Conhecido por títulos absurdos como ‘Pounded by President Bigfoot’ e ‘I’m Gay for My Billionaire Jet Plane’, Chuck Tingle — que mantém a identidade real em segredo atrás de óculos escuros e uma máscara rosa com os dizeres ‘Love Is Real’ — consolidou-se como um autor de horror prolífico e talentoso. Seu novo romance, ‘Fabulous Bodies’, chega em 7 de julho e é descrito como ‘Drive encontra Beetlejuice’, uma leitura ideal para a praia ou à beira da piscina.
A trama acompanha Poppy Stringer, influenciadora de moda durante o dia e ladra de corpos à noite, que transporta cadáveres por Los Angeles. Quando Eddie Michaels — um roqueiro pianista e ícone queer inspirado em Elton John — morre inesperadamente, Poppy é contratada para buscar o corpo no necrotério. O que parecia uma entrega de rotina se transforma em um banho de sangue quando Eddie acorda.
Em entrevista ao Polygon, Tingle falou sobre sua paixão pelo horror, que começou ao assistir ao remake de ‘A Noite dos Mortos-Vivos’ (1990), estrelado por Tony Todd, na TV tarde da noite. ‘Eu me sentia isolado, e ver aqueles personagens encurralados em uma fazenda me fez pensar: Estou aqui com eles. O mundo é assustador, mas estamos todos com medo juntos’, recorda.
A diferença entre escrever erotismo satírico e horror, segundo Tingle, está no tempo de produção. Enquanto seus ‘Tinglers’ (contos eróticos) são escritos em 24 horas como reação a eventos atuais, um romance de horror leva meses para ser escrito e mais um ano até chegar às livrarias. ‘Isso significa que estou dissecando um tema cultural, não um evento específico’, explica. Ele cita ‘Bury Your Gays’, que aborda inteligência artificial em Hollywood: ‘Quando escrevi, pensei que ninguém entenderia uma performance gerada por IA após a morte de um ator. Quando o livro saiu, o mundo já tinha mudado.’

Diferente de obras anteriores, que mostravam personagens queer sendo perseguidos pela sociedade heterossexual, ‘Fabulous Bodies’ faz uma autocrítica da própria cultura queer. ‘A cultura stan de lealdade inabalável a celebridades é forte na comunidade queer. Amamos nossos ícones, o que é ótimo, mas pode se tornar tóxico’, reflete Tingle. Para ele, a interseção entre horror e questões queer é inevitável: ‘Amo horror e amo explorar sexualidade através da arte. Não é um plano mestre.’
Sobre a evolução como escritor de horror, Tingle defende a imperfeição como parte da arte. ‘Não há nada que eu gostaria de ter sabido no começo. A imperfeição é a única perfeição real. As músicas de bandas punk jovens seriam melhores se regravadas na idade adulta? Acho que não. O que importa é a honestidade brutal no momento da criação.’
A filosofia central de Tingle, ‘Love is real’, também permeia o novo livro, com destaque para o amor familiar. ‘As pessoas se perguntam por que alguém com uma mensagem tão positiva é atraído pelo horror. Mas se você quer acender uma luz, não há lugar melhor do que a escuridão’, afirma.
O tom de ‘Fabulous Bodies’ equilibra body horror e humor, algo que Tingle atribui ao seu autismo. ‘Raramente escrevo com a intenção de ser engraçado, mas minha mente neurodivergente questiona regras e convenções. Isso me faz oscilar entre o absurdo cômico e o absurdo horrível.’

Tingle revelou que está escrevendo um livro de vampiros, mas ele só deve ser lançado daqui a três anos. ‘Já tenho um ou dois livros prontos a qualquer momento. O vampiro está mais no fim da fila.’
Perguntado sobre a música-tema da protagonista Poppy, Tingle escolheu ‘Rocket Man’, de Elton John. ‘A letra fala de alguém isolado pela carreira, que sente falta da família. Cada um dos meus romances de horror tem um gênero musical temático; ‘Fabulous Bodies’ é rock setentista.’
Para quem busca novas leituras de horror, Tingle recomenda ‘Headlights’, de CJ Leede, que será lançado neste verão.
O livro inclui um trecho exclusivo em que Poppy janta com o amigo Noah, que luta contra o câncer, e recebe uma ligação misteriosa oferecendo 5 milhões de dólares para buscar um corpo. A oferta, feita por uma mulher que sabe seu número de telefone, promete um adiantamento de 10% e coloca Poppy diante de um dilema entre o perigo e a oportunidade.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/chuck-tingle-fabulous-bodies/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-18 13:00:00








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