Passengers bombando na Netflix? Melhor evitar: a ficção científica que envelheceu mal e divide opiniões

O filme Passengers, de 2016, está subindo no ranking de popularidade da Netflix, mas os críticos recomendam cautela. A produção dirigida por Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) reúne um elenco estelar – Chris Pratt, Jennifer Lawrence, Michael Sheen, Laurence Fishburne e Andy Garcia – e mesmo assim é considerada uma das piores experiências cinematográficas da década. O longa de ficção científica e romance espacial, disponível também gratuitamente no Tubi, tem sido alvo de análises que apontam desde falhas narrativas até uma abordagem questionável de temas como consentimento e ética.

A trama acompanha Jim Preston (Pratt), um engenheiro mecânico a bordo da nave interestelar Avalon, que viaja em direção à colônia Homestead II, a 120 anos-luz da Terra. Um acidente o acorda do sono criogênico 90 anos antes do previsto, sem possibilidade de retornar ao estado de hibernação. Condenado a morrer antes de chegar ao destino, Jim encontra consolo em outra passageira adormecida, Aurora (Lawrence). Tomado pela solidão, ele sabota a cápsula dela, despertando-a para compartilhar o mesmo destino.

O diretor Tyldum propõe uma questão fascinante: o que você faria se estivesse sozinho em uma nave pelo resto da vida? Nos primeiros atos, o filme destaca a gravidade da escolha de Jim – a palavra assassinato é mencionada diversas vezes, e há uma cena poderosa em que a atuação física de Lawrence expressa o horror de ter sua vida roubada. No entanto, a segunda metade do filme abandona essa tensão moral e mergulha em um romance açucarado e desconfortável.

An
Image: Sony Entertainment PicturesFonte da imagem: Polygon. image of Chris Pratt sitting down in a sci-fi like setting. He looks confused.

Quando Passengers estreou em 21 de dezembro de 2016, as críticas se dividiram: alguns o compararam a uma versão intergaláctica de Titanic, enquanto outros o classificaram como uma fantasia de síndrome de Estocolmo. O texto original do Polygon aponta que essa segunda descrição é mais precisa. Personagens masculinos chegam a justificar a atitude de Jim simplesmente porque Aurora é bonita e ele estava solitário – como se isso tornasse a sabotace aceitável.

O problema central, segundo a análise, é que Tyldum não sustenta a exploração das consequências éticas. Em vez de aprofundar o dilema, o filme recorre a um romance clichê que qualquer pessoa sensata consideraria constrangedor. O resultado é uma obra que não sabe o que quer ser, desperdiçando o talento do elenco e o potencial de uma premissa instigante.

A crítica conclui que Passengers foi feito para um público muito específico: pessoas que fantasiariam ficar trancadas em uma nave espacial por 89 anos com Jennifer Lawrence, esperando que ela desenvolva síndrome de Estocolmo o suficiente para se apaixonar. Se essa não é a sua fantasia, o filme pode ser difícil de engolir.

Atualmente, Passengers está disponível para streaming na Netflix e gratuitamente no Tubi. Apesar do sucesso recente nas plataformas, a recomendação dos especialistas é clara: melhor evitar.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/passengers-2016-chris-pratt-jennifer-lawrence/.

Fonte: Polygon.

Polygon.com.

2026-06-14 20:00:00

No comments

Deixe um comentário

Top Novidades!

19397