Por que os primeiros cabos de ethernet eram amarelos? A resposta envolve segurança e um toque de estilo

Se você já mexeu em uma rede de computadores, provavelmente viu cabos ethernet de várias cores: azul, preto, branco, cinza, verde, amarelo, até marrom e vermelho. Mas você sabia que, quando o ethernet foi criado, na década de 1970, todos os cabos eram amarelos? E não era por acaso: havia uma razão estética e, principalmente, uma questão de segurança.

A revelação veio de Rich Seifert, um dos criadores da especificação do ethernet, durante uma apresentação no Vintage Computer Festival deste ano, intitulada History of Ethernet: Musings of an Early Networker. Seifert, que também é engenheiro e autor de referência sobre o assunto, contou que escolheu o amarelo por dois motivos.

O primeiro é simples: ele gosta da cor. É a minha cor favorita. Eu dirigia um carro amarelo, tenho móveis amarelos, disse Seifert na palestra. Para ser mais específico, o tom escolhido foi o amarelo Corvette 1968, que os entusiastas de carros chamam de Safari Yellow, uma cor que se destacava entre os tons de Corvette dos anos 60 e 70.

Sharkfest
Fonte da imagem: Pcgamer

Mas o segundo motivo era muito mais prático e, na época, crucial. Hoje, o ethernet é normalmente transmitido por cabos de par trançado, finos e flexíveis. No entanto, no início, o sistema usava um cabo coaxial muito mais grosso, que exigia uma conexão física chamada vampire tap (derivação vampiro), um dispositivo que mordia o cabo metálico, atravessando a blindagem de borracha, para fazer contato.

O problema é que esses cabos eram instalados em tetos e passavam por toda parte, e os instaladores precisavam descer as derivações do teto para conectar os transceptores. Se alguém perfurasse o cabo errado por engano, poderia acabar atingindo um cabo de energia elétrica. Seifert explicou: Isso era pendurado nos tetos, corria por todo lugar e você soltava as derivações do teto. Para conectar um transceptor, era preciso grampear, então você literalmente tinha que perfurar o cabo. Havia muitos cabos lá em cima. Eu não queria que ninguém perfurasse um cabo de energia. Isso não seria uma boa ideia. Então, quis garantir que fosse possível distinguir o cabo de energia do cabo ethernet, e por isso o deixei o mais brilhante possível.

A preocupação com a segurança era tão grande que Seifert fez questão de que todos os cabos ethernet tivessem essa cor vibrante, para evitar acidentes fatais. A escolha do amarelo, portanto, não foi apenas uma preferência pessoal, mas uma medida de proteção.

A apresentação deste ano não está disponível online, mas uma versão mais antiga da palestra, de 2013, no Sharkfest, cobre o mesmo assunto e está disponível no YouTube. Nela, Seifert conta a mesma história e mostra o cabo original, que ele guarda em casa, cortado de um carretel.

Razer
Fonte da imagem: Pcgamer. Razer Blade 16 gaming laptop

O ethernet, quando foi codificado, estava muito à frente do seu tempo. Ele suportava uma capacidade de 10 megabits por segundo, uma velocidade que os computadores da época levariam anos para conseguir usar por completo. Além disso, era uma tecnologia que consumia muita energia. Hoje, os controladores de ethernet são microchips onipresentes, que mal notamos, mas no início dos anos 80, era preciso um par de placas de circuito de 9×12 polegadas, que custavam cerca de US$ 3.000, e consumiam algo em torno de 60 watts.

Para efeito de comparação, um Raspberry Pi 5, que é um computador completo, com controlador de ethernet incluído, funciona com uma fonte de 27 watts. Ou seja, a evolução é imensa, tanto em tamanho, custo e consumo de energia.

A história de Seifert mostra como decisões de design, mesmo as mais simples, podem ter um impacto duradouro e, no caso, até salvar vidas. A cor amarela, que hoje pode parecer apenas uma curiosidade, foi uma escolha consciente para evitar acidentes graves em uma época em que a instalação de redes era um trabalho muito mais arriscado.

Apesar de o ethernet ter evoluído e os cabos modernos virem em uma variedade de cores, a história do amarelo Corvette 1968 permanece como um marco importante na história da tecnologia, lembrando que até os detalhes mais simples podem ter uma grande importância.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/the-original-ethernet-cable-was-canonically-1968-corvette-yellow-to-distinguish-it-from-a-power-cable-because-you-literally-had-to-drill-into-it-to-install-it/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-03 22:26:00

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