The Mound: Omen of Cthulhu leva horror lovecraftiano cooperativo à selva chilena com sistema de insanidade que distorce a realidade

A ACE Team, conhecida por títulos mais leves como Rock of Ages e The Eternal Cylinder, está prestes a lançar The Mound: Omen of Cthulhu, um jogo cooperativo de terror que mergulha no universo lovecraftiano. A obra é uma releitura da novela homônima de H.P. Lovecraft, de 1940, mas com uma mudança drástica de cenário: em vez de se passar em 1928 em Binger, Oklahoma, a ação foi deslocada cerca de 9 mil quilômetros para o sul e 276 anos para trás, para as florestas de Valvádia, no Chile, por volta de 1652. Até quatro jogadores assumem o papel de expedicionários a bordo do galeão Tempestad, enviados para garantir tesouros e uma passagem para o misterioso monte que dá nome ao jogo — um portal para a cidade subterrânea de K’n-yan, lar dos K’n-yani, adoradores de deuses ancestrais como o próprio Cthulhu.

Antes de pisar na ilha, os jogadores escolhem entre quatro personagens: o soldado Alonso de la Torre, o fidalgo Dom Rodrigo de Medina, a mulher Leonor ou o padre Fray Gaspar. Embora cada um tenha falas e personalidades únicas, todos compartilham as mesmas habilidades — não há poderes especiais, à la Left 4 Dead. A missão é definida por um contrato selecionado em grupo, que determina o ponto de partida na ilha, o equipamento disponível e o objetivo, que pode ser desde encontrar um tesouro até resgatar um sobrevivente. Em uma demonstração recente para a imprensa, a equipe da IGN experimentou contratos iniciais aparentemente simples, mas rapidamente descobriu que, mesmo com rifles e equipamentos modernos para a época, os jogadores não são os caçadores, mas sim a presa.

O planejamento estratégico é essencial, já que o inventário de cada jogador é extremamente limitado e cada item — seja equipamento, consumível, tesouro ou recurso — ocupa espaço. Em uma das tentativas, o jornalista que testou o jogo optou por ser o causador de dano, levando uma pistola de pederneira, um mosquete e muita munição, mas uma tempestade repentina molhou as armas, tornando-as inúteis. A lição foi clara: é preciso designar responsabilidades e se adaptar às condições imprevisíveis.

O cenário é meticulosamente construído à mão, sem mapas processuais. A ilha é um paraíso natural de vegetação vibrante, ondas e vida selvagem, mas também está repleta de vestígios de expedições anteriores — vigas apodrecidas, acampamentos em ruínas e esqueletos de vítimas. Uma mensagem ameaçadora, “A floresta acordará em X horas”, aparece periodicamente, lembrando que o tempo é curto. O design de som contribui para a atmosfera opressiva, fazendo a selva parecer viva e hostil.

O maior perigo, no entanto, pode não ser as criaturas, mas a sanidade dos personagens. O sistema de insanidade do jogo distorce a percepção individual de cada jogador, criando alucinações que podem levar a decisões fatais. Em um exemplo citado, um dos membros do grupo viu um terreno sólido com um pequeno santuário e caminhou confiante para dentro de um poço cheio de estacas e corpos em decomposição, sendo morto instantaneamente — enquanto os outros viam o perigo claramente. Em outra ocasião, o mundo ao redor do jornalista ficou vermelho-sangue, dificultando a visão e fazendo com que um dos mortos-vivos Y’m-bhi se disfarçasse de colega de equipe, resultando em um ataque surpresa. O desenvolvedor que guiou a demonstração prometeu que esses são apenas exemplos iniciais do que está por vir.

Além dos efeitos de insanidade, a ilha abriga diversas ameaças físicas: zumbis Y’m-bhi, uma criatura fantasmagórica semelhante a um morcego que não pode ser morta, um ser feito de videiras ondulantes que imobiliza a vítima (descrito como um Tangela de Pokémon criado pela From Software) e uma centopeia gigante que um dos personagens vomitou no chão e passou a perseguir o grupo. Se um jogador morrer e não for revivido a tempo, será engolido pela floresta e renascerá como uma versão corrompida de si mesmo, incontrolável e hostil aos sobreviventes.

Tecnicamente, The Mound utilizará um sistema peer-to-peer, com um jogador servindo como anfitrião da sessão e os demais conectando-se a ele — uma escolha que, segundo os desenvolvedores, evita o destino de servidores desativados que afeta muitos jogos multiplayer atuais. O progresso de cada jogador, incluindo ranques, áreas desbloqueadas e diários de bordo, é salvo individualmente, incentivando o trabalho em equipe. A ACE Team recomenda jogar com outras pessoas, mas é possível enfrentar a ilha sozinho, com ou sem companheiros controlados pelo computador — embora os desenvolvedores alertem que será um desafio considerável. Um ponto importante: não há transferência de saves entre plataformas; quem começar no PlayStation 5, Xbox Series X/S ou PC terá que recomeçar do zero se mudar de ideia.

O jogo chega em 15 de julho para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC, com suporte a crossplay completo. Após a experiência na demo, a expectativa é alta para descobrir que outros horrores e efeitos de insanidade aguardam os jogadores nas profundezas da selva chilena e além.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-mound-omen-of-cthulhu-ign-preview.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-06-04 08:00:00

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