A expansão Endless Ragnarok de Granblue Fantasy: Relink chega sem a pretensão de reinventar o gênero action RPG, mas acerta em cheio ao oferecer uma experiência intensa e repleta de conteúdo novo. Em vez de diluir o que já funcionava, a desenvolvedora Cygames optou por adicionar camadas sobre o que já existia, criando um turbilhão de efeitos especiais, números dourados na casa dos milhões e padrões de área que iluminam o chão, enquanto o grupo de personagens não para de comentar cada habilidade ativada. Quem jogou o título original em 2024 vai reconhecer a estrutura, mas a sensação é de algo renovado: a dificuldade foi elevada a um nível de tensão constante, com novos tiers de missões, personagens jogáveis para recrutar e aprimorar, e até invocações de meio de batalha.
A princípio, a avalanche de novos sistemas, itens e upgrades pode assustar. Mas a lógica por trás de cada adição é simples: tudo se resume a formas de aumentar ainda mais os números de dano. Muitas vezes, as novidades substituem mecânicas já dominadas, como a árvore de habilidades de um personagem, o que torna a adaptação rápida. A narrativa que justifica essa enxurrada de combates pós-jogo é igualmente descompromissada: uma figura ameaçadora que adora poses dramáticas e monólogos bombásticos surge para trazer perigos ainda maiores aos céus. É o suficiente para dar propósito ao progresso sem fazer o jogador sentir que tudo o que conquistou antes foi em vão.
O grande destaque da expansão é o modo Conflux, portais misteriosos que funcionam como desafios no estilo roguelite. Cada incursão é diferente, e a graça está em se adaptar ao que aparece, escolhendo batalhas mais difíceis para recompensas maiores. A curva de dificuldade é surpreendentemente suave: as primeiras missões são tranquilas o bastante para que jogadores que voltam após um tempo possam se reacostumar. Quando a coisa esquenta, o grupo já está fortalecido. O modo não é um suplício reservado a quem adora planejar builds em planilhas; é um conteúdo pensado para quem já viu os créditos finais.

Cada mergulho no Conflux é dividido em microetapas que reutilizam partes de fases e inimigos já conhecidos. Esse reaproveitamento não incomoda mais do que em Monster Hunter, por exemplo, quando o jogo insiste em fazer o jogador enfrentar um Rathalos mais uma vez. A familiaridade se torna uma chance de refinar a abordagem e explorar fraquezas. Os mini desafios geralmente duram menos de um minuto, com pausas mínimas para escolher um caminho e um de três bônus aleatórios que podem ser simples, como um aumento de 20% na vida, ou mais específicos, como vantagens que dependem de efeitos de status ou escudos ativos.
Apesar da enxurrada de efeitos, buffs e sinergias, o jogador sente que sua contribuição direta em cada batalha — como usa as habilidades, como desvia de ataques e o quanto conhece as capacidades do inimigo — importa tanto quanto qualquer equipamento. Um aviso de que o grupo está fraco para a próxima missão não é um pedido educado para ir farmar materiais; é um convite para testar os próprios limites.

Nem tudo no Conflux é combate. Há uma variedade de fases sem luta, como perseguições de slimes em alta velocidade, coleta de gemas, observação de pessoas e até jogos de encontre as diferenças. Salas raras com tesouros aparecem como um agrado. O ritmo acelerado, a imprevisibilidade e a variedade tornam as runs do Conflux um ciclo viciante, que o jogador curte mesmo sem um objetivo específico em mente.
Endless Ragnarok não reinventa Granblue Fantasy: Relink, mas entrega exatamente o que se espera de uma grande expansão: mais conteúdo, mais desafios e mais diversão. Para quem já passou dezenas de horas no jogo base, a promessa de só mais uma missão facilmente se transforma em mais uma ou duas horas de jogo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/rpg/this-action-rpgs-more-with-more-on-top-excess-is-as-fun-as-expansion-design-gets/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-07-07 15:00:00








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