O diretor Mike P. Nelson, responsável pelo Silent Night, Deadly Night de 2025, está apostando alto em um subgênero que há décadas não é levado a sério: o terror de cobra gigante. Seu novo filme, Beware Boiúna, chega aos cinemas em 2 de outubro e promete ser bem diferente do que o público costuma ver por aí.

Segundo Nelson, em entrevista à Polygon, a maioria dos filmes de cobra gigante que vieram antes são piadas — com exceção de Anaconda. E ele tem razão em incluir até o clássico de 1997 na conta: em 2025, Jack Black e Paul Rudd transformaram o conceito em uma meta-comédia. Beware Boiúna segue na direção oposta: nada de aventura com estrelas como Jennifer Lopez e Ice Cube, mas sim um thriller realista e brutal, passado na lama da Amazônia, com uma cobra mitológica do tamanho de um caminhão destruindo quem ameaça o ecossistema.
O roteiro é de Alan B. McElroy, roteirista de Spawn, e não poupa ninguém. O elenco conta com Jessica Rothe e Logan Marshall-Green, que encararam a selva de verdade ao lado da equipe.

Filmagens na Amazônia

A história se passa na floresta peruana, mas as gravações aconteceram principalmente na selva colombiana. No início da produção, o estúdio tentou descobrir se dava para fazer um filme de cobra sem levar todo mundo para a Amazônia. Nelson rebateu na hora. Eles começaram a ver quanto custaria filmar em diferentes áreas de selva pelo mundo, conta o diretor. Eu só pensava: ‘O filme se passa na Amazônia. A gente deveria filmar lá.’
O produtor Jeremy Bolt viajou até a Amazônia para avaliar o local, e Nelson foi atrás. Bastou ver os barcos, descer o rio Amazonas e conhecer algumas áreas de selva para se convencer. Tem que ser aqui, cara, pensou.

Sobrevivendo à selva
Nelson diz que a Amazônia não é tão hostil às filmagens quanto se imagina. A mensagem conservacionista do longa — em que a cobra mítica Boiúna protege a floresta de madeireiros e garimpeiros — ajudou a conquistar os locais e abriu portas para áreas que a equipe jamais teria acesso de outra forma. Os anciãos que nos deixaram filmar em suas terras e nos abençoaram foram demais, afirma.

A equipe contratou um tratador de cobras que cuidava de todos os animais perigosos e virou o MVP das filmagens, andando cerca de dez passos à frente do grupo para identificar ameaças. Mesmo assim, houve sustos: uma aranha-armadeira brasileira apareceu em um guarda-chuva durante uma chuva, e alguém foi mordido por uma tarântula — sem risco de vida, segundo o diretor.

Como Boiúna foi criada
Na mitologia brasileira, Boiúna é uma grande cobra negra com poderes de metamorfose. Na versão do filme, ela não muda de forma, mas tem o tamanho de um caminhão. Nelson combinou efeitos práticos e visuais, com foco em dar algo real para o elenco reagir. Em algumas cenas, isso significou um recorte gigante de papelão com a cabeça da criatura. Não queria bolinhas de tênis, diz. Queria dar algo para eles olharem, algo que pudessem sentir se movendo atrás deles.

Os efeitos práticos também envolveram manipular o ambiente: um duto de ar-condicionado pintado de preto era arrastado pela selva e puxado para a água para simular a cobra. Árvores inteiras foram construídas para cair e espalhar destroços, e uma estrutura no meio da selva puxava uma pessoa por cerca de 12 metros. No trailer, quando você vê o cara sendo comido, não é um dublê digital. É uma pessoa de verdade sendo arrancada para o alto, garante Nelson. Um canhão disparava terra e detritos das árvores para representar a cobra saindo.
Visão Gamer: Beware Boiúna não é um jogo, mas o cuidado com efeitos práticos e a escolha de filmar na Amazônia real chamam atenção para quem valoriza produções que fogem do CGI puro. Para fãs de terror e de criaturas gigantes, o filme chega aos cinemas em 2 de outubro e aposta em uma abordagem mais crua e realista do subgênero.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/beware-boiuna-director-interview-mike-nelson/.
Fonte: Polygon.
2026-09-10 23:00:00








Deixe um comentário