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A franquia Ghost in the Shell, que desde o mangá original de Masamune Shirow em 1989 conquistou fãs com sua arte deslumbrante e temas atemporais sobre identidade, humanidade e tecnologia, ganha uma nova adaptação que promete ser a melhor das últimas três décadas. Os dois primeiros episódios, exibidos no Festival de Cinema de Animação de Annecy, indicam que o estúdio Science Saru entregou uma versão que finalmente faz justiça ao material de origem, combinando animação desenhada à mão, uso criativo de 3D e um foco nas dinâmicas entre os personagens que traz o humor do mangá – algo que faltou nas adaptações anteriores.
A trama mergulha o espectador em um mundo cyberpunk com uma exposição rápida (talvez até rápida demais) sobre uma realidade onde cérebros cibernéticos permitem que pessoas se conectem a redes, e próteses transformam usuários em ciborgues. É um universo repleto de robôs e inteligência artificial, onde a linha entre humano e máquina se desfez e a humanidade está intrinsecamente ligada à tecnologia.
Pela primeira vez, a série adapta diretamente o mangá original, com tempo suficiente para dar atenção aos pequenos momentos. Isso fica evidente no humor, ausente no clássico filme de 1995 dirigido por Mamoru Oshii. Aqui, a estreia aborda temas filosóficos e existenciais conhecidos dos fãs, mas equilibra com diálogos divertidos, piadas e expressões faciais exageradas.
Visualmente, a produção é um espetáculo. Cores vibrantes contrastam com cenas violentas e sangrentas; o sangue pixelizado quando corpos explodem reforça o tom humorístico. A animação tradicional confere fluidez e uma sensação tátil rara no anime atual, enquanto o 3D é reservado para máquinas e robôs, reforçando a ideia de tecnologia invasora, mas diferente e não humana.
A trilha sonora mistura jazz, música orquestral e sintetizadores, criando uma atmosfera única entre as adaptações, mas com um toque old-school. A estética retrô se estende aos objetos do futuro: nada de telas sensíveis ao toque ou hologramas; o mundo é povoado por drives de CD, muitos botões e até videocassetes.
Apesar do tom divertido, os episódios não abandonam as camadas mais profundas do mangá. Abordam a exploração de estrangeiros com a promessa de cidadania, corrupção, experimentação humana e comentários políticos que parecem uma crítica à história dos Estados Unidos no Oriente Médio. O grande foco, no entanto, é a inteligência artificial: vários personagens discutem como as máquinas estão tomando empregos humanos e o valor do cérebro e das habilidades humanas.
Nos dois primeiros episódios, Ghost in the Shell se apresenta como uma obra visual e narrativamente old-school. Deixa a história respirar, explora temas relevantes e evoca os OVAs dos anos 1990, em vez dos animes sazonais dos anos 2020. Para quem nunca viu a franquia, esta é a melhor porta de entrada. Para os fãs antigos, a nova abordagem é diferente o suficiente para complementar as outras adaptações.
A série estreia no Prime Video em 7 de julho.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-ghost-in-the-shell-2026-episodes-1-2-review-prime-video.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-06-30 18:37:00








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