Guillermo del Toro critica IA na criação artística: A criação é algo que nunca foi feito antes

Guillermo del Toro voltou a falar sobre inteligência artificial na criação artística. Durante uma sessão de AMA no subreddit r/movies, no dia 9 de setembro, o diretor de O Labirinto do Fauno respondeu a um fã que quis saber o que se perde quando uma máquina gera uma imagem no lugar de uma mão humana.

A pergunta retomava comentários que del Toro já havia feito em 2024, numa conversa no British Film Institute, quando disse que a IA consegue criar protetores de tela semi-convincentes e que basicamente é isso. Na época, ele também afirmou que o valor da arte não está em quanto custa e quão pouco esforço exige. Está em quanto você arriscaria para estar na presença dela.

Na resposta ao fã, del Toro explicou que a alquimia da criatividade humana é impossível de reproduzir por uma máquina. Para ele, boa parte das melhores obras é elevada por acidentes que acontecem durante o processo criativo.

A IA pode te levar ao meio muito rápido, mas existe uma dialética com o processo que te leva aos 10% finais, disse. Três quartos do processo te dão a chance de pensar na ideia que as pessoas não pensariam sem esse processo.

O diretor usou o Homem Pálido, de O Labirinto do Fauno, como exemplo. O design do personagem nasceu da combinação improvável de uma arraia com o cartaz do filme Phantasm, de Don Coscarelli. Esculpimos como um velho, com rosto. E então eu disse: ‘Vamos tirar o rosto.’ Isso aconteceu porque vi uma foto de uma arraia e o cartaz de Phantasm. Essa combinação, que aconteceu em dois momentos diferentes ao longo de uma semana ou um mês, não são permutações que fazem parte química de uma equação. São alquimia.

Virginia
Fonte da imagem: IGN

Del Toro também citou uma conversa com Christopher Nolan sobre A Odisseia. Ele perguntou ao diretor como conseguiu filmar de forma convincente Odisseu e sua tripulação enfrentando os mares revoltos de Poseidon. A IA é como um motor super-rápido que faz permutações semissentientes de coisas que já foram feitas. Criação são coisas que nunca foram feitas. Vindo a existir, disse. E a segunda coisa é a perda do aprendizado que se tem como artista. Você nunca é mestre; você é sempre aprendiz.

O diretor ainda lembrou uma conversa com James Cameron no set de O Exterminador do Futuro 2, em 1993 ou 1994, quando Cameron mostrou a cena em que Robert Patrick quebra a janela do carro com o braço. Você vê aqueles reflexos? Nós os colocamos ali, porque a audiência pensa que uma imagem é real se você colocar um acidente nela, contou Cameron, segundo del Toro. O acidente é vital. E os melhores acidentes são coisas que você não procura. Eles simplesmente ocorrem da interação com a realidade.

Visão Gamer: A discussão sobre IA na criação artística interessa diretamente a quem acompanha games, já que a tecnologia vem sendo cada vez mais usada na indústria. A visão de del Toro reforça o valor do processo humano e dos acidentes criativos, algo que muitos jogadores valorizam em títulos com identidade forte. A fala do diretor não anuncia nenhuma ferramenta ou mudança prática na produção de jogos, mas alimenta o debate sobre o papel da IA no desenvolvimento de arte e narrativa.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/they-are-alchemy-guillermo-del-toro-speaks-out-on-ai-in-filmmaking-and-why-it-cant-replace-human-creativity.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-09-10 21:15:00

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