007 First Light enfrenta preconceito histórico contra jogos licenciados no The Game Awards

O novo jogo de James Bond, 007 First Light, desenvolvido pela IO Interactive, chega ao mercado com boas avaliações da crítica, mas suas chances de concorrer ao prêmio de Jogo do Ano (GOTY) no The Game Awards são mínimas. O motivo, ironicamente, é o mesmo que torna o título atraente: ele é um jogo licenciado. Desde a criação da premiação, apenas três jogos baseados em propriedades externas aos games foram indicados na categoria principal: Middle-earth: Shadow of Mordor (2014), Marvel’s Spider-Man (2018) e Marvel’s Spider-Man 2 (2023).

O preconceito do júri do The Game Awards contra jogos licenciados é notório e reflete uma certa snobismo cultural, semelhante ao desdém que a Academia de Cinema demonstra por filmes de super-heróis. Para os jurados, parece haver uma mensagem implícita: ‘Esta é a nossa forma de arte e não precisamos de personagens emprestados de outras mídias’. Essa resistência persiste apesar de, desde Batman: Arkham Asylum (2009), da Rocksteady Studios, a qualidade dos jogos licenciados ter melhorado significativamente, com grandes estúdios se dedicando a essas adaptações e os detentores de direitos autorais passando a respeitar mais o público gamer.

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Image: IO Interactive via PolygonFonte da imagem: Polygon

Nos últimos 12 anos, diversos jogos licenciados de peso, todos dentro do perfil de ação e aventura cinematográfica que costuma agradar ao júri, ficaram de fora da lista de indicados ao GOTY. Entre eles estão Alien: Isolation, Batman: Arkham Knight, Star Wars Jedi: Fallen Order e Survivor, Marvel’s Guardians of the Galaxy, Hogwarts Legacy e Indiana Jones and the Great Circle. Algumas ausências são mais surpreendentes que outras. Guardians of the Galaxy, por exemplo, venceu a categoria de Melhor Narrativa em um ano considerado fraco, mas não conseguiu vaga na disputa principal.

Mesmo com a opinião dos críticos se tornando mais favorável a jogos licenciados, o teto ainda é baixo. Nenhum dos títulos mencionados alcançou a nota 90 no Metacritic, considerada um marco de excelência. Alien: Isolation, hoje visto como um clássico do survival horror, tem nota 79. Indiana Jones, amplamente elogiado, também não passou da barreira dos 90. Isso pode estar relacionado à dificuldade de equilibrar as expectativas de uma franquia consagrada com as demandas de um grande jogo, além das restrições impostas pelos detentores da licença.

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Fonte da imagem: Polygon

As exceções que confirmam a regra são instrutivas. Os jogos do Homem-Aranha, da Insomniac Games, contam com o prestígio do estúdio e o alto orçamento da Sony, conseguindo notas mais altas que qualquer outro jogo licenciado, com exceção de Batman: Arkham Asylum e Arkham City. Já Shadow of Mordor se destacou por um elemento inovador de design, o Sistema Nemesis, que chamou a atenção independentemente da licença.

007 First Light é um bom jogo, com mecânicas únicas, mas parece estar um pouco aquém dessas janelas de oportunidade. No fim das contas, é apenas mais um jogo licenciado. James Bond pode ser um grande nome no cinema e na cultura pop, mas na comunidade dos games, ele não é Leon S. Kennedy. Para piorar, a Insomniac Games está prestes a lançar seu jogo do Wolverine ainda este ano, que pode roubar a atenção e a vaga que Bond poderia almejar.

As reviews de 007 First Light o apontam como o melhor jogo do espião desde GoldenEye, mas também destacam que ele não é tão bom quanto um jogo de Hitman — gênero no qual a IO Interactive é especialista. A sina dos jogos licenciados no The Game Awards, portanto, continua: mesmo com qualidade, o preconceito histórico e a concorrência de títulos originais ou de estúdios consagrados dificultam o reconhecimento máximo.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/007-first-light-goty-chances/.

Fonte: Polygon.

Polygon.com.

2026-05-31 13:00:00

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