Remake de Assassin’s Creed Black Flag divide crítica e reacende debate sobre saturação do mercado

Polygon.com.

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Fonte da imagem: Polygon
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O lançamento de ‘Assassin’s Creed Black Flag Resynced’, remake do aclamado título de 2013, reacendeu um debate já conhecido no mundo dos games: até que ponto a indústria pode apostar em releituras de clássicos sem cair na mesmice? Apesar de a versão original ser considerada por muitos uma das melhores da franquia da Ubisoft, as avaliações do novo jogo mostram que, mesmo com médias altas, há uma divisão clara entre críticos sobre a qualidade das mudanças e, mais ainda, sobre o sentido de tantos remakes.

Nas plataformas de agregação de notas, o jogo se saiu bem: Metacritic registra 84 pontos, enquanto OpenCritic marca 87. Para parte da imprensa especializada, as melhorias visuais e de jogabilidade só fizeram um grande jogo ficar ainda melhor. Jessica Filby, do Dexerto, deu nota máxima (5 estrelas) e classificou o remake como “tão perfeito que de alguma forma torna um dos melhores jogos de Assassin’s Creed ainda melhor”, comparando-o ao essencial ‘Final Fantasy 7 Remake’. Filby elogiou as novas missões secundárias, os Oficiais, o conteúdo de fim de jogo e o combate refinado, lamentando apenas a ausência dos desafios de sequência do original.

Por outro lado, há quem veja o remake como um passo em falso. Jordan Ramée, do Gamespot, deu nota 7/10 e afirmou que ‘Resynced’ é “um remake ruim do auge de Assassin’s Creed”. Segundo ele, “para cada mudança positiva, o jogo tropeça ao criar um novo problema”. Ramée critica especialmente a decisão de descartar completamente a estrutura narrativa do mundo moderno de ‘Black Flag’, substituindo-a por uma história opcional e escondida, o que, em sua opinião, prejudica a trama e desperdiça o potencial da ideia. “O jogo faz muitas coisas legais, mas não usa essas coisas legais de forma eficaz”, escreveu.

A visão de que o remake exagerou nas alterações também é compartilhada por Morgan Park, da PC Gamer, que deu nota 75%. Para ele, “um remaster limpo teria sido melhor do que o que a Ubisoft fez aqui”. Park aponta que “mudanças fundamentais no combate, na furtividade e no design de encontros revelam que este é essencialmente ‘Black Flag’ enfiado dentro de ‘Assassin’s Creed Shadows’”, e que essa abordagem “tira mais do que acrescenta”.

Josh Broadwell, do Polygon, adota uma posição mais neutra, descrevendo o remake como algo superficial, cujo principal mérito é o visual “absolutamente lindo”. Ainda assim, ele admite não ter conseguido escapar de uma sensação de “febre de cabine” – “Este velho navio pode não estar morto na água, mas também não está indo a lugar nenhum”, escreveu.

O cansaço com a enxurrada de remakes é expresso de forma mais contundente por Zack Zwiezen, do Kotaku. Embora tenha gostado da maioria das mudanças de ‘Resynced’, ele diz não conseguir evitar uma tristeza por “o grande novo Assassin’s Creed ser um remake de um jogo da era Xbox 360”. Zwiezen expressa uma preocupação existencial “sobre o que isso significa, não apenas para a Ubisoft, mas para toda a indústria de videogames”. E conclui: “’Black Flag Resynced’ é bom? Sim, muito bom. Isso indica um bom futuro para a Ubisoft ou para a indústria? Não.”

A discussão levanta questões que vão além da qualidade do jogo em si. Enquanto alguns veem nos remakes uma forma de apresentar clássicos a novas gerações, outros enxergam um sintoma de falta de criatividade e de uma indústria cada vez mais dependente da nostalgia. O caso de ‘Black Flag Resynced’ ilustra bem esse dilema: um jogo tecnicamente bom, mas que, para muitos, representa mais do mesmo em um mercado já saturado de relançamentos.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/assassins-creed-black-flag-resynced-review-roundup/.

Fonte: Polygon.

2026-07-08 12:07:00

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