Mixtape: um retrato musical da adolescência que transforma o cotidiano em poesia

Jogar Mixtape é como viver a versão videogame de um filme de colégio. Os adolescentes trocam piadas sobre o sentido da vida e as músicas-tema que tocariam quando entram num ambiente. Preocupam-se em parecer legais numa festa grande, obcecados em conseguir bebida alcoólica. Mas sob esses clichês está uma história significativa sobre nostalgia, amizade e angústia juvenil — tudo embalado por uma trilha sonora repleta de clássicos.

A trama se passa ao longo de um dia de verão. O jogador assume o papel de Stacey Rockford, uma obcecada por música recém-formada no ensino médio. Na manhã seguinte, ela deixará o pacato subúrbio californiano para Nova York, em busca do sonho de se tornar supervisora musical. Enquanto isso, passa o dia com os dois melhores amigos — o discreto Van Slater e a rebelde Cassandra Morino — antes de uma grande festa à noite.

Rockford, Slater e Cassandra formam um trio genuíno de adolescentes. Grande parte do jogo é passada nos quartos, conversando sobre música, vida, futuro e relacionamentos, com a autoconfiança inflada de quem sabe que não faz ideia do que está fazendo. Rockford adora exibir seu conhecimento musical, quebrando a quarta parede para comentar diretamente com a câmera sobre as faixas escolhidas para sua playlist meticulosa do dia — que inclui nomes como Portishead, Iggy Pop e The Cure.

A essência de Mixtape é explorar os arredores como Rockford, examinando objetos como CDs ou mapas de uma viagem planejada, enquanto ouve os comentários do trio. O ritmo lembra jogos nostálgicos mais lentos como Life is Strange ou Gone Home. Às vezes, olhar para um objeto desencadeia cenas jogáveis do passado, com situações e mecânicas variadas — como misturar slushies numa loja de conveniência, cambalear bêbado por uma locadora de vídeo ou tirar fotos com um gadget similar a uma Game Boy Camera ao invadir um parque temático de dinossauros. Esses momentos hiperespecíficos constantemente fazem o jogador refletir sobre a própria adolescência no subúrbio.

Conforme a história avança, camadas de profundidade são adicionadas a cada personagem. Rockford, ao convencer Slater a tocar uma de suas músicas, pergunta por que ele faz música — revelando que, apesar de todo seu conhecimento, ela não toca nada. Cassandra luta pela liberdade como forma de se opor aos pais controladores. Slater, que aparenta ser um desocupado, mostra-se incrivelmente gentil e atencioso. Até o pai de Cassandra, um policial que estraga festas e serve como antagonista principal, ganha seu momento de destaque.

Grande parte de Mixtape é, na superfície, banal. Em dado momento, o jogador passa dez minutos pulando pedras na água — tempo considerável para um jogo que dura cerca de quatro horas. Essa banalidade, no entanto, é o que torna a experiência tão real. O revisor, que se descreve como um nerd da banda na escola, não viveu as mesmas travessuras do trio, mas ainda assim se identificou com a história de jovens que passam tempo juntos, relembram o passado e encaram o futuro com apreensão.

Mixtape já está disponível para Nintendo Switch 2, PC, PS5 e Xbox Series X/S.

Leia mais aqui em inglês: https://www.theverge.com/games/925580/mixtape-review-ps5-xbox-series-x-s-nintendo-switch-2-pc.

Fonte: The Verge.

Gaming | The Verge.

2026-05-16 12:00:00

No comments

Deixe um comentário

Top Novidades!

19370