Ex-diretor da BioWare revela plano de reboot de Star Wars: The Old Republic rejeitado pela EA e fala sobre burnout

James Ohlen, ex-diretor do MMO Star Wars: The Old Republic e veterano de 22 anos da BioWare, revelou em entrevista ao PC Gamer os bastidores de sua saída da empresa em 2018, após um ambicioso plano de reboot do jogo ser rejeitado pela publisher Electronic Arts. Ohlen, que também liderou o estúdio Archetype Entertainment até o ano passado, detalhou o desgaste físico e emocional que o levou a deixar cargos de liderança.

Ohlen é conhecido por seu trabalho em clássicos como Baldur’s Gate, Neverwinter Nights e Star Wars: Knights of the Old Republic, onde atuou como designer principal. Foi justamente esse prestígio que levou os então chefes da BioWare, Ray Muzyka e Greg Zeschuk, a convidá-lo para comandar o novo estúdio em Austin, responsável pelo MMO Star Wars: The Old Republic. “Eu odiava jogos multijogador massivos. Mas tudo bem, eu vou fazer”, disse Ohlen, que logo percebeu que o projeto seria interminável e exigiria gerenciar conflitos entre designers de egos inflados.

O ponto de virada veio quando Ohlen passou seis meses elaborando uma proposta para um reboot completo do jogo, que seria rebatizado como Star Wars: The New Republic. Ele conseguiu o sinal verde da então presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, e do chefe criativo de Star Wars, Dave Filoni, que sugeriu ambientar a história “alguns séculos antes da queda da República” — período que lembra a iniciativa The High Republic, posteriormente explorada pela Lucasfilm.

O maior obstáculo interno era Patrick Söderlund, então diretor de design da EA, que “odiava Star Wars: The Old Republic”. Ohlen considera ter convencido Söderlund como “uma das maiores conquistas da minha carreira”. No entanto, o conselho de administração da EA não se deixou convencer. “Eles lembraram que gastaram US$ 300 milhões”, contou Ohlen, referindo-se aos altos custos de desenvolvimento do MMO. “Eles disseram: ‘Por que diabos vamos gastar mais?'”

Para Ohlen, a recusa foi “o começo do fim”. Ele refletiu sobre a situação com empatia pelos executivos da EA: “A única maneira de passar pela vida é ter empatia por todos, inclusive por quem te causa dor. Pensei pela ótica da EA e vi que não fazia sentido me empoderar. Se eu estivesse lá, não o faria. Então precisei sair.”

O designer descreveu o sentimento de inutilidade que o acompanhava: “Eu dizia às pessoas que era uma pessoa altamente paga e completamente inútil. Todo mundo pensa que sou super útil por causa da minha reputação, mas ninguém parece perceber, exceto eu. Pesquisas mostram que sentir que você não está realizando nada é a maior causa de burnout.”

A saída da BioWare não foi o fim de sua trajetória. Ohlen liderou a Archetype Entertainment, estúdio formado por veteranos da BioWare que desenvolve Exodus, um ambicioso projeto no estilo Mass Effect estrelado por Matthew McConaughey, com previsão de lançamento para 2027 — oito anos de produção. No entanto, a experiência como chefe de estúdio também cobrou seu preço. “Sempre disse a todos que nunca deveria ser chefe de estúdio porque isso me mataria. E quase me matou. Foram seis anos quase me matando”, afirmou.

“Eu estava no limite, prejudicando minha saúde, minha vida pessoal, tudo. Precisava me afastar. Como criativo, você se importa demais com tudo, e como chefe de estúdio, precisa cortar o bebê ao meio o tempo todo e ter sua visão atacada constantemente. Não me colocaria nessa situação de novo; não é um lugar saudável”, completou.

Atualmente, Ohlen dedica-se a escrever livros de aventura RPG ao lado de Jesse Sky, ex-colega da BioWare e Archetype que agora é diretor criativo de Exodus. O jogo, que promete saciar a saudade dos fãs de Mass Effect, segue em desenvolvimento e deve ser lançado no próximo ano.

IGN Articles.

2026-05-15 10:39:00

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/star-wars-the-old-republic-director-james-ohlen-discusses-bioware-exit-after-ea-killed-new-republic-reboot.

Fonte: IGN.

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