Crise de memória e preços em alta: o futuro incerto do hardware da Valve

O hardware da Valve, que um dia foi visto como a porta de entrada para o PC gaming, enfrenta agora um momento de incerteza. A recente queda nas vendas do Steam Deck, apontada por uma análise do site Boiling Steam, reacendeu o debate sobre o futuro dos dispositivos da empresa. Embora o autor do artigo da PC Gamer, Shaun Prescott, não esteja totalmente convencido da precisão dos cálculos, ele admite que a discussão reflete uma ansiedade real em torno dos planos da Valve para seus equipamentos.

A raiz do problema pode estar em uma decisão tomada anos atrás. Em 2018, Gabe Newell, fundador da Valve, doou pouco mais de US$ 20 milhões para a OpenAI. Na época, poucos imaginavam que a indústria de inteligência artificial, impulsionada por essa tecnologia, acabaria por prejudicar os planos de hardware da própria empresa. A explosão dos data centers de IA, que consomem uma enorme quantidade de componentes, é apontada como um dos principais fatores para a escassez e o aumento de preços no setor.

Em maio, a Valve anunciou um reajuste drástico nos preços do Steam Deck OLED. O modelo de 1 TB saltou de US$ 649 para US$ 949, enquanto a versão de 512 GB passou de US$ 549 para US$ 789. Na ocasião, a empresa justificou a mudança: “Esses novos preços refletem o estado atual dos custos dos componentes e outros desafios logísticos globais em toda a indústria”. A referência era clara: os data centers de IA estão consumindo a maior parte dos componentes usados no hardware de jogos. De uma hora para outra, o Steam Deck OLED, que completa três anos em novembro, deixou de ser uma opção acessível para novos jogadores de PC e se tornou um artigo de luxo.

A mesma crise de componentes atingiu em cheio a recém-lançada Steam Machine. Quando a Valve anunciou os novos preços do Steam Deck, ainda não se sabia quanto custaria o console de living room. Quem esperava que a empresa conseguisse driblar a crise e lançar um produto acessível acabou se decepcionando. A Steam Machine, que teve sua análise publicada em junho pela PC Gamer com nota 62/100, foi descrita pelo colega Andy Edser como “a maior vítima da RAMpocalypse até hoje”. O preço mínimo de US$ 1.049 ficou muito acima dos US$ 600 que se especulava em novembro de 2025. Prescott, que planejava comprar uma unidade caso o valor fosse próximo ao estimado, admite que, com o preço atual, não há como justificar a compra.

O lançamento da Steam Machine, que na prática funcionou como uma lista de espera, passou quase despercebido. Nem mesmo a Valve atualizou seu módulo de compatibilidade para refletir a existência do novo dispositivo. Para verificar se um jogo é compatível com a Steam Machine, o usuário precisa clicar na opção de compatibilidade do Steam Deck, que exibe um resultado aninhado para o novo console. Essa situação se repete tanto no modo desktop quanto no Big Picture. Navegando pela loja da Steam, é difícil até mesmo notar que a Steam Machine existe. Os desenvolvedores, que cada vez mais divulgam a compatibilidade de seus jogos com o Steam Deck, não fazem o mesmo para o novo hardware. As forças externas parecem ter minado a viabilidade desses dispositivos.

Apesar do cenário desanimador, o Steam Deck continua aparecendo na lista dos produtos mais vendidos da Steam por receita. Na semana passada, o console ficou em 14º lugar, e na anterior, em 9º. Embora o resultado seja influenciado pelo preço elevado, que é bem maior que o de um jogo comum, ele ainda indica que há consumidores comprando o aparelho.

Prescott, que assina a coluna Steam Week in Review, diz que esperava que o Steam Deck e a Steam Machine marcassem uma mudança rápida na percepção do PC gaming. Jogar no PC em 2026 é imensamente mais fácil do que em 2016, mas os consoles ainda são vistos como a opção mais simples por milhões de pessoas. Com seus dispositivos, a Valve teria a chance de provar o contrário. Em novembro de 2025, o momento parecia perfeito, especialmente diante das crises existenciais enfrentadas por Xbox e PlayStation. Mas três meses foram suficientes para mudar o cenário. Agora, é difícil imaginar que a Steam Machine tenha algum efeito de longo prazo na indústria.

Enquanto isso, a lista dos jogos mais vendidos da Steam entre 21 e 28 de julho mostra Counter-Strike 2 na liderança, seguido por Dota 2, Palworld, Halo: Campaign Evolved, Apex Legends, DragonSword: Awakening, Assassin’s Creed Black Flag Resynced, Battlefield 6, Shift at Midnight e PUBG Battlegrounds. A lista, divulgada às quartas-feiras, não inclui Mistfall Hunter, que foi lançado na quinta-feira e já aparece em terceiro lugar na lista de jogos com mais jogadores simultâneos. O jogo, descrito como um ARPG de extração com temática de fantasia sombria, vem chamando a atenção.

A coluna também destaca alguns lançamentos recentes. Dog of Wisdom, lançado em 29 de julho, é um jogo de ação em 8 bits originalmente desenvolvido para Game Boy Color, mas também jogável no PC. O jogo é baseado em uma série de vídeos virais da internet estrelados por um cachorro pilotando uma aeronave. O primeiro vídeo tem mais de 94 milhões de visualizações. Já Midnight Moments, lançado em 31 de julho, é um construtor de dioramas com temática cyberpunk, no estilo de Townscaper e Tiny Glade. O jogo permite criar estruturas, decorá-las com luzes de neon e adicionar cidadãos, por um preço de pouco mais de dois dólares. Por fim, Dverghold, lançado em 30 de julho, é um promissor dungeon crawler em primeira pessoa com um estilo de arte único: o ambiente é um labirinto tradicional em grade, mas os modelos 3D lembram um Quake com toques de fantasia. O jogo está em acesso antecipado, com lançamento completo previsto para o final do próximo ano.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/gaming-industry/steam-week-in-review-once-positioned-as-mainstream-friendly-pc-gaming-solutions-can-valves-hardware-survive-the-memory-crisis/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-03 03:46:00

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