O survival horror vive um novo auge, com Silent Hill e Resident Evil emplacando lançamentos de peso e indies como Crow Country e Signalis resgatando a vibe do primeiro PlayStation. Mas, para a jornalista Ceridwen Millington, em artigo de opinião publicado pela IGN, essa nova era ainda deixa a desejar em um ponto essencial: o mistério. É aí que Silent Hill: Townfall entra na conversa.
Segundo a autora, os grandes nomes do gênero hoje entregam tudo de bandeja no marketing e em narrativas cada vez mais explicadinhas. Falta o desconforto do não saber, aquela sensação que clássicos cultuados como Clock Tower 3, Haunting Ground e Rule of Rose exploravam sem medo. Os três tiveram recepção mista na época, mas hoje são raríssimos no mercado de usados e muito venerados por fãs dedicados.

Rule of Rose, que completa 20 anos em 2025, é o exemplo mais forte dessa confiança no jogador. A trama acompanha Jennifer, uma jovem que vai parar em um orfanato sinistro que, sem aviso, se transforma em um dirigível. O gameplay tem seus tropeços, com excesso de backtracking e coleta de itens, mas o mundo surreal e as vinhetas que constroem sofrimento e luto aos poucos compensam. Jennifer nunca escreve análises claras no diário, e o jogo nunca entrega respostas fáceis.
O chefe mais perturbador resume bem essa proposta: uma criança acamada se transforma em uma princesa sereia, uma figura sem metade dos membros que vomita e se arrasta pelo teto de um quarto que parece um necrotério. Abuso? Suicídio? A simples impotência da infância? Até hoje há especulação online, e é justamente essa ambiguidade que mantém o jogo vivo na memória de quem jogou.

Clock Tower 3, dirigido por Kinji Fukasaku (o diretor de Battle Royale), também mistura temas sérios com excentricidade e até certo camp, sem didatismo. A heroína Alyssa precisa lidar com serial killers e uma possessão ao completar 15 anos, e a mensagem sobre misoginia fica no subtexto, nunca mastigada.
Para Millington, o problema da ressurgência atual do survival horror é o mesmo que já enfraqueceu o gênero antes: mecânicas e estruturas que se afastam tanto do núcleo que já não dá para chamar de survival horror. Quem segurou a bandeira do gênero por anos o fez porque ele não segue tendências modernas, mas prioriza atmosfera, temas e influências como o horror italiano dos anos 1970.

Silent Hill: Townfall, na visão da autora, parece entender que o gênero é mais do que pegar criaturas horríveis ou mecânicas de suar. A expectativa é que o jogo sirva de exemplo para outros desenvolvedores perceberem que o público não tem medo das convenções do survival horror e que vale correr o risco de trazer um medo verdadeiro, distinto e, acima de tudo, ambíguo.
Visão Gamer: Para quem sente falta de jogos que não explicam tudo, a discussão em torno de Silent Hill: Townfall aponta para uma possível volta da ambiguidade como elemento central do survival horror. É um sinal de que a atmosfera e o mistério podem voltar a ter o mesmo peso que sustos e combate.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/silent-hill-townfall-could-finally-restore-survival-horrors-missing-mystery.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-09-15 14:30:00








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