A Microsoft divulgou um memorando interno enviado aos funcionários da divisão Xbox nesta semana, assinado pela CEO Asha Sharma e pelo vice-presidente executivo e diretor de conteúdo Matt Booty. O documento, intitulado “Next 100 Days: Xbox Reset”, traça um panorama preocupante para o negócio de games da empresa, que enfrenta queda de receita, aumento de custos de componentes e necessidade de reestruturação. Segundo a Bloomberg, fontes familiarizadas com a estratégia da companhia indicam que demissões em massa estão sendo planejadas para logo após o fechamento do ano fiscal, em 30 de junho, além de cortes significativos nas áreas de marketing e outras operações.
O memorando reconhece que, apesar de mais de US$ 20 bilhões investidos nos últimos cinco anos (excluindo a aquisição da Activision Blizzard King), a receita central do Xbox caiu e deve encerrar o ano fiscal com uma margem de aproximadamente 3%, bem abaixo do esperado. Sharma e Booty afirmam que, nos primeiros 100 dias de nova liderança, conseguiram reverter algumas tendências negativas: as equipes de plataforma entregaram mais atualizações do que no ano anterior, o número de parceiros ativos atingiu recorde e o Game Pass voltou a crescer após oito meses de declínio. O evento Xbox Games Showcase e o retorno do FanFest reuniram centenas de milhões de fãs, e a empresa reintroduziu exclusivos como Gears of War: E-Day (2026) e Clockwork Revolution (2027).
Apesar desses avanços, o texto alerta para cinco realidades duras que precisam ser enfrentadas. A primeira é que, embora mais de 1 bilhão de jogadores escolham o Xbox anualmente, totalizando 72 bilhões de horas em console, PC, celular e streaming (excluindo grande parte da China e algumas outras regiões), a competição agora é por atenção, com uma oferta cada vez maior de jogos, séries, filmes e conteúdo. A segunda realidade é a margem de lucro de apenas 3% prevista para o fim do ano fiscal, uma queda ano a ano que a empresa considera insustentável.

O terceiro ponto é uma crise de componentes de hardware. Sharma revela que, desde que assumiu como CEO em fevereiro, o preço pago por componentes de armazenamento para consoles mais que dobrou em relação ao outono passado e voltou a dobrar desde então. Para o feriado de 2027, a expectativa é de um novo aumento, levando os custos a mais de cinco vezes o valor de dois anos atrás. Os custos de memória seguiram trajetória similar. A empresa admite que, embora toda a indústria sofra com a crise, o Xbox foi mais impactado devido a escolhas feitas nos últimos cinco anos. Atualmente, a Microsoft não consegue produzir consoles na quantidade que os jogadores desejam comprar, e precisará de um novo modelo de negócios e parcerias para hardware, mantendo o compromisso com o projeto Helix.
A quarta realidade aponta que o sistema de estúdios foi expandido para atender múltiplas estratégias de assinatura, streaming e dispositivos, mas acabou se estendendo demais. A empresa se viu sobrecarregada ao executar estratégias em mudança em um cenário de conteúdo mais disponível. Embora seja a guardiã de franquias que definem a indústria, com enorme potencial e demanda dos jogadores, o Xbox não as financiou adequadamente para competir e vencer. Ao mesmo tempo, o Showcase recente mostrou que um fluxo confiável de exclusivos próprios e de terceiros, além de novas IPs, é essencial para o sucesso. A empresa precisa reavaliar o equilíbrio entre esses investimentos para os próximos cinco anos.
Por fim, a quinta realidade é que a infraestrutura atual de plataforma não está preparada para a batalha futura. Os sistemas são excessivamente complexos, com centenas de dependências, o que dificulta a agilidade. O Xbox se tornou muito dependente de fornecedores para operar seus sistemas e precisa se tornar mais autossuficiente em engenharia. A meta é aumentar o valor entregue aos jogadores enquanto reduz o tempo de desenvolvimento. Para isso, a empresa planeja evoluir e reconstruir sua pilha tecnológica, além de considerar fusões e aquisições que ajudem a vencer em hardware, PC, celular e streaming.
O memorando encerra com um apelo para que a equipe encare essas verdades com otimismo e realismo, e se prepare para os próximos 100 dias de trabalho intenso em hardware, conteúdo, experiência e serviços. “Vamos resetar para um Xbox mais forte e construir a empresa número 1 em games e entretenimento”, concluem Sharma e Booty. A expectativa é que as medidas de reestruturação, incluindo possíveis demissões, sejam anunciadas nas próximas semanas, após o fechamento do ano fiscal em 30 de junho.
Leia mais aqui em inglês: https://www.gematsu.com/2026/06/xbox-ceo-asha-sharma-and-executive-vice-president-matt-booty-publish-staff-memo-next-100-days-xbox-reset.
Fonte: Gematsu.
Gematsu.
2026-06-10 22:00:00








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