O anúncio do remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para 2026 já gerou debates sobre o estilo visual e as mudanças no design, mas há um aspecto que preocupa ainda mais os fãs: o som. A forma como a Nintendo atualizará a trilha sonora de Koji Kondo e a possível inclusão de dublagem podem definir o sucesso ou o fracasso da recriação de um dos jogos mais aclamados da história.
O trailer do remake já mostrou parte da direção sonora. A música começa com uma ocarina tocando a Canção da Saria, com um toque do tema alegre da Floresta Kokiri ao fundo, mas logo se transforma em uma fanfarra orquestral baseada no tema do Campo de Hyrule. O resultado é majestoso, lembrando a trilha orquestral do remake de Star Fox. No entanto, para muitos, essa abordagem pode não capturar a essência do Ocarina original.

A trilha sonora de 1998, composta por Koji Kondo, é marcada por melodias inesquecíveis, incluindo as canções de ocarina que se conectam diretamente à jogabilidade e à narrativa. O som é definido por efeitos sonoros nítidos, uma paisagem sonora ambiente esparsa e ecoante, e trechos de voz comprimidos, como os gritos icônicos de Link, os grunhidos graves dos Gorons e o inesquecível Hey! Listen! de Navi. A atmosfera é épica, mas também íntima e misteriosa.
Kondo evitou o pomposo orquestral na maior parte do jogo, exceto no tema do Campo de Hyrule, preferindo um folk caseiro e música de câmara, executada com violinos sintetizados, cravos e gaitas. Nas masmorras, as faixas são loops ambientes assustadores e abertos, que nunca se resolvem musicalmente. O tema de abertura, em particular, é esparso e onírico, quase melancólico, com uma ocarina lamentosa sobre pianos simples e sintetizadores sutis — mais Twin Peaks do que Final Fantasy.
O trailer do remake, por outro lado, inclui uma narração que apresenta a história: a Árvore Deku, o povo Kokiri e o menino sem fada. A voz é de um senhor de tom gentil e rico, um narrador clássico de contos de fadas, muito ao estilo Disney. A Nintendo sempre admirou e se inspirou na Disney, mas para muitos fãs, Ocarina of Time tem um tipo diferente de atmosfera de conto de fadas, e essa narração não parece combinar com o tom imaginado para a história original.

No jogo de 1998, a narração inicial vinha silenciosamente, em forma de texto, da própria Árvore Deku. Era hesitante, antiga e formal. Quem dublará a Árvore Deku no remake? É provável que o jogo tenha pelo menos dublagem parcial nas cutscenes, como em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Embora alguns possam preferir que não haja dublagem, isso iria contra as expectativas modernas para um jogo com essa montagem cinematográfica.
A esperança de muitos é que o jogo não seja totalmente dublado — Zelda sempre foi uma experiência de leitura, como um livro — e que Link permaneça mudo. No entanto, escalar e gravar as vozes de personagens icônicos como Zelda, Ganondorf, Impa, Saria, Malon, Talon, Dampé e outros é uma responsabilidade enorme. É muito diferente de escalar uma nova versão da lenda, como em Breath of the Wild. A Nintendo precisa acertar as representações de personagens cujas vozes ecoam na cabeça dos fãs há quase 30 anos. É fácil errar.
A Nintendo tem se mostrado uma zeladora cuidadosa de seu catálogo lendário, e seus remakes e remasterizações raramente erram. Mas nunca tentou algo da escala deste remake de Ocarina of Time, e o material original pode ser a obra-prima mais preciosa de seu vasto acervo. Há muitas oportunidades para dar errado, e elas começarão com a primeira coisa que chega aos nossos ouvidos.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/zelda-ocarina-of-time-remake-voice-acting-music-audio/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-12 14:00:00








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