Outriders pode não ter virado a franquia gigante que a Square Enix esperava, mas o jogo da People Can Fly lançado em 1º de abril de 2021 antecipou uma estrutura que hoje domina o cenário dos shooters multiplayer. A lógica é conhecida: você e até mais dois jogadores saem de uma cidade-hub, entram em áreas hostis, derrubam inimigos, recolhem loot e voltam para a base para ajustar builds e repetir o ciclo. É exatamente o loop que sustenta Arc Raiders e Marathon, os shooters mais comentados de 2026.

A diferença é que Outriders não era um extraction shooter. As apostas eram mais baixas e não havia PvP, mas o feedback loop entregava uma sensação parecida. Ambientado no século 22, o jogo acompanhava um grupo de humanos que fugia da Terra rumo a um sistema estelar a cerca de 12 anos-luz de distância, segundo cálculos de fãs, para tentar estabelecer uma colônia. O problema é que o exoplaneta escolhido tinha formas de vida nada receptivas — e os colonos ainda ganharam superpoderes no pacote. Criogenia, anomalias planetárias e guerra civil davam base para uma campanha que prometia segurar o modo single-player, mas a experiência solo ficava devendo. Com amigos, porém, o jogo funcionava muito bem.

As quatro classes eram o grande atrativo. O Trickster criava bolhas de bullet time no estilo Matrix; o Technomancer apostava em torretas e minas terrestres; o Devastator tankava dano com escudos de pedra; e o Pyromancer incinerava multidões com fogo. No começo, qualquer classe dava conta dos inimigos sozinha, mas as batalhas ficavam bem mais duras depois, e combinar classes no esquadrão era essencial. Devastator segurava os golpes enquanto Trickster desviava e cortava inimigos; Pyromancer chamava atenção com o fogo e empurrava os inimigos para as armadilhas do Technomancer. O tiro também era de alto nível, o que não surpreende vindo da People Can Fly, estúdio responsável por Bulletstorm e Gears of War: Judgement.
Outro ponto inovador era o sistema de dificuldade. Em vez do tradicional fácil-médio-difícil, Outriders tinha 15 World Tiers que subiam junto com o personagem. Antes de cada missão, dava para escolher qualquer nível já desbloqueado: quanto mais alto, mais difíceis os inimigos e melhor o loot. Havia ainda ajustes que reduziam o grind, como a opção de filtrar automaticamente itens de raridade específica ou superior, evitando a triagem manual de loot comum.

O lançamento foi turbulento, com problemas de servidor, questões de balanceamento e outros perrengues típicos de jogos online da última década. A People Can Fly eventualmente estabilizou o jogo e até reconheceu os problemas com uma emote bem-humorada. Mais de 3 milhões de pessoas jogaram Outriders no primeiro mês, em parte graças à estreia no Xbox Game Pass, e a Square Enix chegou a dizer que o título estava no caminho para se tornar a próxima grande franquia da empresa.

Não foi o que aconteceu. A expansão Worldslayer, de 2022, não atraiu novos jogadores nem trouxe de volta a maioria dos que tinham parado, segundo dados da SteamDB. Entre 2024 e 2025, a People Can Fly passou por três rodadas de demissões e suspendeu dois projetos internos, um deles supostamente uma sequência de Outriders. Mesmo assim, os servidores do jogo continuam online — diferente do destino de muitos shooters multiplayer esquecidos.
Visão Gamer: Outriders mostrou que o ciclo de hub, combate e loot já funcionava bem antes de Arc Raiders e Marathon popularizarem o formato. Para quem curte extraction shooters hoje, o jogo segue como uma alternativa sem PvP e com foco em builds e coop, disponível nos servidores mesmo sem uma sequência confirmada.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/outridrers-retrospective-review-square-enix/.
Fonte: Polygon.
2026-10-09 22:58:00








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