Após 12 anos de silêncio, a Konami finalmente trouxe Castlevania de volta dos mortos. E, para surpresa de muitos, o retorno vem pelas mãos da Evil Empire, estúdio conhecido por The Rogue Prince of Persia e Dead Cells. Em Belmont’s Curse, a série retorna às suas raízes de metroidvania, mas com uma fluidez e acessibilidade nunca antes vistas. Tive a oportunidade de jogar as primeiras três horas do título, enfrentar três chefes iniciais e explorar as ruínas de Paris, e posso afirmar: a franquia está em boas mãos.

O jogo apresenta Rose Belmont, filha de Trevor Belmont, o protagonista dos primeiros títulos da série. Pai e filha chegam a uma Paris tomada pelas forças das trevas, com a cidade em chamas e repleta de monstros. Enquanto Trevor segue seu próprio caminho de investigação, Rose assume o protagonismo, explorando cenários ricos em detalhes que beiram o 2.5D, e enfrentando criaturas com um chicote que é uma verdadeira delícia de usar. A personagem ainda faz referências enigmáticas à sua mãe, cuja identidade não é revelada, adicionando uma camada de mistério à narrativa.

A jogabilidade é um dos pontos altos. Diferente dos jogos clássicos, onde movimentos como deslizar no chão e pular nas paredes eram conquistas tardias, aqui eles estão disponíveis desde o início. O sistema de poções de vida também é generoso: você começa com três e pode acumular mais. A comida que restaura saúde aparece com frequência suficiente para não tornar a exploração frustrante, algo que incomodava nos títulos mais antigos. A sensação é de estar jogando um Castlevania em velocidade acelerada, com combates ágeis e uma mobilidade que lembra um jogo do Homem-Aranha, pulando de inimigo em inimigo com o chicote.

Os chefes, porém, não perdem a ferocidade. Inspirados nos desafios dos anos 80 e 90, eles punem qualquer erro com golpes que reduzem drasticamente a barra de vida. Um dos chefes é ninguém menos que Joana D’Arc, uma adição inusitada que funciona bem. Além disso, o jogo adora perseguir o jogador com ameaças constantes: gárgulas que te seguem de uma tela a outra, harpias e morcegos irritantes que parecem ter saído das cavernas de Pokémon. A dificuldade escala rapidamente, garantindo que a experiência nunca se torne monótona.

A estrutura metroidvania é implementada com maestria. Há ganchos estranhos nas paredes e outros bloqueios que forçam o jogador a marcar o mapa e retornar mais tarde. As paredes falsas são surpreendentemente frequentes, recompensando a exploração cuidadosa. Não há waypoints ou setas guias — em vez disso, fantasmas contam histórias mórbidas que dão pistas sobre para onde ir. Um espírito, por exemplo, narra a tragédia de alguém arrastado para baixo das raízes de uma árvore amaldiçoada, indicando uma rota secreta. É um sistema que incentiva a atenção aos detalhes e a conexão mental dos caminhos.

A equipe da Evil Empire, liderada pelo diretor criativo Emmanuel Nouaille, e o produtor da Konami, Tsutomu Taniguchi, decidiram desde o início que o jogo seria uma “aventura de ação e exploração 2D”, como a própria Konami classifica o gênero. “Tivemos muitas discussões sobre o que torna Castlevania especial”, diz Nouaille. “Temos muitos estilos diferentes na história da franquia, mas optamos por este desde cedo.” Taniguchi, por sua vez, admite a pressão de reviver a série após mais de uma década: “É uma pressão feliz”, afirma, com um sorriso no rosto.

Apesar de todo o acerto, Belmont’s Curse ainda é uma obra em progresso. Após três horas de jogo, o título se mostra um metroidvania muito bom, com potencial para se tornar excelente. Se ele se contentar em ser apenas uma coletânea de grandes sucessos da série, será uma pequena decepção. Mas a esperança é que a Evil Empire tenha mais truques na manga, incluindo armas tão criativas quanto as de Dead Cells ou algo tão absurdamente divertido quanto o aspirador de almas de Aria of Sorrow. Se conseguir entregar isso, Belmont’s Curse pode não apenas honrar o legado de Symphony of the Night, mas talvez até superá-lo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/action/castlevania-belmonts-curse-is-like-playing-classic-vania-on-fast-forward-with-a-whip-to-die-for/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-07-17 07:00:00








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