A estrutura clássica de Zelda — encontrar uma ferramenta, abrir um caminho, achar uma ferramenta melhor — virou base para um monte de jogos que nunca ganharam o mesmo holofote de Tunic ou Death’s Door. De tempos em tempos, algum título desse nicho estoura e entra nas listas de recomendação, mas a maioria segue voando baixo. A seleção abaixo reúne nove games que atendem pelo menos três critérios do gênero Zelda-like: ação e aventura com puzzles obrigatórios, progressão travada por itens ou habilidades e dungeons separadas do overworld — quase sempre com algum detalhe esquisito pelo caminho.

Começando pelo mais recente da lista, Ocean’s Heart (2021) coloca você no papel de Tilia, que administra uma taverna com o pai e a irmã na vila de Limestone até piratas invadirem a ilha, sequestrarem sua melhor amiga e fazerem o pai desaparecer. A progressão é clássica: armas e ferramentas obtidas na exploração liberam novas áreas, incluindo dungeons antigas. O humor também marca presença, com a primeira cidade protegida pelos Barbell Brutes, guardas obcecados por musculação, e uma side quest inteira dedicada ao aniversário de um cachorro.

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales (2026) vem da equipe de Octopath Traveler. Na trama, a humanidade se refugia no Reino murado de Huther, enquanto o mundo externo pertence aos beastmen. Quando ruínas aparecem além da muralha, o rei Hichard envia Elliot, um aventureiro renomado e um tanto atrapalhado, que viaja com a fada Faie — visível só para ele. Nas ruínas, ele encontra uma porta que dá acesso a diferentes capítulos da história de Huther, e as dungeons atravessam quatro eras. O arsenal inclui espada, bombas, arco e bumerangue, com o mesmo mapa explorado em todas as épocas, como em Ocarina of Time ou A Link to the Past.

Master Key (2024) aposta em uma paleta de Game Boy à escolha do jogador. Você controla uma raposa que cai numa caverna e encontra uma chave enferrujada grande o suficiente para ser usada como espada. Quase não há texto: as dicas de progressão aparecem como pequenas imagens para decifrar. O foco é achar itens e usá-los para descobrir segredos, com visual retrô em preto e branco e opção de trocar para outros esquemas de duas cores. Explorando o suficiente, dá para encontrar uma espada na pedra que drena sua vida enquanto você tenta puxá-la.

Em Prodigal (2020), a proposta é Zelda com namoro. Dez anos depois de roubar os pais e partir para o sul, Oran recebe uma carta do avô informando que ambos morreram. Ele volta à cidade natal, onde não é recebido com entusiasmo por todo mundo. No estilo Game Boy Color, cada dungeon entrega uma ferramenta nova que abre caminhos antes inacessíveis. Entre uma incursão e outra, Oran conquista a confiança dos moradores com presentes e ajuda em problemas, e alguns deles podem virar interesses amorosos.

Pipistrello and the Cursed Yoyo (2025) troca a espada por um ioiô. Pippit, um jovem morcego, só quer competir em torneios de ioiô, mas no caminho para pedir dinheiro à tia, Madame Pipistrello, descobre que chefes do crime rivais dividiram a alma dela entre quatro baterias gigantes. A quinta parte vai parar no ioiô dele, que passa a falar com a voz da tia. Cada um dos quatro distritos da cidade tem seu próprio chefe, no estilo de desafios de dungeon, e cada vitória rende um novo poder para o ioiô. Comprar upgrades gera dívida, o que deixa as lutas mais arriscadas conforme você gasta. A trilha sonora tem participação de Yoko Shimomura, compositora de Street Fighter 2 e de vários Kingdom Hearts.

Warden: Melody of the Undergrowth (2016) é um collect-a-thon 3D com clima dos anos 90. Tavian é levado pela correnteza para longe do pai e, ao sair da água, descobre que uma divindade estranha o transformou em guardião da floresta. A missão é encontrar um deus perdido, com a ajuda de outros dois guardiões, também controláveis. Cada um tem uma habilidade diferente, e as dungeons são construídas em torno desses talentos, como acontece com as ferramentas em Zelda. O estúdio Cardboard Keep, formado por três pessoas, se inspirou em aventuras da era N64, com cenários pintados à mão e paleta que lembra Wind Waker. As armas quebram rápido, então vale estocar com inimigos derrotados, mesmo podendo carregar três de uma vez.

Mages of Mystralia (2017) deixa você montar as próprias magias. A magia é ilegal em Mystralia desde que um rei-mago paranoico destruiu cidades inteiras, e Zia, de Greyleaf Hamlet, aprende isso na prática quando um surto de fogo queima sua casa e a leva ao exílio. Ela vai para Haven, esconderijo dos últimos magos, e conhece um livro falante cheio de opiniões. A partir de quatro magias básicas e um conjunto crescente de runas, dá para criar combinações: uma runa de movimento num feitiço de fogo vira bola de fogo; na defesa, vira um dash.

Kharon’s Crypt – Even Death May Die (2022) e Minit (2018) fecham a seleção. Em Minit, você pega uma espada numa praia e recebe uma maldição: morre a cada 60 segundos. Mesmo assim, renasce no último lugar visitado e mantém tudo o que coletou, o que permite avançar aos poucos. O protagonista é uma criatura parecida com um pato, que vive com um cachorro numa ilha cheia de outras criaturas do tipo.

Visão Gamer: A lista é útil para quem já zerou os Zelda principais e quer alternativas que trabalham a mesma lógica de progressão com identidades próprias. Vale notar que parte dos títulos aposta em estéticas retrô e propostas experimentais, como namoro em Prodigal ou criação de magias em Mages of Mystralia, o que os afasta do padrão de produção da Nintendo, mas

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/best-zelda-likes-nobody-plays-ranked/.
Fonte: Polygon.
2026-10-16 21:00:00








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