A nova série Carrie, adaptação da novela clássica de Stephen King publicada em 1970, já está disponível no Prime Video e vem dividindo os fãs do autor por causa das liberdades criativas que toma em relação ao material original. Mas o que muita gente não sabe é que boa parte dessas mudanças não partiu do showrunner Mike Flanagan: foram ideias do próprio King.

Em entrevista ao Polygon, Flanagan contou que fez questão de conversar com o autor antes de aceitar o projeto. Não existe mundo em que eu faça algo assim sem falar com o Steve primeiro, afirmou. Segundo ele, King acompanhou tudo de perto e participou ativamente das decisões sobre como expandir aquele universo. Algumas pessoas parecem querer proteger o Stephen King nessa, e o que eu quero dizer é: gente, isso é ideia do Steve, reforçou o showrunner.

A mudança mais radical é a conexão de Carrie com o restante do universo literário de King. Como o livro foi o primeiro do autor, não havia nada a que conectá-lo na época. Nesta versão, Carrie White (Summer Howell) é apenas uma entre várias mulheres com poderes psíquicos semelhantes, e uma delas chega a se referir à habilidade como o Shine. Para Flanagan, é uma atualização natural: Se o Steve tivesse escrito esse livro um pouco mais tarde na carreira, acho que ele estaria chamando de o Shine.
Outra grande diferença é que Carrie sobrevive nesta adaptação, decisão que, segundo o showrunner, também teve o aval do autor. Todos nós, incluindo o Steve, concordamos que essa versão da Carrie merecia sobreviver à história, disse. Flanagan admite entender a reação de quem é purista, mas afirma estar mais grato pela quantidade de gente que curtiu a mudança e quer ver onde ela vai dar.

A personagem Emaline (Thalia Dudek) também gerou bastante discussão. Ela aparece como uma colega solitária que se torna amiga de Carrie e a incentiva a desenvolver seus poderes, depois parece ser fruto da imaginação da protagonista, até que uma reviravolta revela que ela é real e usava projeção astral para orientar Carrie à distância. De acordo com Flanagan, Emaline foi a personagem em que King mais colocou a mão e a que ele estava mais empolgado em moldar.

Para quem não gostou das mudanças, o showrunner tem uma resposta simples: existem outras três versões da história para assistir. Ele lembra que King adora o filme de Brian De Palma e concorda que ele é perfeito, mas que a empolgação do autor aqui era justamente expandir esse mundo. Carrie está disponível no Prime Video.
Visão Gamer: para quem acompanha adaptações de obras de King, a série funciona como um ponto de entrada para o universo compartilhado do autor, conectando Carrie a elementos já conhecidos de outras histórias. A decisão de manter a protagonista viva e introduzir uma personagem com projeção astral abre espaço para uma continuidade que o livro original não permitia, o que pode interessar tanto a fãs de longa data quanto a quem chegou agora pelo streaming.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/carrie-2026-changes-mike-flanagan-stephen-king-interview/.
Fonte: Polygon.
2026-10-12 09:00:00








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