O novo filme The Mandalorian and Grogu, o primeiro longa de Star Wars a chegar aos cinemas em sete anos, começa como uma aventura leve com os personagens-título pulando de planeta em planeta, se metendo em confusões e fazendo amizade com alienígenas lesmas bombadas como Rotta, o Hutt (voz de Jeremy Allen White). Mas, perto do final, a trama toma um rumo inesperado quando a Nova República talvez cometa um crime de guerra em massa.
Para contextualizar: o clímax se passa em Nal Hutta, planeta natal dos Hutts, onde o Mandaloriano (Pedro Pascal) e Grogu tentam resgatar Rotta das garras dos primos de Jabba, os Gêmeos. Os Hutts vilões assumiram o império do crime de Jabba e querem eliminar o filho dele. No fim, os Gêmeos acabam no mesmo poço de Dragão Serpente em que Mando foi jogado antes e são devorados pela própria criatura. Alguém avise aos Hutts para parar de esconder monstros horríveis nas cavernas subterrâneas de seus salões do trono.
Com Rotta a salvo e os Gêmeos eliminados, parece que o dia está salvo. Só que não: os Gêmeos tinham um exército de droides à disposição. Rotta e Grogu fogem enquanto Mando segura os droides o máximo que pode. Aí chega o reforço: a coronel Ward (Sigourney Weaver), líder da Nova República, com um esquadrão de pilotos de X-Wing, incluindo Trapper Wolf (Dave Filoni), que dá uma pausa de sua função de co-chefe da Lucasfilm para atacar os remanescentes do Império. Mando manda eles atirarem na localização dele, o que os confunde, já que ele está lá. Mas ele tem um plano engenhoso: pular da casa-árvore dos Hutts no momento em que a Nova República a explode completamente. O trio principal é resgatado pelo piloto Zeb Orrelios (Steve Blum) e levado à base da Nova República para celebrar a vitória.
Só que fica uma pulga atrás da orelha: a Nova República acabou de assassinar uma população inteira de Hutts sem motivo? No início do filme, vemos Mando e Grogu andando pela casa em Nal Hutta, onde dezenas de Hutts relaxam, comem e se entregam à devassidão. Os Gêmeos estão no salão do trono, mas estão longe de ser os únicos Hutts vivendo no local. E, quando Ward explica, no fim, que descobriram que os Gêmeos estavam passando informações para o Império (ou seus remanescentes), eles já estavam mortos, devorados pelo próprio Dragão Serpente. Cadê o julgamento justo por um júri de seus pares (outros Hutts)? Além disso, havia outros Hutts naquela casa — e o Dragão Serpente, que possivelmente foi explodido ou esmagado pela casa desabando.
Há uma saída para os heróis, mas essa não é a primeira vez que os mocinhos de Star Wars são acusados de fazer coisas muito erradas. Isso remonta a Luke Skywalker (Mark Hamill) explodindo a Estrela da Morte no primeiro filme. Desde 1977, fãs debatem se a destruição da estação matou inocentes. No romance Lost Stars (2015), de Claudia Gray, especifica-se que havia bem mais de dois milhões de pessoas na Estrela da Morte num dia normal, e pelo menos um milhão estavam a bordo quando Luke a explodiu — e nem todos eram stormtroopers. Quando Han Solo (Harrison Ford) diz que o tiro foi um em um milhão, na verdade é um milhão de pessoas morreram.
O debate sobre a Rebelião ser terrorista galático continuou em O Retorno de Jedi, e especificamente no clássico de 1994, Clerks, onde dois funcionários de loja de conveniência discutem se explodir a segunda Estrela da Morte matou empreiteiros, encanadores, telhadistas etc. Ignora-se que a Estrela da Morte II era uma estação de batalha totalmente armada e operacional, mas a discussão aborda se trabalhar na construção para o Império torna alguém mau e, portanto, digno de morte.
Essa discussão se expandiu em várias mídias, com a franquia tornando mais turvas as águas para os mocinhos, da Rebelião à Ordem Jedi. É a ideia central de Andor, série aclamada que consistentemente colocou problemas moralmente cinzentos para seus protagonistas, enquanto pesavam o custo humano de travar guerra contra uma ditadura fascista — tanto nas mortes que causavam quanto em suas próprias almas.
The Mandalorian and Grogu, vale notar, não é Andor. É um filme leve e divertido, voltado para famílias, mesmo com classificação PG-13. Não há complexidade moral real, nem se pretende ter. Os vilões são maus, os mocinhos são bons… Por isso a resposta massiva da Nova República no final parece tão destoante do resto do filme.
Mas há um indicador visual que sugere que a Nova República não estava tentando acumular pontos de abate de Hutts. Na batalha final, quando Mando e Grogu primeiro chocam a nave contra o prédio e depois lutam para atravessá-lo, não vemos nenhum Hutt além dos Gêmeos no local, embora antes eles estivessem por toda parte. Há dezenas de droides, mas nenhum dos alienígenas lesmas centenários. É razoável pensar que todos os outros Hutts foram evacuados ou saíram por conta própria assim que os Gêmeos enviaram seus soldados droides para vasculhar as selvas em busca do Mandaloriano, depois que ele escapou do Dragão Serpente.
Uma fala de Ward poderia ter esclarecido isso? Talvez, se depois de revelar que os Gêmeos trabalhavam com o Império, ela dissesse que estão trabalhando com os outros Hutts para restabelecer relações diplomáticas. Provavelmente desnecessário, e teria sido bom saber se o Dragão Serpente estava bem também (embora a criatura parecesse resistente). Mas, como não temos esse diálogo, a boa notícia é que Kevin Smith ganhou um novo Star Wars para escrever em Clerks 4.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-mandalorian-and-grogu-movie-hutts-did-the-new-republic-commit-war-crimes.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-05-23 13:00:00








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