Os PCs portáteis para jogos se tornaram, nos últimos cinco anos, uma das formas favoritas de jogar para muitos entusiastas. A cada ano, o hardware fica mais potente — como o Intel Arc G3 Extreme — e os sistemas operacionais da Microsoft e da Valve evoluem. Se fosse possível ignorar os custos, os lançamentos recentes seriam quase impecáveis. O Xbox Ally X trouxe pela primeira vez uma interface amigável para controles no Windows, e o MSI Claw 8 EX AI+, com seus componentes internos impressionantes, roda jogos em configurações acima do mínimo com uma taxa de quadros que não causa enjoo. Mas os preços não podem ser ignorados. Enquanto o Xbox Ally X ainda não subiu de preço (por enquanto), o MSI Claw 8 EX AI+ custa US$ 1.799, um valor que torna a compra difícil de justificar.
Antes do Steam Deck, o Nintendo Switch era uma opção, mas a maioria dos jogos da Nintendo não agradava a todos. Muitos acabavam comprando títulos que já possuíam no Steam, como Shovel Knight e Stardew Valley, apenas para jogá-los em qualquer lugar. O Steam Deck mudou esse cenário. Apesar de ser um pouco mais volumoso, era confortável e eliminava a necessidade de recomprar jogos favoritos. O único problema era o desempenho em jogos AAA: era preciso reduzir bastante a resolução e as configurações, aceitando taxas de 30 a 40 fps na maioria das vezes. Ainda assim, valia a pena para jogos independentes, e muitos passaram a jogar mais esse tipo de título pela flexibilidade.
Com o tempo, novos concorrentes surgiram. O ROG Ally original e o Lenovo Legion Go tornaram o jogo em 1080p mais viável, mas ambos usavam o AMD Ryzen Z1 Extreme, um chip com mais núcleos gráficos que o Steam Deck, porém baseado na arquitetura RDNA 3, já defasada quando foi lançado. Na CES 2025, a Lenovo apresentou o Legion Go S, o primeiro portátil não-Valve com SteamOS oficial. No estande da Lenovo, o engenheiro da Valve Pierre-Loup Griffais revelou que a empresa esperava um chip de verdadeira próxima geração para o Steam Deck 2. Na época, o Z2 Extreme parecia ser esse chip, mas não foi o que aconteceu.
O Legion Go 2, primeiro portátil testado com o Z2 Extreme, decepcionou um pouco. Era mais rápido que o Z1 Extreme, mas a AMD optou por uma GPU RDNA 3.5 em vez da RDNA 4, o que melhorou a bateria, mas fez com que em alguns testes o Legion Go 2 fosse mais lento que o ROG Ally X, que usa um chip mais antigo. Isso indicava um período de melhorias incrementais, o que não é necessariamente ruim, pois permitiria comprar modelos anteriores sem perder muito desempenho.
Na CES 2026, a Intel anunciou o Panther Lake, sua nova linha de CPUs móveis com gráficos integrados impressionantes. O Asus ZenBook Duo, equipado com esse chip, despertou o desejo de tê-lo em um portátil. Cerca de seis meses depois, o MSI Claw 8 EX AI+ chegou com o Arc G3 Extreme, essencialmente um Panther Lake com alguns núcleos de CPU desativados. Esse portátil superou todos os dispositivos com Z2 Extreme, mas foi lançado durante a crise de preços de memória RAM, que elevou os custos de todo o hardware de jogos.
O preço do MSI Claw 8 EX AI+ é difícil de engolir. Seu antecessor, o MSI Claw 8 AI+, foi lançado por cerca de US$ 899 e sofreu aumentos ao longo de 2025. O novo modelo é muito superior, com melhor experiência de software, mas custa mais que o dobro. Pelo menos, ele oferece o melhor desempenho entre os portáteis convencionais, o que pode atrair quem tem orçamento generoso.
A Lenovo também aumentou os preços. O Legion Go 2, com tela OLED, agora custa US$ 1.999 na Best Buy, mais caro que o Claw 8 EX AI+ mesmo tendo desempenho inferior. Uma versão open-box pode ser encontrada por US$ 1.334, mas com o processador AMD Ryzen Z2 não-Extreme, mais fraco.
A alta de preços não atinge apenas os modelos topo de linha. O Steam Deck, que era uma opção acessível, saiu da lista de melhores portáteis da IGN pela primeira vez desde 2022, pois a Valve aumentou o preço em até US$ 300. Agora, o modelo novo mais barato custa US$ 789, o que não vale a pena quando o Xbox Ally (não-X) ainda custa US$ 599. Os dois portáteis Xbox da Asus são atualmente as únicas boas opções em termos de custo-benefício, mas há o temor de que a Asus também aumente os preços, como já fez em algumas regiões, segundo o Windows Central, embora os EUA ainda estejam isentos.
A memória RAM é um dos principais fatores de custo em um portátil, mais até do que em um desktop potente. Se o preço de 32GB de RAM subir de US$ 150 para mais de US$ 400, o impacto em um portátil de US$ 800 é muito maior do que em um desktop de US$ 3.000 com uma RTX 5080. A demanda pelo Steam Deck já caiu após o aumento de preço, e é provável que o Legion Go 2 também sofra com isso.
Antes dos aumentos, o Steam Deck era atraente como um segundo dispositivo, mas quando o preço se aproxima de US$ 1.000, é natural esperar mais desempenho. Com os preços atuais, a diferença entre um portátil e um desktop não mudou muito, mas a percepção de que o portátil é mais caro pode ser um golpe para a categoria. A esperança é que a crise de RAM acabe, mas as três grandes fabricantes de memória já venderam sua capacidade de produção para 2027, o que indica que os preços não devem cair tão cedo. Resta um sentimento ambíguo: entusiasmo com o futuro dos portáteis, mas preocupação com os custos, que podem inviabilizar o mercado se continuarem subindo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/i-love-handhelds-but-im-worried-the-ram-crisis-is-going-to-kill-them.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-08-15 16:00:00








Deixe um comentário