Atsushi Nishigori, veterano com passagens por Gainax e CloverWorks, finalmente coloca em tela as ideias que acumulou ao longo da carreira. Grotesqqque, filme antológico de 104 minutos com estreia mundial em 24 de julho no Fantasia International Film Festival, chega aos cinemas em novembro. A produção reúne três histórias independentes: uma comédia alienígena, uma batalha entre garotas em um mundo sem amanhecer e um conto de vampiros após o desaparecimento da humanidade.

Em entrevista ao Polygon, Nishigori explicou que sempre guardou cenas e personagens que queria explorar. Havia muitas cenas e designs que eu queria fazer no passado, e fiquei acumulando tudo dentro de mim, disse. Pedi à empresa para fazer algo onde eu pudesse fazer o que quisesse. O resultado é um longa que mistura gêneros de propósito, sem tentar suavizar os contrastes entre eles.

O diretor afirma que a diferença entre as partes é o que torna o conjunto interessante. Na história de ação, por exemplo, explosões e violência dividem espaço com relações entre as garotas e emoções mais contidas. Se esses elementos fossem as únicas coisas retratadas, estaríamos vendo apenas uma faceta da história, comentou.

Nishigori também revelou que o processo criativo começou pelas imagens, não por temas definidos. Foquei muito no aspecto visual e tentei trazer a música para combinar com as imagens, porque penso nisso como um videoclipe de longa duração. Essa abordagem lembra clássicos como FLCL e Cowboy Bebop, onde trilha e ritmo são parte essencial da narrativa.

A preocupação com o ritmo do espectador foi central. Prestei muita atenção ao ritmo do espectador para garantir que a experiência seja agradável e nunca entediante, afirmou. Cada uma das três obras tem identidade visual e fluxo próprios, mas equilibrados para formar uma impressão geral coesa.

No segmento final, Nocturne, a história começa depois que a humanidade já desapareceu. Em vez de mostrar o apocalipse, Nishigori preferiu focar nas quatro garotas que restaram em um mundo arruinado, deixando espaço para a imaginação do público. Há muitas imagens que dão margem para imaginar o que aconteceu, explicou.

O diretor também admite ter colocado elementos recorrentes de propósito, mas não quer explicar as conexões. Há certos locais ou elementos que coloquei intencionalmente para evocar uma conexão, disse. Mas não vou explicar explicitamente como as coisas se ligam. Prefiro que cada um experimente o filme e se divirta imaginando e interpretando à sua maneira. Ele sugere que os fãs podem encontrar ecos entre Nocturne e Darling in the Franxx, mais por semelhanças de personagens e conceitos do que por ligações diretas.

Grotesqqque representa para Nishigori a chance de transformar seu repertório em algo novo. Queria garantir que essa amálgama de todas essas peças do passado fosse apresentada como algo novo, que pareça novo ao público, que pareça original.



Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/why-the-director-of-grotesqqque-thinks-the-best-anime-are-a-little-unorganized/.
Fonte: Polygon.
2026-09-08 03:00:00








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