Andrew Stanton, veterano da Pixar e diretor de clássicos como Procurando Nemo e Wall-E, finalmente aceitou dirigir um filme da franquia Toy Story. Em entrevista ao Polygon, ele revelou que o principal motivo foi o medo de que alguém pudesse ‘estragar’ a série. Stanton, que foi o segundo animador contratado pelo estúdio e trabalhou em praticamente todos os filmes da Pixar, nunca havia dirigido um Toy Story antes. Agora, ele comanda o quinto capítulo da saga, que chega aos cinemas em 19 de junho de 2026.
A decisão não foi imediata. Stanton conta que foi convidado para o projeto, mas inicialmente não estava nos seus planos. ‘Sendo bem franco, pensei: alguém pode estragar isso, e eu odiaria ver algo errado’, disse. Como já havia participado da escrita dos filmes anteriores, ele propôs escrever um primeiro rascunho do que gostaria de ver. Apresentou a ideia a Pete Docter, Jim Morris, Jonas Rivera e Bob Iger, que aprovaram. ‘Você precisa realmente amar a ideia para conviver com ela por quatro anos e lidar com altos e baixos’, explicou.

Stanton passou o verão escrevendo a base de Toy Story 5, focando no que gostaria de explorar em termos pessoais, de personagem e de trama. Ele admite que não tinha tudo resolvido, mas indicou o caminho que queria seguir. A partir daí, sua prioridade foi montar uma equipe. ‘Nunca gostei de fazer esses filmes sozinho. Aprendi a fazer um filme da Pixar em equipe, como parte de uma banda’, afirmou. Para ele, a teoria do autor é ‘besteira’ — um filme é resultado do trabalho conjunto de diretor de fotografia, diretor de arte, roteirista e outros.
O diretor escalou McKenna Harris, 30 anos mais jovem, que nasceu quando o primeiro Toy Story foi lançado. Stanton viu Harris em uma sala de brainstorming e ficou impressionado com as ideias. ‘Terminávamos as frases um do outro’, lembrou. Harris trouxe uma perspectiva diferente, de quem cresceu com os filmes em outra era. Stanton o convenceu dizendo: ‘Você não é jovem demais, está na idade perfeita’. A parceria deu certo e eles se tornaram co-roteiristas. Stanton também viu na direção uma oportunidade de ensinar o que sabe sobre fazer filmes na Pixar para uma equipe que, em grande parte, entrou no estúdio nos últimos 10 ou 15 anos.

A trama de Toy Story 5 gira em torno de Bonnie, a criança dona dos brinquedos, que ganha um tablet chamado Lilypad. Os brinquedos precisam competir com a tecnologia pela atenção dela. Stanton explica que não quer transformar a tecnologia em vilã. ‘Estamos tentando nos apoiar na verdade da infância hoje, como todos os outros filmes da franquia’, disse. Pais e filhos lidam com os aspectos positivos dos dispositivos, e há o medo de deixar as crianças para trás. A abordagem é mostrar a confusão da vida real. ‘O que os brinquedos querem? Ajudar a criança a crescer. Os dispositivos também querem, mas têm atitudes diferentes sobre como fazer isso’, comparou. A equipe só entendeu o conceito quando definiu Lilypad como ‘um pai helicóptero que também é seu assistente pessoal’.
O filme aborda um momento crucial da infância que não foi explorado antes: a decisão de se expandir socialmente para além do círculo de segurança e tentar fazer amigos. ‘É como chamar alguém para sair. Se você for ridicularizado ou rejeitado, isso pode te marcar para o resto da vida’, afirmou Stanton. Para uma criança de oito anos, isso é tudo. Tanto os brinquedos quanto os dispositivos concordam que o risco é alto. ‘Essa é a beleza de Toy Story continuar: passamos para outra criança, com outra trajetória, outra infância, mas com coisas universais com as quais todos nos identificamos’, completou.

Outro desafio foi a substituição de atores que faleceram desde Toy Story 4: Don Rickles (Sr. Cabeça de Batata), Estelle Harris (Sra. Cabeça de Batata) e Carl Weathers (Combat Carl). Stanton conta que a equipe pensou em uma solução criativa — os brinquedos perderiam os lábios e encontrariam outros usados, justificando novas vozes — mas desistiram porque pararia o filme. Felizmente, encontraram Jeff Bergman e Anna Vocino, que soam exatamente como os originais. Já Ernie Hudson, que substitui Carl Weathers, surpreendeu: ‘Ele tem 80 anos e braços maiores do que eu poderia imaginar. Pensei que tivesse 60’, disse Stanton.
Sobre o futuro da Pixar, Stanton afirma que não há um grande plano. O estúdio sempre investiu em novos talentos, como Daniel Chong (Hoppers), Domee Shi (Turning Red, Elio), Carrie Hobson e Michael Yates. ‘A única coisa que sabemos é capitalizar o talento que temos e a química do trabalho em equipe’, disse. As sequências sempre fizeram parte da história da Pixar — o terceiro filme do estúdio já foi uma sequência. ‘Não sobrevivemos sem fazer uma sequência ocasional para bancar os filmes originais, mas nos matamos para garantir que as sequências sejam algo que queiramos assistir’, explicou. Essa estratégia, segundo ele, começou em 1997 com Toy Story 2 e nunca mudou. ‘O fato de ainda estarmos aqui para falar sobre isso prova que funciona.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/toy-story-5-director-interview/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-22 15:00:00








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