Quando a Nintendo anunciou o preço do Switch 2 em abril de 2025, a reação foi de choque. US$ 450 — 50% a mais que o Switch original no lançamento e equivalente ao PlayStation 5 básico. Era o console mais caro da história da Nintendo, mesmo ajustado pela inflação. Para um portátil, parecia um valor arriscado. Executivos foram pressionados, analistas de sofá previam um fracasso. Mas o que ninguém imaginava é que, 14 meses depois, US$ 450 pareceria um achado.

A Nintendo afirmou que já havia considerado o impacto das tarifas naquele preço inicial, embora semanas depois tenha sido forçada a aumentar o custo de alguns acessórios. Os fãs mais dedicados, ávidos pelo novo hardware, não se intimidaram: o Switch 2 voou das prateleiras em um ritmo sem precedentes. Mas ainda havia dúvidas sobre se o preço afastaria o público de massa. O que aconteceu em seguida mudou completamente o cenário.
Ao longo do verão americano, os preços de Xbox, PlayStation 5 e até do Switch original subiram nos Estados Unidos. E isso foi só o começo. As preocupações com tarifas foram rapidamente ofuscadas por uma crise muito mais grave: uma escassez global de chips de memória rápida para RAM e armazenamento, impulsionada pela expansão desenfreada de datacenters de inteligência artificial. No final de 2025, a tempestade chegou. Os preços dispararam.

A Xbox aumentou seus preços pela segunda vez em seis meses. O grande lançamento de hardware do ano, o ROG Xbox Ally, chegou ao mercado com um valor impressionante de US$ 1.000 para o modelo premium. Logo, o PlayStation 5 básico passou a custar US$ 600. De repente, o Switch 2 parecia uma pechincha. A Nintendo, que antes era criticada, agora parecia ter sido extremamente esperta.
Mas a situação evoluía tão rápido que logo começaram a surgir novas preocupações: em vez de caro demais, o Switch 2 estaria barato demais? Será que a Nintendo seria forçada a um aumento humilhante de preço, comprometendo sua posição no mercado? Quando a empresa reduziu ligeiramente a produção do Switch 2, analistas começaram a fazer previsões catastróficas.

A resposta veio em setembro: um aumento moderado de US$ 50, elevando o preço para US$ 500. A Nintendo conseguiu se proteger dos piores efeitos da crise de memória RAM graças a uma combinação de fatores: sua abordagem tradicional de especificações mais enxutas (o Switch 2 tem apenas 256 GB de armazenamento e 12 GB de RAM), seu enorme poder de compra como fabricante e uma precificação inicial acertada. A Valve, sem essas vantagens, foi forçada a aumentar o preço do Steam Deck para US$ 789 — quase US$ 300 a mais que o Switch 2, para um portátil com potência comparável.
Até a Nintendo, com décadas de experiência no varejo de jogos, às vezes erra. A decisão de precificar Mario Kart World em US$ 80, na expectativa de que outros seguiriam o exemplo, agora parece prematura. Mas acertou o número mais importante. Um console Nintendo de US$ 500 já teria sido considerado impensável. Depois de toda a turbulência do último ano, a Nintendo se encontra novamente onde gosta de estar: com o console de videogame mais acessível do mercado. Em tempos como os atuais, essa pode ser uma vantagem mais valiosa do que nunca.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/nintendo-switch-2-price-analysis-one-year-on/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-05 10:00:00








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