Escolhas que mudam tudo: três jogos que levam a narrativa ramificada a outro nível

Quando falamos em escolhas que importam em videogames, a maioria das pessoas pensa em finais diferentes ou em mudanças drásticas na história. Mas será que só isso define uma boa narrativa ramificada? Para o estúdio Rebel Wolves, que está promovendo The Blood of Dawnwalker, a proposta vai além. E é nesse espírito que três jogos recentes se destacam por usar escolhas de formas inesperadas.

Zero Parades: For Dead Spies

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Fonte da imagem: Polygon

Um dos exemplos mais interessantes é Zero Parades: For Dead Spies, um CRPG que lembra Disco Elysium, mas com uma abordagem própria. Você controla Hershel, uma ex-espiã que acorda em um quarto com uma pessoa em coma, sem saber como chegou lá. A cidade fictícia de Portofiro esconde um jogo perigoso, e cabe a você desvendar o que está acontecendo.

Diferente de outros RPGs, as habilidades sociais e mentais não servem só para abrir fechaduras ou convencer NPCs. Elas desbloqueiam novas perspectivas sobre os eventos. Às vezes, um diálogo bem-sucedido revela lore extra; em outras, você pode mergulhar em delírios compartilhados com um empresário bêbado — até que a estatística de delírio chega ao máximo e seu personagem morre. Fadiga e ansiedade também podem ser fatais.

Hershel
Image: ZA/UM via PolygonFonte da imagem: Polygon

O jogo adota uma filosofia de improviso: mesmo escolhas aparentemente erradas ou fatais quase sempre abrem caminhos alternativos, ainda que bem diferentes do planejado. Essa incerteza constante faz você se sentir exatamente como Hershel: sem saber o que é certo, apenas tentando sobreviver. É uma imersão rara, que nem Disco Elysium alcança.

Slay the Princess

A dupla da Black Tabby, conhecida por Scarlet Hollow, criou em Slay the Princess uma experiência curta e experimental sobre escolhas. Você é um guerreiro que deve entrar em uma cabana e matar a princesa aprisionada no porão. O narrador insiste que ela é um monstro perigoso, mas o que você faz a partir daí gera consequências imprevisíveis. Até recusar entrar na cabana é uma escolha válida, que abre um novo ramo da história.

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Image: Black Tabby Games/Serenity ForgeFonte da imagem: Polygon

O jogo não se limita a contar finais diferentes. Cada caminho, mesmo os que levam ao mesmo desfecho, explora novas facetas da situação, de você ou da princesa. Suas decisões são guiadas por instinto e pelas experiências anteriores — se a princesa te matou brutalmente em uma jogada, você tende a desconfiar dela na próxima. Essa intensidade é única e impossível de replicar em histórias onde a única questão é quem vive ou morre.

Scarlet Hollow, o outro projeto da Black Tabby, também merece atenção. Ainda em desenvolvimento após cinco capítulos, mistura horror, escrita afiada, arte caprichada e um romance diferente de tudo. Se você valoriza boa narrativa, vale acompanhar.

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Image: Too Kyo Games/AniplexFonte da imagem: Polygon

The Hundred Line: Last Defense Academy

O caso mais extremo é The Hundred Line: Last Defense Academy, do estúdio Too Kyoo. A premissa começa simples: um grupo de crianças é levado para uma escola estranha depois que monstros adoráveis invadem Tóquio. Um fantasma as salva e vira diretor-comandante, dando a elas magia de sangue para lutar. Isso tudo nos primeiros 30 minutos.

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Fonte da imagem: Polygon

Por cerca de 30 horas, o jogo segue um caminho linear, sem ramificações. Aí, quando parece que acabou, ele volta ao início — e agora suas escolhas podem alterar tudo. Uma única ação pode transformar completamente a história e a vida de todos na escola, nem sempre para melhor.

O jogo tem 100 finais, e nenhum é considerado canônico. Há até uma árvore inteira de caminhos classificados como humor, tão válidos quanto os sérios e traumáticos. Quem vive, quem morre e se o final é feliz ou triste perdem importância diante da pergunta: o que diabos pode acontecer agora?. Você faz as escolhas, mas não tem controle sobre o que elas desencadeiam. Essa inversão de poder entre jogador e jogo é radical, e quase levou o estúdio à falência. Ainda assim, foi um dos jogos favoritos do ano passado.

Visão Gamer: Esses três títulos mostram que escolhas que importam não precisam significar apenas múltiplos finais. Eles exploram como as decisões afetam a percepção, a sanidade e até a estrutura da narrativa, criando experiências que desafiam as expectativas. Para quem busca algo além do convencional, são exemplos de como o meio ainda tem espaço para inovação.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/best-games-where-choices-matter/.

Fonte: Polygon.

2026-09-06 10:00:00

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