Mara, o demônio fálico de Persona, e por que ele ainda assombra a série

Quem joga Persona já sabe: a série da Atlus é famosa por transformar criaturas mitológicas e folclóricas do mundo inteiro em Personas equipáveis, funcionando quase como um sistema de Pokémon. Tem guerreiro nórdico como Odin, deusa hindu como Lakshmi, personagens fofos como Alice e o boneco de neve Jack Frost. Mas existe uma Persona que não se encaixa em nada disso. O nome dele é Mara, e ele é tão problemático que a Atlus precisou criar uma versão censurada.

Persona’s
Fonte da imagem: Polygon

Mara é, sem rodeios, um pênis gigante e verde, com quatro braços, vários tentáculos e uma boca escancarada. Sim, ele anda em uma carruagem dourada. Na mitologia budista, Mara é um demônio associado à tentação, à luxúria e aos prazeres mundanos, com nome derivado do sânscrito que significa o Destruidor ou o Maligno. Em japonês, mara também é gíria para pênis, o que rende um trocadilho visual — mas fora dos jogos da Atlus, ele não costuma ser retratado assim.

Persona
Screenshot: Atlus via PolygonFonte da imagem: Polygon

O personagem aparece na maioria dos jogos de Shin Megami Tensei, em Persona 3, 4 e 5, e em spin-offs como Persona Q e Persona 5 Strikers. Seu momento de maior destaque é em Persona 5, como chefe da primeira dungeon, o Rei do Desejo Pulsante. Durante a luta, ele às vezes desperdiça um turno olhando para Ann Takamaki, a personagem loira do grupo — um detalhe que a própria Atlus usa de forma consciente. Depois, ele volta como inimigo comum, rebatizado de Rei do Desejo Latejante. Na maior parte dos jogos da Atlus, porém, Mara não é um inimigo obrigatório: é uma invocação opcional e bastante poderosa.

O terror tubular chegou a ser cogitado para Metaphor ReFantazio, de 2024, mas foi cortado da versão final — provavelmente para garantir a classificação T for Teen do ESRB. Apesar de tudo, ele é um dos demônios mais populares da série, tendo ficado em primeiro lugar em uma enquete oficial da Atlus em 2017.

Mara
Image: AtlusFonte da imagem: Polygon

Mara também é lembrado por levantar perguntas desconfortáveis: por que precisa ser verde? Por que parece musculoso? Por que as garras são tão de pinça? Por que um pênis precisa de língua? São questões que ficam na cabeça de quem encontra o personagem pela primeira vez — e nenhuma delas tem resposta agradável.

Persona
Fonte da imagem: Polygon

A série Persona não é de terror, mas flerta com temas psicológicos e sobrenaturais, e costuma tratar sexualidade de forma mais elaborada. Mara destoa justamente por ser um susto inesperado, comparável a uma situação constrangedora no metrô. Não é um design artístico como o Xenomorfo de H.R. Giger em Alien. Talvez funcione melhor como piada em japonês.

Visão Gamer: Mara é um exemplo curioso de como a Atlus mistura mitologia, humor e polêmica dentro de uma franquia que não é de terror. Para quem joga Persona, encontrá-lo é quase um rito — e um lembrete de que a série não tem medo de ir longe. Se você pretende recomendar os jogos para alguém, vale avisar: a criatura pode aparecer quando menos se espera.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/persona-atlus-scariest-mara/.

Fonte: Polygon.

2026-10-10 10:00:00

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