Após anos de silêncio, a franquia Silent Hill vive o que muitos chamam de renascimento. A Konami, que já viu a Bloober Team realizar o improvável com o remake de Silent Hill 2 e a NeoBards Entertainment surpreender com Silent Hill f no ano passado, agora aposta todas as fichas em Silent Hill: Townfall, previsto para setembro. O jogo, desenvolvido pela Screen Burn Interactive, estúdio conhecido por títulos independentes de terror, pode fechar com chave de ouro essa trinca de lançamentos de peso.
As informações sobre o game eram escassas desde seu anúncio, mas uma demonstração fechada durante o Summer Game Fest Play Days deste ano finalmente jogou luz sobre o projeto. Em uma sessão de 30 minutos, o jornalista Giovanni Colantonio, do Polygon, pôde conferir uma experiência assustadora, repleta de névoa, tecnologia ultrapassada e alguns dos cenários mais realistas já vistos em um jogo. A proposta é mais lenta e contemplativa que a de Silent Hill f, mas a Screen Burn parece ter ideias fortes o suficiente para sustentar um título que, à primeira vista, parece simples.

A demo começa na cidade fictícia de St. Amelia, um vilarejo britânico envolto em neblina, situado em 1996. O protagonista, Simon Ordell, é apresentado sentado perto de uma estátua rodeada por cartazes de protesto. Fica claro que há uma tensão entre os moradores locais e uma empresa que está piorando a vida de todos, mas o conflito é apenas sugerido. A maior parte da demonstração se concentra em Simon explorando a cidade vazia em primeira pessoa, sem qualquer interface na tela para guiá-lo.
St. Amelia, na verdade, parece ser a verdadeira protagonista. Cada canto da cidade é impressionantemente fotorrealista, algo surpreendente para um projeto menor de um estúdio indie. Os interiores são meticulosamente detalhados, recriando cozinhas britânicas autênticas e os computadores desktop da época. Em 2026, com o padrão gráfico tão elevado, é difícil impressionar, mas a Screen Burn está realizando um feito técnico notável.
A única direção que Simon tem ao explorar a cidade vem de uma pequena TV de tubo portátil, que pode ser sintonizada em diferentes canais. Um deles exibe uma série de imagens enigmáticas através de estática. Ao examinar de perto, fica claro que as imagens apontam para um prédio específico. Seguindo as pistas, Simon chega a uma casa aparentemente abandonada, onde começa um quebra-cabeça clássico de Silent Hill: encontrar uma lanterna, combiná-la com pilhas para fazê-la funcionar, descobrir uma combinação para destrancar um recipiente de órgãos, e assim por diante. A Screen Burn também brinca com a tecnologia da época nos puzzles; em um deles, Simon precisa caçar um cartão pré-pago para religar a eletricidade da casa.

Claro, sair à rua é perigoso. Simon logo cruza com uma criatura carnuda, com um machado na cabeça e envolta em uma camisa de força. É aí que Townfall se revela mais do que uma simples caminhada por ambientes detalhados. Ao sintonizar um segundo canal da TV, Simon consegue rastrear a posição do monstro através das paredes. Ele também pode se encostar em cantos e espiar cuidadosamente para garantir que o caminho está livre. Esses elementos proporcionam fortes momentos de furtividade, enquanto Simon tenta se manter longe da criatura e encontrar o cartão de que precisa.
Atacar é uma opção, mas apenas como último recurso. No final da demonstração, Simon encontra uma tábua de madeira e enfrenta o monstro na rua. Depois de alguns golpes lentos e de usar a madeira para bloquear, a criatura o derruba. Simon pode ganhar uma segunda chance graças a alguns tubos em sua mão que o revivem uma vez após a morte (e ele pode se curar com gaze), mas fica claro que mesmo um único monstro é demais para ele. Ele é o rato em uma cidade cheia de gatos.
Silent Hill: Townfall é certamente mais lento e minimalista que Silent Hill f. Suas reviravoltas na jogabilidade são sutis, e a ênfase está em criar uma forte sensação de atmosfera. As ideias apresentadas, no entanto, parecem ter potencial para manter o jogo único. A expectativa é que a TV portátil tenha muitos outros truques e que os puzzles focados em tecnologia se tornem mais complexos. A proposta de um Silent Hill cerebral, melancólico e com ação mínima é bem-vinda, especialmente considerando que o combate era o ponto mais fraco de Silent Hill f. Se a Screen Burn conseguir manter a tensão sem tornar o jogo arrastado, Townfall deve manter vivo o inesperado renascimento de Silent Hill por mais um ano.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/silent-hill-townfall-demo-preview-summer-game-fest/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-08 16:30:00








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