O novo filme de Street Fighter chegou aos cinemas e, entre acertos e tropeços, comete um erro que a franquia rival Mortal Kombat já havia aprendido na prática: deixar o torneio de lado. Para quem acompanha os games, essa é justamente a estrutura mais óbvia — e a mais desperdiçada.
A trama se apoia em Street Fighter II, decisão acertada, já que o segundo jogo é o mais famoso da série. O longa incorpora o primeiro World Warrior e a vitória de Ryu sobre Sagat na abertura animada, em 2D, para dar contexto a Ryu e Ken. Seis anos depois, M. Bison organiza um segundo torneio World Warrior com um objetivo claro: atrair Ryu para roubar seu Hado, a energia por trás do Hadoken.
O problema é que o torneio, tecnicamente, existe — mas quase nunca importa. Bison demonstra interesse apenas protocolar, sequestra Ryu logo no início e parte para o laboratório para drenar seu poder. Ken quer o título para provar seu valor ao falecido mestre Gouken, mas essa busca ocupa só parte de seu arco. Ryu nem compete, já que é capturado antes da disputa, mesmo tendo derrotado E. Honda para garantir vaga. Chun-Li, a única mulher que competia no jogo, também fica fora da ação principal.
O resultado é uma experiência confusa: o torneio começa no segundo ato, com uma luta já encerrada, e Guile é eliminado fora de cena por Vega. Outros confrontos são pulados, e várias decisões acontecem por desistência, porque o personagem está ocupado com outra subtrama. Personagens queridos como Guile e Zangief quase não lutam, fora uma briga solta em uma boate no começo. Para um filme de Street Fighter, falta luta — e falta um motor narrativo que o torneio ofereceria de graça.
A comparação com Mortal Kombat é inevitável. O reboot de 2021 tentou apresentar Cole Young e evitou o próprio torneio, com Shang Tsung tentando impedir que ele acontecesse. A recepção negativa levou a sequência, Mortal Kombat II, a colocar a disputa no centro da história e trazer ícones como Kitana e Johnny Cage, abandonando conceitos como as tatuagens de Arcana. Ou seja, a lição estava dada.
Street Fighter ainda aposta em um clímax entre Ryu e Akuma, com Bison fugindo para uma possível continuação, mesmo tendo sido o antagonista do filme inteiro. Akuma é apresentado como rival de Ryu em flashbacks e dizem que ele enfrentaria o vencedor do torneio — o que soa vazio quando Ryu não venceu nada.
Visão Gamer: Para fãs de longa data, a ausência de um torneio com peso narrativo tira justamente o que os jogos oferecem de mais reconhecível: confrontos icônicos e progressão clara. Quando uma adaptação ignora essa estrutura, o filme perde o gancho que conectaria o público às lutas e aos personagens.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-street-fighter-movie-makes-a-mistake-mortal-kombat-already-learned-from.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-10-17 12:00:00








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