Um pesquisador que passou os últimos três anos trabalhando com pré-treinamento de IA na OpenAI e na Anthropic pediu demissão e usou o X para dizer o que pensa sobre as duas empresas. Jacob Coxon afirmou que nenhuma das companhias está agindo com responsabilidade e que ambas estão correndo direto para uma superinteligência capaz de se autoaperfeiçoar, apostando vidas nesse processo.
Segundo Coxon, os sistemas que estão sendo construídos logo se tornarão superhumanos, com capacidade de invadir qualquer coisa, revolucionar qualquer área da noite para o dia e acumular poder e recursos reais. Ele também alega que as pessoas que desenvolvem IA acreditam de verdade que ela pode matar todo mundo até o fim da década, e que isso não é marketing: muitos executivos e pesquisadores seniores só escolhem as palavras com cuidado na imprensa para parecer sensatos.
O ex-pesquisador aponta diferenças entre as duas empresas. Na OpenAI, diz ele, muita gente não internalizou profundamente o tamanho civilizacional do que está em jogo. Já na Anthropic, o risco é bem compreendido, mas a empresa estaria travada numa corrida para chegar primeiro, partindo do princípio de que ninguém mais vai agir com responsabilidade, então ela mesma precisa fazer isso, apesar do perigo.

A acusação de que as empresas de IA estão construindo o mais rápido possível sem se preocupar com o resto não é exatamente nova. O treinamento desses modelos usa dados que parecem recheados de material protegido por direitos autorais, o que explica resultados muito parecidos com obras existentes. A própria OpenAI já argumentou que não conseguiria existir sem conteúdo protegido.
E dá para entender o ritmo: a OpenAI levantou centenas de bilhões em investimentos, a Nvidia, que veio dos games e virou empresa de IA, se tornou a primeira companhia de US$ 5 trilhões no ano passado, e nesta semana Jensen Huang revelou que foram necessários 100 mil GPUs Nvidia para treinar o modelo mais recente da OpenAI. É uma indústria com trilhões de dólares em jogo, que também já consumiu boa parte da oferta mundial de memória.
Apesar do tom alarmante, Coxon não parece ser contra a IA por princípio. Ele sugere que pesquisadores repensem como interagem com a pesquisa, qual deveria ser o plano para a IA no futuro e se não é hora de exigir condições diferentes. Se ele está certo, resta saber se as empresas vão realmente ouvir.
Visão Gamer: a discussão sobre IA generativa afeta diretamente quem joga, já que a mesma tecnologia está por trás de ferramentas usadas em estúdios, mods e até na criação de assets. O alerta de Coxon não muda lançamentos ou patches, mas coloca em pauta o ritmo com que essa indústria cresce e o que isso pode significar para o mercado de tecnologia como um todo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/software/ai/ex-anthropic-researcher-argues-ai-progress-could-kill-us-all-by-the-end-of-the-decade-and-progress-is-not-slowing/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-09-09 16:24:00








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