Control Resonant aposta forte na lore espalhada pelo cenário, mas a quantidade de textos e áudios encontrados pelo caminho pode acabar atrapalhando o ritmo de quem joga. A avaliação é de uma análise publicada sobre o jogo, que destaca como o excesso de material opcional se torna um problema de pacing em um título construído em torno de movimento fluido e ação.
A sequência de Control, da Remedy Entertainment, deixa para trás a sede do Federal Bureau of Control, o prédio brutalista de Manhattan conhecido como The Oldest House, e leva o protagonista Dylan Faden para as ruas de Manhattan infectadas pelo Hiss. Mesmo fora do escritório, o jogador continua tropeçando em notas e áudios deixados para trás depois do evento apocalíptico.

Segundo a análise, a qualidade da escrita da Remedy segue impecável. Um simples puzzle de diapasão no metrô, por exemplo, ganha contexto com anotações que retratam uma equipe de pesquisa frustrada tentando entender por que continua se teletransportando. Isso faz o mundo de Resonant parecer narrativamente motivado, e não apenas um cenário criado para justificar gameplay.
O problema está na frequência com que esses materiais aparecem. No começo, os registros surgem em ritmo controlado e exigem apenas uma pausa rápida de leitura. Conforme o jogador avança, o volume aumenta e fica overwhelming rápido. Em uma missão de meio de campanha ambientada em um labirinto subterrâneo, Dylan encontra vários locais de teste da FBC espalhados por um espaço liminal, cada um repleto de textos e áudios em sequência. Mal o jogador termina de ler um e já encontra outro a poucos passos.
Os áudios têm um agravante. Eles começam a tocar automaticamente ao serem coletados, sem precisar abrir menu, o que em teoria permite ouvir enquanto se joga. Só que eles param se um diálogo relacionado à história for acionado. Em um jogo com tanta conversa quanto Control Resonant, esses gatilhos costumam estar perto do local onde o áudio foi pego, e andar alguns metros já interrompe a reprodução. Resultado: o jogador precisa entrar no menu e dar play de novo. Na prática, para ouvir um log inteiro sem interrupção, é preciso ficar parado.

A análise pondera que nada disso é um deal-breaker. Todo o material é opcional e pode ser consumido quando o jogador quiser. Ainda assim, a impressão é de que Resonant depende demais de uma abordagem de contar em vez de mostrar, o que prejudica o ritmo de um jogo feito para ser fluido e cheio de ação.
A comparação com o Control original ajuda a entender a diferença. O primeiro jogo era sobre as engrenagens internas de uma agência governamental e se passava em um prédio de escritórios, então papéis espalhados por todo lado faziam sentido. Encontrar segredos sensíveis largados em uma mesa reforçava a ideia de que a FBC talvez estivesse levando as coisas de forma relaxada demais. Resonant, por outro lado, é menos sobre política da FBC e mais sobre a história entre os irmãos Jesse e Dylan. Todo esse papel solto acaba desviando o foco desse coração narrativo.

O texto lembra que enxurradas de lore não são exclusividade da Remedy. É uma escolha de design comum em jogos compactos como Pragmata e em mundos abertos como The Blood of Dawnwalker. Usada com moderação, ela dá cor ao mundo e faz ele parecer habitado, como na série Resident Evil. Mas também pode matar o embalo em jogos de ação como Marvel’s Wolverine, que obriga o jogador a largar o controle por um ou dois minutos para ver Logan parado ouvindo uma fita cassete.
A defesa não é por menos worldbuilding, e sim por formas mais integradas de apresentá-lo. O autor da análise diz preferir design ambiental, aquele que permite inferir uma história sem que ela seja soletrada. É o que ele ama na Manhattan real que serve de inspiração para a cidade de Resonant: encontrar cenas estranhas e sair sem explicação, com um mistério não resolvido que fica na cabeça por anos.
Visão Gamer: Para quem pretende jogar Control Resonant, a análise sugere que a lore opcional é rica, mas exige pausas frequentes e, no caso dos áudios, atenção para não interromper a reprodução ao andar. Quem prefere manter o ritmo da ação pode simplesmente ignorar boa parte desse material, já que ele não é obrigatório.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/control-resonant-lore-logs/.
Fonte: Polygon.
2026-09-26 14:00:00








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