A IDW Publishing vai lançar, em 13 de outubro, o volume Star Trek: The Edges of the Final Frontier: IDW Classic Collection. A coletânea inclui a reimpressão da adaptação em quadrinhos de 2015 do roteiro original de Harlan Ellison para The City on the Edge of Forever, episódio clássico de Star Trek: The Original Series exibido pela primeira vez há quase 60 anos. A versão de Ellison é bem diferente da que foi ao ar na TV.

No episódio, o Dr. McCoy (DeForest Kelley) é acidentalmente drogado e salta pelo misterioso Guardian of Forever, alterando a história da Terra. O capitão Kirk (William Shatner) e Spock (Leonard Nimoy) o seguem até Nova York durante a Grande Depressão para descobrir o que McCoy mudou e como consertar. No caminho, Kirk se apaixona por Edith Keeler (Joan Collins), mas Spock descobre que ela deveria morrer em um acidente de trânsito. Se sobreviver, a história muda e o futuro que Kirk e Spock conhecem deixa de existir. Restaurar a linha temporal exige que Kirk faça algo mais difícil do que derrotar um alienígena: deixar Edith morrer. É uma escolha devastadora que rendeu a Kirk um de seus relacionamentos mais marcantes e ajudou a estabelecer uma fórmula de viagem no tempo que a franquia repetiria por décadas.
A fama de galanteador de Kirk não combina com o que o episódio mostra. Ele nunca chega a dizer a Edith que a ama; confessa o sentimento a Spock logo após saber que a mulher por quem se apaixonou precisa morrer. No clímax, quando Edith avança na frente de um caminhão, McCoy tenta salvá-la e Kirk o segura fisicamente. Um capitão famoso por achar outra saída se vê diante de um problema sem alternativa. A morte de Edith não é uma consequência infeliz de salvar a história: é o modo como Kirk salva a história. A reação de Shatner vende a devastação, e a frase final do episódio, Let’s get the hell out of here, soa incomumente crua para Star Trek.

Joan Collins já tinha uma carreira sólida quando chegou à série. Nos anos 1950, foi contratada da 20th Century Fox e contracenou com nomes como Richard Burton, Gregory Peck e Paul Newman. A Fox chegou a considerá-la para Cleopatra antes de o papel ficar com Elizabeth Taylor. Nos anos 1960, migrou para a TV e fez participações em Mission: Impossible, Batman — como a vilã Siren — e Star Trek. Edith Keeler se tornaria um de seus papéis mais lembrados dessa fase. O maior sucesso viria depois: no fim dos anos 1970, estrelou The Stud e The Bitch, adaptações de livros de sua irmã Jackie Collins, e alguns anos mais tarde assumiu Alexis Carrington em Dynasty, a partir da segunda temporada, transformando a personagem em um ícone da TV dos anos 1980.

City não foi o primeiro episódio de Star Trek a mexer com viagem no tempo — a Enterprise já havia viajado temporalmente em The Naked Time e Tomorrow Is Yesterday. A diferença é que aqui o recurso deixou de ser apenas um problema científico e virou consequência pessoal. Kirk e Spock sabem exatamente o que mudou e como consertar; o problema é que Kirk não quer fazer isso. A franquia voltaria a essa fórmula várias vezes, de Star Trek IV: The Voyage Home a Yesterday’s Enterprise, passando por Past Tense de Deep Space Nine e First Contact. O melhor drama temporal, como City mostrou, não está nas linhas do tempo ou nos paradoxos, mas nas pessoas. Edith torna essa lição brutal porque Kirk sabe que ela está certa sobre o futuro da humanidade — ele vive no mundo com que ela sonha, e a única forma de preservá-lo é garantir que ela nunca chegue lá. Star Trek: The Original Series está disponível no Paramount Plus e de graça no YouTube com anúncios.
Visão Gamer: Para quem acompanha a franquia, a coletânea da IDW é uma chance de conferir em quadrinhos a versão do roteiro que Harlan Ellison escreveu antes das mudanças que a produção fez para a TV. É material de arquivo, não uma nova história, mas ajuda a entender como um dos episódios mais celebrados de Star Trek tomou sua forma final.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/star-trek-city-on-the-edge-of-forever/.
Fonte: Polygon.
2026-10-10 17:00:00








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