Quarentena e burocracia: novo jogo de terror no Xbox Game Pass mistura Papers, Please com zumbis

Nos games de zumbis, o jogador costuma ser o herói — aquele que enfrenta hordas, salva sobreviventes e encontra uma saída. Mas em Quarantine Zone: The Last Check, a proposta é bem diferente: você é o funcionário de um posto de controle que decide quem vive, quem é isolado e quem é eliminado. O jogo, desenvolvido pelo estúdio independente Brigada Games e publicado pela Devolver Digital, já estava disponível no Steam há alguns meses e agora chegou ao Xbox Game Pass, chamando a atenção de quem curte survival horror e jogos de gestão com dilemas morais.

Resident
Fonte da imagem: Polygon. Resident Evil Meets Papers Please in a Wild New Xbox Game Pass Offering

A mecânica central de Quarantine Zone gira em torno da linha de inspeção. Um a um, os sobreviventes passam por você, e é preciso examiná-los em busca de sintomas da infecção. No começo, a análise é visual: com uma lanterna, você verifica se os olhos estão vermelhos, se há mordidas ou arranhões suspeitos. Com o tempo, ferramentas como estetoscópio, martelo de reflexo e raio-X portátil são liberadas, ampliando as possibilidades de diagnóstico.

Cada pessoa inspecionada deve ser classificada em uma das categorias: bloco de sobreviventes, quarentena, laboratório ou liquidação — que é exatamente o que parece. Os sintomas são divididos por gravidade: verde (leve), laranja (incerto) e vermelho (infecção confirmada). Alguns indivíduos apresentam apenas um ou dois sintomas; outros, nenhum; e há sempre aquele caso extremo, com dezenas de mordidas escondidas sob as roupas. Quem tem qualquer sintoma vermelho vai para a liquidação, a menos que apresente um sintoma inédito que possa ser catalogado para futuras inspeções — nesse caso, o destino é o laboratório.

Quarantine
Image: Brigada Games / Devolver DigitalFonte da imagem: Polygon

Após cada avaliação, um aviso no canto superior direito indica se a inspeção foi excelente, competente ou ruim, dependendo da precisão do diagnóstico e da decisão tomada. O que parece simples no início logo se complica: é sujeira ou arranhão? Hematoma, necrose ou tatuagem? Sardas normais ou um sintoma leve que merece quarentena? O jogo força o jogador a confiar na intuição — e a perceber que ela falha com frequência. Com o espaço da quarentena lotado e as cotas de sobreviventes cada vez maiores, a tentação de liberar alguém provavelmente saudável cresce, criando um dilema constante entre eficiência e ética.

Além das inspeções, Quarantine Zone integra outros sistemas, com resultados variados. O destaque fica por conta das invasões noturnas, que acontecem a cada poucos dias: pilotando um drone armado com uma variedade de armas, o jogador enfrenta hordas de zumbis que tentam invadir o complexo. É uma sequência de tiro no estilo arcade, divertida e que oferece uma pausa bem-vinda do ritmo mais lento das inspeções, sem se tornar repetitiva.

quarantine
Image: Brigada Games / Devolver DigitalFonte da imagem: Polygon

A construção de base também está presente, embora o autor do texto original não tenha explorado tudo. É necessário expandir a capacidade da sala de quarentena e do acampamento, além de manter gerador, cantina e clínica abastecidos. Há upgrades interessantes para desbloquear, o que adiciona uma camada estratégica ao jogo.

Quarantine
Image: Brigada Games / Devolver DigitalFonte da imagem: Polygon

Por outro lado, o minigame de laboratório decepciona. A tarefa de extrair o órgão-alvo de cada sujeito em um tempo limitado, destruindo os órgãos ao redor, parece simples no papel, mas na prática é confusa. O autor não sabe se o problema é a adaptação dos controles originais de teclado e mouse para o gamepad do Xbox ou se a mecânica não foi bem explicada. O resultado é que ele acabava matando os pacientes quase instantaneamente, conseguindo descobrir apenas dois novos sintomas após várias horas de jogo — o que o levou a enviar muitas pessoas com sangramento nasal e acne para a morte sem necessidade.

A campanha dura cerca de um mês no tempo do jogo, com evacuações a cada cinco dias. Nesses momentos, o jogador decide se envia os sobreviventes para uma instalação médica (que concede pontos de pesquisa) ou para uma instalação militar (que dá dinheiro). O que acontece com eles depois disso, o autor prefere não saber.

Melinoe
Fonte da imagem: Polygon

Apesar da rotina de enviar pessoas para a morte, Quarantine Zone não deixa o jogador esquecer a humanidade daqueles que passam pela linha de inspeção. Alguns sobreviventes imploram para serem reunidos com familiares, outros pedem para que você ignore algo que notou, e há os que reagem com violência. O jogo também inclui diálogos em outros idiomas — o autor encontrou falas em espanhol, francês e o que pareceu ser cantonês ou mandarim —, mas não oferece tradução, reforçando a sensação de poder absoluto sobre pessoas vulneráveis e a facilidade com que esse poder pode ser abusado.

Para fãs de séries como The Last of Us, The Walking Dead e Resident Evil, Quarantine Zone: The Last Check oferece uma experiência única, que mistura terror, gestão e dilemas morais. O jogo está disponível no Steam e incluído nos planos Premium e Ultimate do Xbox Game Pass.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/quarantine-zone-steam-xbox-game-pass/.

Fonte: Polygon.

2026-08-06 23:00:00

No comments

Deixe um comentário

Top Novidades!

20915