A nona temporada de Rick and Morty já começa com um episódio que mexe com a mitologia da série. Em There’s Something About Morty, Evil Morty está de volta, e o embate com Rick promete grandes cenas de ação e efeitos visuais. No entanto, a forma como o personagem é tratado na trama deixou parte dos fãs e da crítica com uma sensação agridoce.
Evil Morty sempre foi um dos personagens mais complexos da animação adulta do Adult Swim. Diferente de um Morty comum, ele possui inteligência e confiança comparáveis às de Rick, mas seu maior desejo sempre foi se libertar da relação tóxica e destrutiva que define a dupla protagonista. Após conseguir o que queria e ainda ajudar Rick a derrotar Rick Prime, o personagem parece ter perdido seu propósito narrativo.
A crítica principal ao episódio é justamente essa: os roteiristas não souberam o que fazer com Evil Morty depois que ele atingiu seus objetivos. Em vez de aposentá-lo de vez, optaram por transformá-lo em uma espécie de parceiro grudento de Rick, competindo por sua atenção. Para um ser que passou temporadas inteiras tentando escapar de todos os Ricks do multiverso, essa nova abordagem soa forçada e contraditória.
Apesar do incômodo com a caracterização, o episódio não deixa de ter seus pontos altos. O vilão da vez, o Collective (com voz de Tilda Swinton), é uma mistura divertida de Galactus com os Borg, oferecendo um desafio à altura para dois supergênios unidos. E é irônico que Evil Morty vença a batalha justamente por contar com a previsível atrapalhada de seu contraparte.

O trabalho de voz de Harry Belden, que interpreta tanto Morty quanto Evil Morty, merece destaque. Ele consegue dar nuances distintas a cada versão do personagem, especialmente em uma cena em que Evil Morty imita debochadamente o outro eu. A diferença vocal é sutil, mas perceptível, e enriquece o confronto.
Visualmente, There’s Something About Morty é um espetáculo. A série sempre esteve à frente da maioria das produções do Adult Swim em termos de animação, mas aqui o abismo é ainda maior. A batalha contra o Collective tem escala e carnificina dignas de um confronto entre dois cientistas loucos e um deus espacial todo-poderoso. A animação atinge níveis de anime, com direito a uma cena em que Rick e Evil Morty agacham e gritam um para o outro enquanto seus nanorrobôs guerreiam, em uma clara referência a Dragon Ball.
O desfecho da briga também é bem-humorado: Evil Morty aprende da pior forma por que Rick não gosta de mexer com viagem no tempo. É um final adequado para quebrar o impasse entre os dois. A preocupação, no entanto, é que Evil Morty fique preso nesse novo papel de arqui-inimigo rejeitado. Quando ele inevitavelmente retornar em uma ou duas temporadas, espera-se que a série não apenas repita o confronto, mas encontre uma maneira de tornar essa rivalidade mais única e significativa.
No fim das contas, a estreia da nona temporada entrega o que promete em termos de ação e espetáculo visual, mas deixa um gosto de poderia ter sido melhor no que diz respeito ao tratamento de um dos personagens mais icônicos da série. Resta saber se os próximos episódios vão corrigir o rumo ou consolidar essa nova — e questionável — dinâmica.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/rick-and-morty-season-9-premiere-review-recap.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-05-25 03:00:00








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