ser a única mulher com falas. O mesmo não se pode dizer da Coronel Ward, e a irmã dos Gêmeos Hutt é definida apenas como a outra metade de seu irmão gêmeo e por ser malvada.
Ao levar uma série de TV para as telonas, há tanto a ganhar quanto a perder. O público novo pode ver ‘The Mandalorian’ em escala maior, algo que os fãs também apreciam. Mas se perde o espaço e o tempo que permitiam a aparição de personagens secundários excêntricos, muitos dos quais eram mulheres. O filme trouxe adições memoráveis como Rotta the Hutt, Zeb e Embo, mas é uma pena que Filoni e Favreau tenham esquecido que não são apenas os meninos que merecem se ver representados na tela, mas também as meninas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/star-wars-mandalorian-grogu-female-characters/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-27 15:10:00








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