A crise global de abastecimento de memória, impulsionada pela demanda insaciável da indústria de inteligência artificial, está prestes a atingir um novo patamar de gravidade. Se antes a preocupação era com os preços elevados, agora o temor é ainda mais básico: conseguir qualquer volume de chips para manter a produção. De acordo com alerta do CEO da Apacer, C.K. Chang, a escassez deve se manter severa ao longo de todo o ano de 2026, e a situação pode piorar drasticamente no próximo ano.
Chang afirmou que garantir o fornecimento se tornou um risco operacional maior para a Apacer do que arcar com os altos custos. A estimativa do executivo é que os fabricantes de memória liberem apenas cerca de 30% do volume previsto para 2026 apenas em 2027. Isso significa que, na prática, a oferta do ano que vem pode sofrer um tombo de até 70% em relação ao que seria necessário para atender a demanda atual. A informação foi divulgada pelo site DigiTimes.

Para se proteger desse cenário, a Apacer já está correndo para estocar o máximo possível agora. Ao final do primeiro semestre de 2026, a companhia já acumulava um estoque avaliado em aproximadamente US$ 383 milhões. A estratégia, no entanto, não é isolada. Chang observa que muitas outras empresas de eletrônicos de consumo estão seguindo o mesmo caminho, firmando contratos de fornecimento plurianuais e, paradoxalmente, contribuindo para que a escassez não se resolva no curto prazo.
O alerta ecoa uma previsão ainda mais sombria feita pelo CEO da Phison, que já havia declarado que muitos fabricantes de eletrônicos de consumo “vão à falência ou abandonarão linhas de produtos” até o fim deste ano. Com o agravamento da crise de abastecimento, essa profecia parece cada vez mais próxima de se concretizar.
O segmento mais afetado continua sendo o de DRAM. Segundo o DigiTimes, estima-se que cerca de 60% de toda a capacidade de produção de DRAM esteja agora direcionada a aplicações para servidores, especialmente data centers. Chang destaca que os módulos DDR5 RDIMM para servidores sofreram os maiores aumentos de preço e devem continuar subindo.

Para o consumidor final, especialmente os gamers, as notícias também não são boas. Além de continuarem caros, pentes de RAM e unidades de armazenamento podem se tornar mais difíceis de encontrar. A demanda do setor de consumo é considerada “fraca” no momento, mas a indústria de IA e outros clientes corporativos estão mais do que dispostos a absorver a oferta restante.
Um possível alívio, apontado por Chang, é que a taxa de aumento de preços por parte dos fornecedores de memória deve desacelerar à medida que a oferta efetivamente encolhe. Mas o executivo relativiza o otimismo: trata-se de um cenário que só parece positivo se observado com muita boa vontade.
Enquanto isso, a recomendação para quem planeja montar ou atualizar um PC gamer é não adiar a compra. A tendência é que a situação se mantenha crítica ao menos até 2027, sem sinais de normalização no horizonte.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/memory/consumer-electronics-companies-were-already-worried-about-securing-memory-next-year-now-supply-is-predicted-to-plummet-by-70-percent/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-07-28 11:51:00








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