A expectativa para Marvel’s Wolverine, exclusivo do PS5 que chega em 15 de setembro, é enorme. A Insomniac Games, responsável por sucessos como Marvel’s Spider-Man e Ratchet & Clank: Rift Apart, tem um histórico de qualidade que normalmente garantiria uma recepção calorosa. Mas, nas últimas semanas, as redes sociais se transformaram em um campo de batalha contra o jogo, com uma enxurrada de críticas que vão muito além do que os primeiros vídeos de gameplay mostram. O que está acontecendo?

A controvérsia começou quando as primeiras impressões práticas de Marvel’s Wolverine foram divulgadas, revelando um jogo de ação e aventura mais linear e focado em uma experiência cinematográfica, diferente dos mundos abertos dos jogos do Homem-Aranha. Algumas escolhas da Insomniac, como uma cena de perseguição com um rastro vermelho e um chefe gigante Sentinel comparado ao jogo Ben 10: Protector of Earth, de 2007, viraram alvo de piadas e críticas. Para muitos, o jogo parece seguir o formato de franquias como Uncharted e God of War, um estilo de produção de alto orçamento que parte dos jogadores já não aprecia tanto.
O diretor de marketing da Insomniac, James Stevenson, chegou a se manifestar no X (antigo Twitter), chamando a reação de “onda implacável que não acredito que seja boa para a saúde mental de ninguém nem representativa”. A crítica especializada, como a do próprio Polygon, tem sido mais equilibrada, elogiando a fluidez do jogo, mas apontando uma possível falta de profundidade. No entanto, a reação negativa nas redes parece desproporcional, e isso se deve a uma série de fatores que vão muito além do jogo em si.

A Insomniac tem um longo histórico de ser alvo de polêmicas. Em 2018, o estúdio esteve no centro do “Puddlegate”, uma controvérsia bizarra em que um jogador acusou a empresa de diminuir a qualidade gráfica de Marvel’s Spider-Man antes do lançamento, tudo por causa de poças d’água que foram reduzidas entre versões do jogo. Em 2023, a Insomniac sofreu um ciberataque que vazou imagens iniciais de Wolverine, que foram amplamente dissecadas. Ou seja, o estúdio já carrega um alvo nas costas há oito anos, independentemente da lógica.
Em 2024, a situação piorou com uma guerra cultural que envolveu a Sweet Baby Inc., uma consultoria que auxilia estúdios com roteiro, leituras de sensibilidade e outros serviços. Um grupo de jogadores reacionários acusou a empresa de forçar diversidade nos jogos, um argumento alimentado pelo debate político em torno de “DEI” (diversidade, equidade e inclusão) durante o ano eleitoral. A Insomniac contratou a Sweet Baby para trabalhar em Marvel’s Spider-Man 2, o que a tornou alvo de críticas ainda mais ferrenhas.
Ao analisar as críticas a Wolverine no X, é possível encontrar postagens sobre a linearidade do jogo misturadas com reclamações de que a Mystique “não é gostosa o suficiente” ou que o Wolverine está com “testosterona baixa”. Muitas dessas críticas mencionam a Sweet Baby Inc. e fazem ataques mais amplos a desenvolvedores “ocidentais”, acusando-os de serem “woke”, enquanto elogiam estúdios de países como a China como “salvadores” dessa suposta tendência.
Além disso, a conversa sobre Wolverine é contaminada por um assunto que não tem relação direta com o jogo: a decisão da Sony, anunciada no início do verão, de parar de produzir discos físicos em 2028. A medida gerou uma reação forte dos jogadores, que passaram a atacar tudo o que a Sony publica. As transmissões do State of Play são inundadas de comentários sobre mídia física, e até jogos independentes como Duskfade são alvo de críticas por serem lançados no PS5. Wolverine, por ser o primeiro grande exclusivo da Sony após o anúncio, acabou virando o principal alvo dessa raiva, mesmo tendo lançamento físico confirmado.
Essa confluência de discursos torna difícil separar o que é uma crítica legítima ao jogo do que é uma pauta política ou cultural disfarçada. É preciso desconfiar de postagens que parecem apenas zoar um chefe comum, pois muitas vezes elas vêm de pessoas com outras intenções, buscando engajamento ou distorcendo a realidade para gerar raiva. Esse ambiente tóxico é consequência de um ecossistema de redes sociais doentio, que dificulta a vida de quem busca informações claras.
É claro que existem motivos válidos para se preocupar com Wolverine, como acontece com qualquer jogo. É aceitável estar cansado de um estilo de jogo ou ter dúvidas sobre como os mutantes serão tratados em um universo onde os X-Men ainda não existem. Previews existem para gerar discussão. Mas a Insomniac já enfrentou várias ondas de críticas infundadas e entregou jogos bem recebidos. Para quem ainda está interessado em Wolverine, apesar das comparações com Ben 10, a recomendação é ignorar o barulho, esperar as avaliações de críticos de confiança e jogar para formar a própria opinião.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/marvels-wolverine-backlash/.
Fonte: Polygon.
2026-08-18 20:16:00








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