Eli Roth admite que filme de Borderlands ficou ruim: algo que não pertencia a ninguém

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Fonte da imagem: Pcgamer

O diretor Eli Roth, conhecido por filmes de terror como Jogos Mortais e Cabana do Inferno, finalmente quebrou o silêncio sobre a adaptação cinematográfica de Borderlands, lançada em 2024. Em uma entrevista recente à Variety, Roth admitiu que o filme, que recebeu críticas negativas quase unânimes, não agradou nem a ele mesmo. O cineasta, que também dirigiu o longa, revelou que o alto orçamento de US$ 120 milhões e a interferência dos estúdios comprometeram a visão criativa, resultando em uma obra que, segundo ele, “não pertencia a ninguém”.

A produção, baseada na famosa franquia de jogos de tiro e saque da Gearbox Software, foi distribuída pela Lionsgate e chegou aos cinemas em agosto de 2024. Apesar da expectativa dos fãs, o filme foi amplamente criticado por críticos especializados e pelo público, que apontaram problemas de roteiro, direção e falta de fidelidade ao material original. Roth, que construiu sua carreira com filmes de terror explícito e violento, como Hostel e Cabana do Inferno, enfrentou um desafio incomum: adaptar um jogo conhecido por sua violência estilizada e humor ácido para um público mais amplo.

Em sua entrevista, Roth explicou que o orçamento elevado fez com que os executivos da Lionsgate ficassem receosos em assumir riscos criativos. “À medida que as coisas crescem, os estúdios naturalmente se tornam mais avessos ao risco”, disse o diretor. “Minha natureza como cineasta é fazer algo fora do centro, porque foi isso que funcionou para mim.” No entanto, com US$ 120 milhões em jogo, a produção precisava atrair o maior público possível, o que levou os executivos a exigirem mudanças para garantir uma classificação indicativa PG-13, permitindo que adolescentes acompanhassem o filme.

Essa decisão, no entanto, entrou em conflito direto com a essência de Borderlands, que é conhecido por sua violência gráfica e tom adulto. Roth, que construiu sua reputação com filmes de terror extremo, viu-se obrigado a suavizar o conteúdo para atender às exigências do estúdio. “Você acaba com algo que não pertencia a ninguém”, afirmou o diretor. “Não é um filme infantil, mas tenta agradar a todos. É para os gamers, mas não tem a violência que os gamers querem, porque não pode ser tão extremo, pois custa muito caro. Você acaba com um filme que não é nem uma coisa nem outra.”

A crítica especializada concordou com a avaliação de Roth. Joshua Wolens, do PC Gamer, escreveu em sua análise (que, por misericórdia, não foi classificada como “crítica” quando publicada): “Não é apenas ruim, é uma papa sem gosto e insossa, que ninguém envolvido parecia interessado em salvar.” Até mesmo a IGN, que costuma ser mais generosa com adaptações de jogos, classificou o filme como “horrível”. A publicação, que elogiou o filme do Super Mario Galaxy, não poupou críticas à produção da Lionsgate.

A recepção negativa foi um duro golpe para os fãs da franquia, que esperavam uma adaptação à altura dos jogos. Borderlands 2, por exemplo, é frequentemente elogiado por sua narrativa envolvente e personagens carismáticos, enquanto Tales from the Borderlands, da Telltale Games, foi aclamado pela crítica. No entanto, o fracasso do filme pode ter enterrado qualquer chance de uma nova tentativa nos cinemas, pelo menos por enquanto.

A entrevista de Roth à Variety foi concedida para promover seu novo filme, Ice Cream Man, que, ao contrário de Borderlands, não é uma adaptação de videogame. O diretor, no entanto, não poupou críticas ao processo de produção de seu trabalho anterior, destacando as dificuldades de lidar com grandes estúdios e orçamentos elevados.

Embora Roth não tenha detalhado todas as mudanças exigidas pela Lionsgate, sua fala sugere que o filme sofreu com interferências criativas significativas. A busca por um público amplo, combinada com a necessidade de agradar aos fãs dos jogos, resultou em um produto final que não satisfez nenhum dos lados.

O fracasso de Borderlands nos cinemas levanta questões sobre a dificuldade de adaptar videogames para o cinema, especialmente quando a obra original é tão específica em seu tom e estilo. Enquanto alguns jogos, como The Last of Us e Sonic, conseguiram transpor com sucesso sua essência para outras mídias, outros, como Borderlands, mostram que nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre fidelidade e apelo comercial.

Por enquanto, não há planos de uma sequência ou reboot do filme, e a franquia Borderlands permanece restrita aos jogos. A declaração de Roth, no entanto, serve como um lembrete de que, por trás de uma produção cinematográfica, há sempre uma batalha entre a visão artística e as pressões comerciais, e que, às vezes, o resultado final acaba desagradando a todos.

A matéria original foi publicada pelo PC Gamer, com texto de Shaun Prescott, editor australiano da publicação. Prescott, que também assina a análise do filme, destacou que a recepção negativa foi unânime entre a imprensa especializada, incluindo veículos de cinema e de jogos. É uma pena, porque os jogos Borderlands podem contar uma história envolvente, escreveu o jornalista. Alguns dos meus colegas realmente elogiam a narrativa de Borderlands 2, e Tales from the Borderlands foi muito bem recebido. Mas, dada a resposta ao trabalho de Roth, é improvável que alguém tente novamente.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/movies-tv/director-eli-roth-seems-to-think-the-borderlands-movie-sucked-too-you-got-something-that-belonged-to-nobody/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-04 23:55:00

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