Night City é daquelas cidades que grudam na memória. A estética neon e cromada, a podridão corporativa que domina cada esquina e a crise de identidade de V, com a ajuda (ou atrapalhação) de Keanu Reeves, constroem uma distopia difícil de esquecer. Quando os créditos sobem, a sensação é de que algo ficou faltando. Se você está sofrendo da ‘depressão pós-Cyberpunk 2077’, saiba que não está sozinho. A CD Projekt Red não inventou o neon distópico, e existem muitos títulos por aí que ou mergulham de cabeça no cyberpunk ou têm uma pegada parecida. Selecionamos oito jogos que vão te ajudar a preencher esse vazio. Alguns são mais próximos de Night City do que outros, mas todos têm sistemas falhos, pessoas piores e motivos de sobra para continuar jogando.

Deus Ex: Mankind Divided — Conspirações corporativas, ética da aumentação e um protagonista em conflito com o próprio corpo. No futuro de 2029, Adam Jensen é jogado em uma missão para impedir um grupo de traficantes de armas de vender equipamentos e aumentos ilegais. A missão dá errado quando mercenários mascarados com máscaras douradas transformam tudo em um tiroteio. Tem Illuminati, hackers underground e Praga, onde você vai se esconder em estações de metrô, invadir escritórios e tentar descobrir qual conspiração é a mais importante. O jogo começa em um resort de luxo abandonado em Dubai, durante uma tempestade de areia. Conforme você descobre que grupos terroristas estão cometendo atos violentos para manter a humanidade dividida e com medo, a pergunta é: o que Jensen pode fazer para manter a sociedade unida quando os terroristas aumentados têm planos bem diferentes?

Watch Dogs: Legion — Controle e paranoia, mas sem o RPG. Um grupo misterioso chamado Zero Day incriminou o coletivo hacker DedSec por bombardeios em Londres. A missão é limpar o nome do grupo e se reconstruir. Mas Londres virou um estado de vigilância autoritário, e DedSec é o inimigo público número um. A grande sacada é que, em vez de controlar um personagem fixo como V, você pode recrutar qualquer pessoa na rua e enviá-la para o combate com um carro-espia invisível. As habilidades de hacking, stealth e tiroteio estão lá, mas a liberdade de escolher quem você quer ser é o grande diferencial.

The Witcher 3: Wild Hunt — A mesma espinha dorsal de escolhas difíceis, mas em um mundo de fantasia. Geralt de Rivia, um caçador de monstros mutante, está em busca de sua filha Ciri, que foge do Wild Hunt, uma exército fantasma que quer seus poderes. A ajuda vem de sua ex, a feiticeira Yennefer. Apesar de não ser cyberpunk, o jogo da CD Projekt Red tem histórias sombrias e esquemas complexos nos bastidores, assim como Cyberpunk 2077. A diferença é que aqui você troca a moto por um cavalo e a pistola por uma espada. Jogar os dois é uma ótima maneira de perceber que a CD Projekt Red trata ‘boa escolha’ como um conceito altamente negociável.

The Ascent — Colapso corporativo e muitos tiroteios. O Ascent Group é uma megacorporação que controla uma torre do tamanho de uma cidade no planeta Veles. Você começa como um trabalhador endividado, fazendo manutenção no nível mais sujo da torre, o deepStink. Seu futuro é reiniciar o sistema de gerenciamento de resíduos até que o Ascent Group vai à falência de repente e a torre desliga. Você não sabe o porquê, mas precisa descobrir rápido antes que a anarquia corporativa vire um banho de sangue. A estética futurista e o comentário sobre monopólios corporativos vão te fazer sentir em casa. A vista é isométrica e o escopo é mais fechado que o mundo aberto de Cyberpunk 2077, mas a experiência de entrar em um bairro neon e encontrar 700 pessoas querendo atirar em você é igualmente satisfatória.

Cloudpunk — Sem tiroteio, mas com uma entrega que você nunca vai esquecer. Em Cloudpunk, você é Rania, uma entregadora de um serviço ilegal de entregas. As regras são simples: não atrase nenhuma entrega e nunca abra o pacote. Na sua primeira noite de trabalho, você recebe tarefas cada vez mais suspeitas e descobre o quão precária é a infraestrutura da cidade. V pode não ter que lidar com a apreensão de propriedade pela DebtCorp, mas tanto V quanto Rania navegam por cidades verticais escuras, cheias de corrupção tecnológica e hologramas brilhantes. Não há combate, mas a pergunta sobre se a tecnologia realmente melhora a vida quando quem a controla não se importa com você é a mesma.

Ghostwire: Tokyo — Uma cidade quebrada no futuro próximo, mas com algo diferente escondido. Akito, o protagonista, sofre um acidente de bicicleta e morre, mas é revivido por um detetive espectral chamado KK, que o possui. Eles formam uma dupla improvável para investigar uma névoa mortal que transforma as pessoas em pilhas de roupas e espíritos. A irmã de Akito, Mari, é sequestrada e vira combustível para os planos do ocultista. Ghostwire: Tokyo é mais sobre lendas urbanas do que sobre ganância corporativa, mas explora ambientes densos e futuristas, com combate usando tecnologia avançada ou magia. E ainda tem habilidades ninja de stealth.

Observer — Um detetive que invade a mente de cadáveres. Daniel Lazarski, um detetive neural, recebe uma chamada de socorro do filho distante. Ele rastreia a ligação até um apartamento, mas o prédio entra em lockdown. O mundo de Observer foi devastado por uma praga digital chamada nanophage. A sociedade pós-guerra é dividida em classes, e a polícia ciberneticamente aumentada resolve crimes invadindo mentes. Daniel, preso no prédio do filho, investiga um assassinato para encontrá-lo, invadindo as mentes dos moradores, inclusive dos mortos, e vivenciando memórias surrealistas e aterrorizantes. A diferença é que Observer é um jogo de terror psicológico em primeira pessoa, enquanto Cyberpunk 2077 é um RPG de mundo aberto. Mas ambos questionam até onde você pode substituir partes de si mesmo antes de deixar de ser você.

VA-11 HALL-A — Bartender no fim do mundo. Jill Stingray é uma bartender cínica, mas empática, no bar VA-11 HALL-A, em Glitch City. A história é íntima: você não quer ser uma lenda em Night City ou salvar o mundo. Você ouve as esperanças e tragédias dos clientes. Em Glitch City, nanomáquinas controlam a vida humana, mas o que prende são as questões pessoais: contas para pagar, solidão, coração partido. O jogo é um simulador de bartender, onde você influencia os destinos dos personagens ao descobrir o que eles realmente querem beber e misturar a bebida certa, mesmo que não seja exatamente o que pediram.

Nenhum desses jogos vai te devolver Night City, mas todos oferecem mundos distópicos para se perder. Troque conspirações corporativas por ocultismo, V por uma bartender, Johnny Silverhand pelas memórias de um detetive morto. Hackeie, atire, se esconda, entregue pacotes ou apenas sirva uma bebida e ouça alguém reclamar da vida. Afinal, é isso que nos atrai no cyberpunk: ver o que acontece com as pessoas comuns quando o futuro fica muito, muito estranho.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/games-like-cyberpunk-2077/.
Fonte: Polygon.
2026-08-12 16:30:00








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