Remakes de videogames chegaram a um ponto sem volta; entenda o dilema entre nostalgia e necessidade técnica

A indústria do entretenimento vive uma era de remakes que não dá sinais de desaceleração. Na mesma semana, Disney lançou uma versão live-action de ‘Moana’ — animação de apenas dez anos que ainda está no catálogo ativo de qualquer família com Disney Plus — e a Ubisoft colocou no mercado ‘Assassin’s Creed Black Flag Resynced’, uma recriação de um jogo de 12 anos e meio. Ambos os casos ilustram um fenômeno que, para os videogames, carrega camadas mais profundas do que a simples nostalgia.

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Fonte da imagem: Polygon

O remake de ‘Moana’ foi recebido com críticas que o consideram desnecessário e até mesmo confuso em sua existência. Dwayne Johnson reprisa o papel de Maui, e a recriação digital do oceano fantástico é virtualmente idêntica à original. Apesar das ressalvas, o público deve comparecer em massa. Já ‘Black Flag Resynced’ divide opiniões: alguns críticos questionam sua necessidade, mas a maioria parece aprová-lo, e o jogo tende a ter bom desempenho comercial.

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Image: UbisoftFonte da imagem: Polygon

As motivações da Disney e da Ubisoft são similares. Criar conteúdo original nessa escala é extremamente difícil, caro, demorado e arriscado. Ao mesmo tempo, os calendários de lançamento precisam ser preenchidos, e marcas como ‘Moana’ e ‘Assassin’s Creed’ exigem novos ganchos para manter o fluxo financeiro e o licenciamento de produtos. A nostalgia, por razões complexas e talvez até perturbadoras, domina cada vez mais a cultura: as pessoas querem voltar ao passado enquanto sentem que estão avançando e experimentando algo novo.

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Image: Team Ico, Bluepoint Games/Sony Interactive EntertainmentFonte da imagem: Polygon

No entanto, filmes e jogos são mídias fundamentalmente diferentes. Assistir a um filme de dez anos atrás não encontra barreiras práticas ou tecnológicas; a experiência não se degrada com o tempo. Já nos games, uma década é um período longo em termos de design e tecnologia. Muitos títulos excelentes envelhecem mal rapidamente, com problemas de compatibilidade e jogabilidade datada. Embora ‘Black Flag’ original tenha versões para PlayStation 4 e Xbox One que rodam nos consoles atuais, esse não é o caso da maioria dos clássicos.

Edward
Fonte da imagem: Polygon

É aí que os remakes ganham legitimidade para os jogadores. Além do desejo questionável de se entregar à nostalgia, há uma necessidade real de manter obras importantes do meio acessíveis e relevantes — algo que não se coloca para filmes, livros ou álbuns clássicos. ‘The Legend of Zelda: Ocarina of Time’ é uma obra-prima, mas, como muitos jogos 3D antigos, sofre com câmera estranha, taxa de quadros baixa e visuais envelhecidos. Uma nova geração de fãs, acostumada com ‘Breath of the Wild’, teria paciência com a versão original? Um remake bem-feito poderia transmitir o mesmo deslumbramento sentido em 1998.

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Fonte da imagem: Polygon

O problema é que não há consenso sobre o que um remake deve ser. Alguns querem apenas compatibilidade e gráficos modernos. Outros pedem ajustes na interface, na câmera, em diálogos problemáticos, em missões secundárias tediosas e até no sistema de combate. A linha entre preservar a essência e modernizar é tênue. O remake de ‘Shadow of the Colossus’ (2018), da Bluepoint Games, é um exemplo extremo de fidelidade: visualmente deslumbrante, mas ao remover a névoa densa do original, teria destruído seu mistério melancólico? A névoa era uma escolha artística ou uma limitação técnica? A resposta pode não importar.

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Fonte da imagem: Polygon

Por outro lado, ‘Dragon Quest 7 Reimagined’ cortou impiedosamente a longa introdução do original, e poucos fãs reclamaram. Às vezes, queremos o que achamos que lembramos, não o que realmente recebemos. Já em ‘Black Flag Resynced’, as mudanças são vistas como excessivas por uns — como a quase total remoção da narrativa moderna, que altera o tom da aventura — e insuficientes por outros.

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Uma abordagem mais radical é a de Square Enix com o projeto de remake de ‘Final Fantasy VII’, que recontextualiza a história em um novo gênero. Mas, nesse ponto, não se torna um jogo completamente diferente? Talvez o padrão ouro seja o da Capcom com sua série de remakes de ‘Resident Evil’: em vez de atualizar ou reestofar os clássicos, a pergunta é: como esses jogos seriam se fossem feitos hoje? A fórmula ideal varia para cada jogo e para cada jogador. No fim, talvez preferíssemos algo realmente novo — ou, no fundo, não. O fato é que os remakes vieram para ficar, e a questão que fica é: o que realmente queremos deles?

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/patch-notes-remakes-assassins-creed-black-flag-resynced/.

Fonte: Polygon.

2026-07-12 13:00:00

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